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Ministro do Exterior das Ilhas Salomão condena a ocupação
Australiana na Assembleia Geral da ONU
Por Patrick OConnor, Candidato para Grayndler, do Partido
Socialista da Igualdade Socialista
18 de octubre de 2007
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Este artigo foi publicado no WSWS, originalmente em inglês,
no dia 11 de outubro de 2007.
O prolongado conflito entre os governos das Ilhas Salomão
e Australiano aumentou no princípio do mês quando
o ministro dos Estrangeiros do país do Pacífico
Patteson Oti denunciou na Assembleia Geral da ONU a ocupação
pela Austrália. O discurso estridente de Oti marcou um
crescimento significativo das trocas de argumentos cada vez mais
hostis entre os dois países.
As tensões estão-se a acumular já há
mais de um ano, dado que o governo Australiano do Primeiro-Ministro
John Howard tem tentado desestabilizar e derrubar a administração
das Ilhas Salomão liderada pelo Primeiro-Ministro Manasseh
Sogavare.
A caracterização por Oti da presença da
Austrália nas Ilhas Salomão como uma força
de ocupação é inteiramente correta. Em 2003,
mais de 2,000 soldados e policiais foram destacados debaixo da
bandeira da Missão de Assistência Regional para as
Ilhas Salomão (RAMSI). Montes de burocratas Australianos,
funcionários judiciais, e outros funcionários tomaram
o controle efetivo do aparelho de Estado do país, incluindo
polícia, prisões, sistema judicial, serviços
públicos e departamento das finanças.
A operação neo-colonial é de duração
indefinida e o governo de Howard deixou claro que não admite
interferências do governo das Ilhas Salomão. Respondendo
ao discurso de Oti, o ministro do exterior australiano Alexander
Downer acusou o governo de Sogavare de tentar destruir a RAMSI.
Os media enterraram com eficácia a história, enquanto
o Labor e os Verdes mantêm a boca rigorosamente calada.
Este silênciodepois de um representante de cúpula
de um governo vizinho ter emitido a denúncia extraordinária
da intervenção da Austrália na região
perante o fórum dos líderes do mundofornece
uma prova reveladora da extensão do apoio à operação
nas ilhas Salomão do governo de Howard por todo o campo
político e dos media.
A direção para manter à força o
controle directo de Canberra, com a violação da
lei internacional e dos direitos democráticos dos habitantes
comuns das Ilhas do Pacífico para determinarem o se próprio
futuro, não serão mencionadas na campanha para as
próximas eleições. Seja qual for o partido
que vá para o Gabinete, as manobras sujas e os truques
porcos que têm caracterizado as operações
do governo de Howard na região continuarão sem pausa.
Em 1 de Outubro, Oti dirigiu-se à Assembleia Gerald
a ONU declarando que o nosso direito soberano para determinar
os termos pelos quais o governo das Ilhas Salomão permitirão
a nossa continuada ocupação pelo contingente visitante
não pode ser minado por nenhum membro das Nações
Unidas. Continuou ele, seja qual for a embalagem ou
a racionalização, a intervenção e
ocupação autorizam as nações assistidas
a gastar e a receber rendimentos substanciais para os seus negócios
e indústrias de apoio. O meu é um governo demasiado
nacionalista para se tornar refém das fortunas que justificam
a nossa perpétua retenção sob cerco.
Sogavare e os seus apoiantes representam uma camada de elite
das Ilhas Salomão que, ao mesmo tempo que não tinham
uma oposição de princípio à intervenção
do governo de Howard, está tentando manobrar entre poderes
e pressões rivais de Canberra para reconfigurar a missão
da RAMSI numa nova base mais favorável aos seus interesses.
Depois de chegar ao poder em Maio do ano passado, o governo de
Sogavare tentou reduzir o controlo da RAMSI sobre o departamento
das finanças do país e terminar com o veto efectivo
sobre gastos públicos. O primeiro-ministro tem repetidas
vezes insistido que não procura expulsar a RAMSI e que
quer um compromisso com o governo de Howard.
O discurso de Oti perante a ONU incluiu um apelo para o órgão
mundial actuar como um contrapeso a Canberra. Contudo um maior
envolvimento da ONU nada alterará. Em Timor-Leste, para
dar apenas um exemplo, o órgão mundial tem carimbado
a força de intervenção dominada pelos Australianos
e nada disse quando Canberra conspirou para expulsar o governo
da Fretilin de Mari Alkatiri.
Contudo o governo das Ilhas Salomão espera ganhar o
apoio doutros poderes para pressionar o governo de Howard. Até
agora, Canberra tem recusado qualquer compromisso. Sogavare e
os seus ministros de topo têm sido alvejados juntamente
com o procurador-geral Julian Moti, que está ainda a ser
perseguido com um pedido de extradição inventado
relativo a alegações de violação que
foram descartadas num tribunal de Vanuatu em 1999. Em 4 de Agosto
o governo de Sogavare rejeitou formalmente o pedido de extradição,
descrevendo a tentativa de processo como nada mais do que
uma caça às bruxas política.
Os esforços do governo de Howard para destruir politicamente
Moti têm sido guiados especialmente pela sua determinação
em fazer descarrilar a Comissão de Inquérito sobre
as causas dos motins de Abril de 2006, que destruíram muito
da capital das Ilhas Salomão, Honiara. Evidência
substancial indica que polícias e tropas da RAMSI estiveram
deliberadamente parados para facilitar a destruição
desencadeada por desassossego pós-eleitoral antecipado
por muita gente.
