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França: Protestos contra a reforma universitária de Sarkozy continuam

Por Pierre Mabut
20 de março de 2009

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Publicado originalmente em inglês no WSWS em 11 de março de 2009

As cinco semanas de greves e protestos de professores universitários e estudantes contra as reformas do governo que indeterminam a situação dos professores e o futuro da educação superior mantém a sua amplitude. Isso apesar dos ataques da Ministra da Educação, Valérie Pécresse, e das concessões dos sindicatos em busca de um acordo.

No dia 5 de março, 20.000 professores universitários, funcionários e estudantes marcharam em Paris. Outros 23.000 tomaram as ruas em outras 20 cidades, sobretudo em Lyon, Toulouse, Nantes, Rennes, Bordeaux, Strasbourg, Nancy, Brest, Montpellier e Caen. Pela segunda vez em duas semanas, a histórica Paris Sorbonne foi ocupada por mais de 200 estudantes antes de ser evacuada pela polícia. Entre os cartazes e faixas podia ser lido: "Não à destruição das universidades e das pesquisas!" e "Não ao treinamento dos professores — abaixo as reformas Darcos/Pécresse", que se referia à Ministra da Educação Superior e ao Ministro da Educação.

Outro cartaz afirmava: "Guadalupe em todos os lugares. Greve geral!", em referência à ilha francesa em greve geral há 44 dias contro o rebaixamento do nível de vida.

Os delegados das universidades do Comitê Nacional de Organização, representando professores e funcionários de 67 universidades, se reuniam na sexta-feira após o protesto. Eles aprovaram a luta pela derrubada da Lei de Liberdades e Responsabilidades das Universidades (LRU), que trata da autonomia das universidades. Os delegados rejeitaram as concessões do governo como "escandalosamente insuficientes" e afirmaram que "Nada foi obtido sobre o decreto principal [que trata do treinamento dos professores] e sobre a modificação dos exames aplicados aos estudantes secundaristas.

Tal posição contrasta com a dos sindicatos dos professores (Sgen-CFDT, Sup'Recherche Unsa, Autonome Sup e Force Ovriere). O delegado do Sgen-CFDT, Thierry Cadart, inclusive, afirmou que seu sindicado buscou o "consenso" com o governo. Já o Snesup-FSU não tomou parte nas negociação, mas afirmou que estava pronto para atender ao "chamado do governo".

O governo se encontrou isolado quando tentou aprovar um decreto que modifica a estabilidade dos professores universitários, há cinco semanas. Até o momento, as direções sindicais e a entidade estudantil UNEF (próxima ao Partido Socialista) aceitaram a lei LRU surgida em 2007. A revolta dos professores centra-se contra o novo poder dos presidentes unversitários [reitores] em decidir a quem e em que medidas devem ser atribuídas as aulas e pesquisas, com base na performance dos professores. O Primeiro Ministro, François Fillon, disse imediatamente à Ministra da Educaçào Superior, Pécresse, para "reescrever o decreto".

O Comitê de Organização dos professores se posicionou no dia 6 de março, dizendo que a "modificação no decreto é inaceitável na medida em que mantém as linhas gerais do decreto anterior". Em seguida, convocaram manfestações massivas e a ampliação das mobilizações para envolver novos professoroes e funcionários de outras universidades.

O novo treinamento dos professores conduzirá à deterioração da atual situação de trabalho dos professores, aumentando o risco do corte de seus empregos em meio ao cenário mundial de demissões. A situação tradicional dos professores, vinculada a estabilidade no emprego, ficará indeterminada. O número de professores permanentes será limitado, pois os professores que adentrarem sob o novo decreto passarão por uma qualificação e constituirão uma reserva de professores com pouquíssimos direitos, empregados a curto-prazo e sem seguro no emprego.

A oposição estudantil à LRU continua firme, mas mais fraca do que no ano anterior. Atualmente 25 universidades estão em greve, protestos ou paralisações. A principal entidade estudantil, a UNEF, se opôs a qualquer luta política contra o governo. A diretoria da UNEF desmantelou as manifestações contra a LRU 18 semanas atrás, após meses de greves. Seu presidente no momento, Bruno Julliard, apelou pelo "fim das greves e ocupações...". Ele deixou a presidência da entidade para se tornar o porta-voz sobre educação do Partido Socialista.

O governo Sarkozy foi enfraquecido pela oposição à suas reformas a pelo temor de uma revolta social vinda das Antilhas que influencie a França. Apenas os sindicatos e as oposições oficiais (Partido Socialista e Partido Comunista Francês) mantêm o governo de pé. O Novo Partido Anti-Capitalista de Olivier Besancenot declarou ser necessária uma greve geral para fazer o governo "recuar" na política dos empregos e salários. Mas sua intenção é apoiar a proposta dos sindicatos de organizar a greve geral de um dia em 19 de março, marcada há sete semanas após a paralisação de 3 milhões de trabalhadores e dos protestos do dia 29 de janeiro contra a política orçamentária de Sarkozy.

[traduzido por movimentonn.org]