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WSWS : Portuguese
Assistência médica e sistema de duas categorias
salariais em discussão
Trabalhadores de redes de supermercados do sul da Califórnia
aprovam novo acordo
Por Kim Saito
13 de agosto de 2007
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Este artigo foi publicado no WSWS, originalmente em inglês,
no dia 31 de julho de 2007.
No dia 22 de julho, os trabalhadores de redes de supermercados
do sul da Califórnia aprovaram um novo acordo que terá
validade de quatro anos. Os 65 mil trabalhadores de 785 estabelecimentos
entre o centro da Califórnia e a fronteira com o México,
são representados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Alimentação
e do Comércio (UFCW - United Foods and Commercial Workers).
O sindicato declarou que mais da metade dos trabalhadores participou
das assembléias, dos quais 87% aprovaram o acordo, que
é retroativo a 6 de março de 2007. Os trabalhadores
são contratados pelas redes Ralph's, de propriedade da
empresa Kroger, Albertsons, de propriedade da Supervalu, e Vons,
de propriedade da Safeway.
O acordo encerra um período de sete meses de negociações
e duas greves. Os empresários, a burocracia do sindicato
e a mídia elogiaram o acordo, classificando-o como uma
situação "em que todos ganham". No entanto,
a suposta vitória foi apenas uma parcial compensação
das enormes perdas assumidas pelos trabalhadores nas negociações
da greve de 19 semanas, que ocorreu entre 2003 e 2004, a mais
longa greve do comércio de alimentos dos Estados Unidos.
O sindicato traiu a greve, isolando os trabalhadores e posteriormente
forçando-lhes a aceitar um acordo que abria mão
de direitos e instituía um sistema de duas categorias de
salários, o que impôs enormes cortes nos salários
e nos benefícios dos novos contratados.
O novo acordo elimina o sistema de duas categorias de salários
criado pelo acordo anterior, mas exige mais tempo - de seis a
nove anos - para que a maioria dos trabalhadores atinja os salários
máximos. Apenas em algumas profissões o tempo para
atingir o salário máximo será menor - de
dois anos, no caso dos açougueiros.
Existiam 33 mil trabalhadores da chamada segunda categoria,
contratados depois da greve de 2003-2004, que recebiam salários
muito menores do que os dos trabalhadores da primeira categoria,
contratados antes da greve. Iniciando com salários de US$
7,55 por hora, apenas cinco centavos acima do salário mínimo
da Califórnia, eles trabalhavam lado-a-lado com trabalhadores
mais antigos que ganhavam entre US$ 12,17 e US$ 17,90 por hora,
incluindo os benefícios.
Os reajustes salariais retroativos a 5 de março tiveram
pouco valor, em conseqüência do alto custo de vida
no estado. Nos próximos quatro anos a maioria dos trabalhadores
receberá um reajuste de US$ 1,65. Além disso, de
acordo com um trabalhador da Albertsons, em Thousand Oaks, o contrato
não contempla o problema de alguns dos trabalhadores mais
antigos, da primeira categoria, que estavam recebendo salários
da segunda categoria. Eles terão de esperar mais para receber
o aumento.
O período de carência da assistência médica
foi reduzido para seis meses, para novos contratados e seus filhos,
e 24 meses para seus cônjuges. Anteriormente era necessário
mais de um ano para que os trabalhadores passassem a ter direito
à assistência médica, e 30 meses para os seus
filhos e cônjuges. No entanto, trabalhadores que antes estavam
na segunda categoria somente terão direito aos benefícios
mais altos depois de 5,5 anos.
Todos os trabalhadores terão direito à assistência
médica preventiva, que incluirá exames de rotina,
mamografias, exames de próstata, assistência neonatal
e imunização infantil. O sindicato complementará
a cobertura, disponibilizando US$ 3 mil para cada trabalhador,
retirados de um fundo de assistência médica de US$
240 milhões, que é administrado conjuntamente com
as empresas do setor.
Mediante o acordo antigo, os supermercados davam a cada trabalhador
um determinado montante em dinheiro para cobrir despesas com saúde;
o novo acordo garante US$ 1000 em reembolsos de consultas médicas
a cada trabalhador. Outra mudança chave é a ênfase
em programas de bem-estar, como aqueles que estimulam a perda
de peso ou parar de fumar.
Em uma reveladora confissão, o presidente local do UFCW
no condado de Ventura, George Hartwell, declarou que os empregadores
estavam dispostos a oferecer reajustes salariais e melhor assistência
médica porque o sindicato concordara em realizar medidas
significativas, que ajudariam a controlar os gastos das empresas.
Aparentemente, as cadeias de supermercados abandonaram parcialmente
o sistema de duas categorias salariais por que ele estava causando
uma elevada rotatividade de trabalhadores. Demonstrando preocupações
semelhantes, a Stater Bros., quarta maior rede de supermercados
sindicalizada do sul da Califórnia, fechou um acordo que
eliminava o sistema de duas categorias salariais e aumentou os
benefícios de seus 16 mil trabalhadores no início
deste ano.