O Ministro dos Estrangeiros Oti referiu os esforços
de Canberra para travar o inquérito no seu discurso na
ONU, sublinhando que a investigação finalmente
este ano está a avançar depois do falhanço
de manobras orquestradas do exterior para o descarrilar.
Ele insistiu que o meu governo está determinado em
aprofundar as causas históricas das fricções
entre as nossas gentes.
Parlamento das Ilhas Salomão prepara
a revisão da RAMSI
A operação nas Ilhas Salomão é
o alfinete de segurança das ambições estratégicas
de Canberra no Sul do Pacífico. As rivalidades dos grandes
intensificam-se enquanto aumenta a influência económica
e diplomática de Pequim. As despesas do governo de Howard
de mais de um bilhão de dólares com a RAMSI desde
2003 são vistas como um investimento crítico a longo
prazo, com a operação louvada como um modelo para
potenciais tomadas de poder noutros Estados do Pacífico.
Um revés teria enormes consequências.
O governo de Howard está particularmente preocupado
com a decisão do parlamento das ilhas Salomão de
26 de Agosto de rever o Acto de 2003 de Facilitação
da Assistência Internacional. Isso esboçou esta legislação
e forçou à sua ratificação antes da
intervenção inicial. O Acto de Facilitação
dá ao pessoal Australiano poderes integrais, incluindo
imunidade completa da lei local e isenção de todos
os controlos de imigração e vistos. Isenta ainda
corporações estrangeiras conectadas com a RAMSI
de muitos registos comerciais e de obrigações fiscais.
O Procurador-Geral Moti escreveu um memorando detalhando o
carácter duvidoso do Acto de Facilitação
em relação tanto com a lei internacional como com
a Constituição das Ilhas Salomão. Moti sublinhou
que a chamada missão de assistência regional, RAMSI,
nem sequer está mencionada no Acto. Isso não deixa
evidente a natureza precisa da sua personalidade legal.
Similarmente o Acto não inclui nenhuma referência
ao Fórum das Ilhas do Pacífico ou a nenhuma outra
organização regional ou internacional, o que faz
uma paródia dos esforços do governo de Howard para
apresentar a sua tomada de poder como uma operação
multilateral e regional.
Moti levanta ainda uma série de questões relativas
à Secção 24 do Acto de Facilitação,
que impede o parlamento das Ilhas Salomão de aprovar legislação
subsequente emendas ou revogações, ou de qualquer
outro modo para alterar o efeito ou a operação de,
deste Acto ou legislação subsidiária feita
sob este Acto. Esta condição especial que
contraria normas constitucionais e parlamentares há muito
estabelecidas, tinha o objectivo de garantir que o parlamento
continuasse a ser uma fachada impotente para as autoridades ocupantes
Australianas.
O chefe da RAMSI Tim George convocou no mês passado uma
conferência de imprensa em Honiara para denunciar a revisão
pendente. Sem tentar sequer rebater qualquer especificidade da
análise legal de Moti do Acto de Facilitação,
George descreveu o memorando do Procurador-Geral como um documento
muito defeituoso e confuso que revela uma abordagem
mental negativa da RAMSI.
O desabafo de George enfatiza a oposição entrincheirada
de Canberra a qualquer modificação dos termos da
operação. A insistência em que polícias,
soldados e burocratas Australianos continuem sem responsabilização
e acima da lei expõe o carácter fraudulento das
afirmações do governo de Howard de que a RAMSI é
uma operação humanitária. A RAMSI
quer imunidade legal para permitir que opere sem restrições
em defesa dos interesses das corporações Australianas.
De certeza que reprimirá com ferocidade qualquer movimento
opositor que se desenvolva no seio da população
local.
As Ilhas Salomão permanecem entre os países mais
empobrecidos do mundo. Virtualmente não foi gasto na educação
e na saúde nenhum dinheiro da ajuda Australiana, ao mesmo
tempo que a presença de centenas de empregados altamente
pagos da RAMSI inflacionou as médias de alugueres e outros
custos de vida. No meio do ressentimento crescente e da frustração,
particularmente entre jovens desempregados que vivem nos bairros
de lata de Honiara, está a contar o tempo duma bomba social.
O governo de Howard continua a insistir que a RAMSI goza do
apoio duma vasta maioria, e reclamou de facto o direito de descartar
o parlamento e o governo das Ilhas Salomão na base de um
mandato popular . Uma sondagem patrocinada pela
RAMSI emitida o mês passado tentava mostrar to que 90 por
cento da população apoiava a presença da
RAMSI e que uma maioria pensava que re-emergiria a violência
comunal se as forças estrangeiras fossem forçadas
a sair.
Previsivelmente, Downer e George agarraram a oportuna emissão
das conclusões da sondagem para cantarem vitória.
Contudo foram levantadas questões sérias acerca
da sondagem. O ministro das Finanças Gordon Darcy Lilo
ordenou uma investigação criminal a alegados pagamentos
secretos de $SI100,000 ($A16,000) feitos a estatísticos
do ministério das finanças e do tesouro, que usaram
recursos e informação pública para a sondagem
da RAMSI. Esses funcionários recebem salários
para trabalhar para o governo, declarou Lilo. È
suposto que salvaguardem as nossas informações do
serviço de informações nacional e que não
as vendam para ganhos pessoais privados.... Isto é provavelmente
apenas a ponta do iceberg. Quem sabe o que é que mais se
passa neste país sem o nosso conhecimento e aprovação?
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