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Trabalhadores da GM de Detroit estão frustrados com a direção do sindicato

Por Da redação
4 de octubre de 2007

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Este artigo foi publicado no WSWS, originalmente em inglês, no dia 25 de setembro de 2007.

Uma equipe de repórteres do World Socialist Web Site (www.wsws.org) esteve numa planta de montagem da GM na cidade de Hamtramck, em Detroit, na segunda-feira de manhã (24/09), quando os trabalhadores deixaram a fábrica. A fábrica produz os modelos de luxo Buick Lucerne e Cadillac DTS.

Os trabalhadores que deixavam a fábrica diziam que não haviam sido avisados pelo Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Automobilística dos Estados Unidos e Canadá (UAW - United Auto Workers) que haveria uma greve e se queixaram de terem ficado desinformados durante todo o período de negociações.

Às 11h da manhã, Frank Moultrie, presidente do sindicato regional de número 22 apareceu no portão. Questionado por um repórter do WSWS quais questões estavam em negociação, respondeu: “não temos detalhes”.

Ao ser perguntado por que o sindicato não estava dando nenhuma informação para os trabalhadores, Moultrie argumentou: “nós não podemos falar com a mídia. Quando chegar a hora [o presidente do UAW, Ron] Gettelfinger fará um pronunciamento. Eles nos darão detalhes quando estiverem prontos”.

Logo após o anúncio da greve, os trabalhadores deixaram a fábrica de Hamtramck e se juntaram a outros nas dependências do sindicato regional 22, no sudoeste de Detroit. Em frente ao edifício, do outro lado da rua, fica um enorme terreno vazio onde uma vez funcionava a fábrica de montagem do Cadillac. A fábrica, que já empregou 10.000 trabalhadores, fechou em 1987 e foi posteriormente demolida. Sua fábrica irmã - a Fleetwood Body - onde já trabalharam, ao mesmo tempo, 6.000 filiados do UAW, também fechou naquele ano. A fábrica de Hamtramck em Detroit, construída com a demolição do bairro de Poletown, hoje emprega menos de 3.000 trabalhadores.

Os fechamentos da GM devastaram a área. Uma em cada três pessoas no sudoeste de Detroit vive atualmente abaixo da linha nacional de pobreza.

No sindicato, os trabalhadores demonstravam raiva pela falta de informação. Expressavam, também, ceticismo com relação à proposta de criação de um fundo conhecido como Associação Voluntária de Benefício dos Empregados (VEBA -Voluntary Employees’ Benefit Association). Através deste fundo as empresas passariam para o sindicato o controle das responsabilidades com a assistência médica dos aposentados, pagando apenas uma porcentagem por dólar devido.

Reginald, um trabalhador com 22 anos de casa na fábrica de Hamtramck, Detroit, disse ao WSWS: “eu não quero a VEBA. Eles têm uma associação dessas na Goodyear há apenas um ano e já estão processando. O sindicato deveria cuidar de coisas do sindicato e a empresa de coisas da empresa”.

“Eu estou vendo o sindicato ficar cada vez mais fraco. Agora parece que o sindicato e a diretoria da empresa estão juntos e parece que é isso mesmo que eles querem”.

“A gente só recebe partes da informação pelo sindicato. Eu consigo a maior parte da informação que eu tenho na internet. O melhor a fazer e se informar o máximo possível”.

John, empregado há 28 anos na fábrica disse: “há dois anos a GM começou a falar que não estava dando dinheiro o suficiente. Como você continua sendo a número um por 50 anos sem dar dinheiro?”

“Eles têm lucro estando ou não estando no nível das japonesas”.

“Os grandes investidores dizem que terão mais lucro demitindo e cortando os salários dos trabalhadores. Cada um desses executivos quer ganhar milhões e milhões. Eles estão ganhando mais dinheiro do que se pode gastar em toda uma vida”.

“Os aposentados trabalharam sob as piores condições trinta anos atrás, com ferramentas que tinham um torque máximo. Eles fizeram a parte deles e agora a empresa quer tirar os benefícios deles”.

“Quanto a essa VEBA, eu não quero que o sindicato controle os benefícios. Nós achamos que é uma piada. Olha o que aconteceu na Caterpillar. Eles ficaram sem dinheiro e começaram a cortar benefícios”.

