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Áustria: luta estudantil persiste
Por Marius Heuser
25 de novembro de 2009
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Publicado originalmente no WSWS em inglês no dia 18
de novembro de 2009.
Nas últimas quatro semanas, estudantes austríacos
ocupam salas de aula em universidades de todo o país. Em
Viena, Graz, Klagenfurt, Innsbruck, Salzburgo e Linz, reuniões
diárias e discussões ocorrem sobre temas culturais
e políticos. Milhares de estudantes discutem o que deve
mudar nas universidades e na sociedade. Têm sido recorrentes
as manifestações e, na semana passada, alunos apoiaram
os protestos dos trabalhadores da indústria civil.
O movimento começou em 20 de outubro, quando alunos
da Academia de Belas Artes, em Viena, boicotaram palestras e ocuparam
o auditório principal da universidade. No início,
suas exigências foram limitadas a questões internas
à universidade, mas seu protesto encontrou apoio em outras
instituições de ensino superior na cidade, incluindo
a Universidade de Viena, que participou de uma marcha de protesto
conjunta. Os manifestantes decidiram estabelecer a sede do movimento
no Audimax ocupado, o auditório principal da Universidade
de Viena. De lá, o movimento cresceu rapidamente.
"Eu vim para o Audimax às 20h", explica Agnes,
24 anos, estudante de psicologia. "Estava um clima muito
forte. Houve muito empenho e paixão. Pessoas que tinham
idéias também se envolveram".
O movimento se espalhou rapidamente na Áustria e, finalmente,
em toda a Europa por meio de um site central desenvolvido pelos
próprios alunos, bem como através de sites de redes
sociais como o Facebook e o Twitter. Em todos os lugares alunos
expressam a insatisfação com a falta de apoio financeiro,
restrições de entrada na universidade e a pressão
das atividades da universidade.
Um estudante de arquelogia da Universidade de Viena, Christoph,
19 anos, afirmou que tem participado dos protestos porque rejeita
o "Plano Bolonha". "O sistema de curso é
um grande problema: nos impede de estudar de acordo com nossos
interesses", afirmou.
Outro estudante da Universidade de Viena sublinhou a importância
da auto-determinação: "Para mim, é importante
que a aprendizagem seja liberal e auto-dirigida. Ou seja, podermos
ir para outras aulas, sem que tenhamos que se registrar especialmente
para um outro curso de estudos. Além disso, eu penso que
é importante que haja áreas autônomas, como
os corredores de aula ocupados, onde se pode trabalhar com junção
dos alunos, para além da estrutura dos cursos".
Markus, estudante de medicina de 23 anos, acredita que o dinheiro
destinado à educação na Áustria precisa
ser aumentado: "Nós não precisamos de menos
lugares na universidade, mas mais dinheiro".
Já Anna Lena, estudante de arquitetura, acha que as
exigências não podem ser limitadas a isso. Segundo
ela: "Não se trata apenas de mais verbas para as universidades.
Se quisermos implementar a educação gratuita para
todos, temos de fazer exigências sociais. Uma exigência
que vai nesse sentido seria um nível básico de proteção
social e de um salário mínimo. Esta é a única
forma que a aprendizagem autônoma pode se tornar possível
a todos".
As exigências levantadas na Audimax incluem: fim ao sistema
de seleção social por meio de taxas de ensino e
de promoção de uma elite; a democratização
das escolas e universidades; e o aumento do financiamento da educação
para prevenir condições precárias de trabalho
e desenvolver programas de educação alternativa.
O Chanceler Federal, Werner Faymann (Partido Social-Democrata
Austríaco, SPO), como seu ministro da Educação,
Johannes Hahn (Partido Popular Austríaco, ÖVP), deixou
claro que não está disposto a atender essas exigências,
mesmo que parcialmente. Restrições de entrada da
universidade são necessárias, sublinhou, oferecendo
somente investimentos para obras de renovação da
universidade. Ele também confirmou a promessa de aumentar
as despesas de educação até 2020 para 2%
do PIB.
A fim de tentar manter os protestos sob controle, o governo
anunciou uma conferência sob o título "O diálogo
na universidade". Em 25 de novembro, cinquenta representantes
das universidades, da política e dos negócios irão
discutir o futuro do sistema universitário austríaco.
No entanto, a reunião não apenas excluirá
o público, mas também os estudantes. Apenas três
representantes dos estudantes serão autorizados a participar,
mas estes não serão livremente escolhidos pelos
próprios alunos. Pelo contrário, serão nomeados
pela União Nacional dos Estudantes da Áustria (OH).
A OH é dominada pelas federações de estudantes
do SPO (VSStÖ) e os Verdes. Apenas 25% dos alunos participaram
nas eleições da OH. "A OH é um tema
controverso aqui, porque tal comparecimento às urnas significa
que você não pode realmente falar sobre eles serem
nossos representantes", disse Agnes.
"Nessas condições, o diálogo
na universidade' provavelmente será apenas o 'monólogo
da universidade'", afirmou Martin, estudante da Universidade
Técnica de Viena. A reunião plenária do Audimax
inicialmente concordou em enviar uma delegação.
No entanto, os alunos já deixam claro que não têm
esperanças e que essa reunião não pode levar
a nada: "É um desastre, uma vez que 50 pessoas se
sentam por três horas em uma sala e cada um tem menos de
um minuto de tempo de fala".
[traduzido por movimentonn.org]
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