As direções das redes de supermercados pareciam
estar ansiosas para evitar um novo confronto, uma vez que um grande
competidor em potencial, a Tesco, que é o maior varejista
da Grã-Bretanha, anunciou que investirá US$ 2 bilhões
no lançamento da rede Fresh & Easy Neighborhod Market,
abrindo 100 pequenas lojas no oeste dos EUA, quase metade delas
no sul da Califórnia.
As conseqüências da greve de 2003-2004
Relatórios recentes apresentam um claro retrato das
graves conseqüências da traição da burocracia
do sindicato em 2004. Um estudo da Universidade da Califórnia,
em Berkeley, observou que, por meio do acordo de 2004, 20 mil
filhos de trabalhadores de supermercados perderam seus planos
de saúde. Um artigo da agência Reuters comentou que
os enormes sacrifícios impostos pelo acordo causaram profundas
conseqüências aos trabalhadores e suas famílias,
levando a penhora de casas, divórcios e até suicídios.
Um relatório do Centro para Estudos do Trabalho e Educação
da Universidade de Berkeley publicado em janeiro, considera que
a redução dos direitos à assistência
médica dos trabalhadores das redes de supermercados foi
resultado da greve de 2003-2004. O pesquisador Ken Jacobs declarou
que é impressionante rapidez com que foi retirada a cobertura
dos planos de saúde. Ele comenta: "é muito
dramático e muito perturbador, mas realmente reflete as
tendências de longo prazo. E se as mudanças não
forem feitas ao nível político, nós veremos
um aumento da deterioração na cobertura médica
aos trabalhadores do estado da Califórnia".
Baseado nas informações reunidas das seções
do UFCW no norte e no sul da Califórnia e em entrevistas
com 755 associados do sindicato, Jacobs, Arindrajit Dube e Felix
Su produziram um documento chamado "A decadência da
assistência médica na indústria alimentícia
do sul da Califórnia". Suas conclusões foram
as seguintes:
* Antes da última greve, 94% dos trabalhadores do sul
da Califórnia associados ao UFCW tinham assistência
à saúde. Agora apenas 54% têm direito à
cobertura.
* Para os trabalhadores contratados mediante os termos do novo
acordo, os períodos de carência aumentaram de quatro
meses para um ano para assistência individual, 18 meses
para assistência complementar e 30 meses para assistência
familiar. Aos novos contratados foi exigido o pagamento de 20%
dos custos do plano de saúde, ao mesmo tempo em que recebiam
salários que os colocavam no nível da pobreza.
* Dos trabalhadores contratados desde abril de 2004, apenas
7% recebia assistência médica paga pelo empregador.
Metade não recebia e os demais eram cobertos pelo plano
do cônjuge, de algum parente ou do governo.
* O estudo também revelou que 20% dos trabalhadores
deixam de procurar um médico por causa dos altos custos.
Numa audiência diante de uma comissão de avaliação
da saúde da comunidade ligada à indústria
alimentícia de Los Angeles, realizada em janeiro, um trabalhador
de uma rede de supermercados testemunhou que tinha câncer,
mas teve de recorrer aos programas governamentais para cobrir
os custos de seu tratamento porque não recebia assistência
médica de seu empregador. Outro trabalhador disse que precisava
de cuidados médicos, mas teria que esperar 11 meses até
ter direito a receber assistência.
Num artigo no San Diego Union-Tribune, Jacobs escreveu: "essa
enorme e repentina diminuição na cobertura de assistência
médica oferecida pelas redes de supermercados do sul da
Califórnia aos trabalhadores nos últimos três
anos é emblemática e expressa o que está
ocorrendo na assistência médica em toda a Califórnia
e em todos os Estados Unidos, embora na Califórnia o ritmo
seja maior. E por pior que esteja a situação do
sul da Califórnia, as opções dos trabalhadores
ainda são melhores que as dos trabalhadores do Wal-Mart.
Entre 2001 e 2006, a proporção de californianos
com assistência médica paga pelos empregadores caiu
5%".
O WSWS falou com Phyllis, uma trabalhadora da área de
frutos do mar com 30 anos de serviço na Ralph's de Irvine.
Ela disse: "Esse acordo ainda não compensou tudo o
que perdemos no último acordo. Há partes do acordo
que estão boas. A assistência médica está
boa, especialmente para as famílias, (mas) não há
muitos trabalhadores como eu, com 30 anos na empresa. Eu fui deixada
de lado porque já alcancei os benefícios e o salário
máximos. Mesmo assim eu gostaria de algum tipo de reajuste
por causa do aumento do custo de vida".
"É difícil entender toda a linguagem contratual,
que é muito complicada. Só nos falaram dos pontos
principais'. Uma coisa que é nova, porém, é
que nós, das áreas de frutos do mar e de carnes,
teremos que trabalhar em qualquer outra área, se houver
necessidade".
"Para mim, parece muito errado nós termos que trabalhar
tão duro e ganharmos esses salários, enquanto um
monte de gente do sindicato está ganhando mais. Eu não
acho que isso esteja certo. Eles não deveriam ganhar tanto.
Francamente, eu não confio neles nem na empresa".
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