“Dentro da fábrica dizemos que o sindicato e a diretoria estão rindo juntos. Todo mundo sabe que o sindicato é parte da administração da empresa. Olha os dirigentes saindo e indo para festas no clube de Black Lake”.

“Eu acho que essa greve é só uma enganação para fazer de conta que o sindicato está lutando”.

Kelly Williams, que trabalha na Livonia Engine, uma fábrica de motores da GM na cidade de Livonia, comenta: “eu entrei na Delphi depois da greve de 1998 e fui transferida para a GM. Eu não quero nenhum corte salarial e não vou votar a favor de nada que se pareça com essa VEBA, que for tirar benefícios dos aposentados”.

“Na Delphi os trabalhadores tiveram um corte salarial de US$ 7 a hora. Não se sustenta uma família com isso. Eu sou mãe solteira de dois filhos. Se eles cortam o meu salário seria uma desgraça. Eu venho de Toledo [a mais de 95 km de distância] todos os dias. Eu pagava US$ 200 de gasolina por mês. Agora eu pago US$ 400. Talvez eu tenha que vender a minha casa”.

“A fábrica Livonia Powertrain talvez seja fechada se eles não conseguirem mais um modelo de motor para produzir. Quando eu fui contratada, em 1999, havia 1.100 trabalhadores empregados lá. Agora são 290, com todo mundo se aposentando, assinando demissões voluntárias e sendo transferidos”.

Robert Kirby, outro filiado do sindicato regional número 22, que está a 27 anos na GM, observa: “essa VEBA vai ser paga pela empresa, que vai dar bilhões de dólares para o sindicato. As pessoas não confiam no sindicato. Eu ouvi que eles vão ganhar milhões só para administrar o fundo”.

“Nos últimos 10 anos o sindicato decaiu. Eles não lutam mais como costumavam. Antigamente quando você ligava para um representante do sindicato para pedir ajuda ele vinha para o chão da fábrica e conversava com você antes de ir até a diretoria. Agora eles falam com o chefe primeiro e fazem um acordo ou simplesmente falam para você esperar um mês para ter uma resposta”.

“A empresa e o sindicato põe as fábricas umas contra as outras. Um modelo novo de carro vai para a fábrica que aceitar mais reduções, não para a que fizer o melhor produto. Você tem que abrir mão do salário ou do intervalo para manter o emprego. Se não, eles fecham a sua fábrica”.

“Eles querem que a gente trabalhe sempre por menos dinheiro. Mas nós não vivemos num estado de custo de vida baixo. Eles sempre falam que recebemos US$ 30 por hora, mas, e os US$ 600 por mês que gastamos com gasolina ou os US$ 4.000 que pagamos de impostos sobre as nossas casas?”

“O sindicato não entra em greve na hora certa, quando iria realmente atrapalhar a companhia. Eles deixam a empresa acumular toneladas de carros. A GM diz que a greve é boa porque eles podem reduzir o estoque”.

“A companhia diz que está quebrada, mas eles estão ganhando dinheiro a rodo. É possível que eles queiram voltar para o tempo da escravidão quando os ricos ficavam sentados e nós trabalhávamos de graça. Eu temo pelos meus netos e o pelo mundo no qual eles vão crescer”.

“Tem bilhões de dólares para a Guerra e nada para as 50 milhões de pessoas que não têm plano de saúde. O presidente é sócio de empresas de petróleo e todo mundo sabe que essa guerra é por petróleo. Se não tivesse petróleo no Oriente Médio os EUA não estariam preocupados com o terrorismo”.

Outro trabalhador antigo da fábrica de Hamtramck disse ao WSWS: “há somente 2.500 trabalhadores na fábrica agora, incluindo os qualificados. Nós percebíamos que alguns empregos seriam eliminados por causa da tecnologia, mas parece que, independente do que a gente faça para torná-los mais competitivos, nunca é o suficiente. Já fizemos concessões e ainda não é o suficiente. Não entendo como um executivo da empresa ganha um bônus de US$ 10 milhões e a companhia ainda tem prejuízo”.

“Esse sistema de dois níveis de salário não é nada novo. Nós temos trabalhadores temporários que ganham US$ 18 sem benefícios. Eles trabalham como temporários indefinidamente. Se eles reclamam, contratam outro. Temos uma linha inteira que só tem temporários e, acredite, eles trabalham duro”.

 



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