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Pedidos de seguro-desemprego e execuções hipotecárias crescem rapidamente nos EUA

Por Patrick Martin
21 de abril de 2010

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Publicado originalmente em 16 de abril de 2010, no WSWS.

O número de trabalhadores norte-americanos com novos pedidos de seguro-desemprego aumentou drasticamente na semana encerrada em 9 de abril, a segunda semana consecutiva em que os pedidos de seguro-desemprego aumentaram depois que os economistas empresariais e acadêmicos tinham previsto que iriam cair.

Em mais um sinal de instabilidade econômica e social, o número de casas em execução de hipoteca saltou 16% no primeiro trimestre de 2010. Mais de 900.000 casas, ou uma a cada 138, receberam um aviso de execução durante os primeiros três meses deste ano.

Pedidos de primeira vez do seguro-desemprego aumentaram de 24.000 para 484.000 semana passada, após uma subida de 18.000 para 460.000 na semana encerrada em 2 de abril. Apesar da enorme campanha da mídia mostrando a economia em meio a uma dramática reviravolta, o índice de novos pedidos está muito acima da marca de 400.000, o nível em que a criação e perda de emprego está em equilíbrio irregular.

Houve tentativas de desprezar os dois aumentos semanais, considerando-os uma aberração estatística em relação à data em que a Páscoa caiu este ano. No entanto, a média móvel das quatro semanas, que suaviza as flutuações de semana a semana, mostrou um aumento de 7.500 para 457.750, o maior valor em um mês.

O número de pessoas que continuam a usufruir do seguro-desemprego também aumentou, mais de 73.000, de 4,57 para 4,64 milhões. Outras 5,97 milhões de pessoas, que esgotaram as 26 semanas de seguro-desemprego regular, estavam recebendo benefícios estendidos pagos pelo governo federal na semana que terminou em 27 de março, a última para a qual existem dados disponíveis. O número total de pessoas recebendo algum tipo de seguro-desemprego era de 11,08 milhões na mesma semana.

Novas demissões em massa vão inchar a lista de desempregados ainda mais. A American Electric Power (AEP), uma das maiores empresas de utilidades do EUA, disse na quinta-feira que iria cortar cerca de 2.000 postos de trabalho através de uma combinação de aquisições e demissões. Os cortes da AEP localizada em St. Louis afetarão comunidades em todo o Centro-Oeste.

Enquanto isso, ainda estava pendente a ação legislativa do Senado para renovar prorrogação do seguro-desemprego para dezenas de milhares de trabalhadores que perderam o benefício no início de abril, depois que o Senado tirou duas semanas de recesso de Páscoa sem discutir o projeto. O Senado votou segunda-feira a limitação do debate sobre a prorrogação, parado no mês passado por um obstrucionismo republicano. Quatro republicanos votaram a favor do encerramento dos debates para proceder a votação, fornecendo a necessária margem de 60 votos.

No entanto, os republicanos opositores do projeto decidiram exercer o seu direito ao total de 30 horas de debate permitido após o encerramento dos debates, embora o resultado final fosse certo, atrasando assim a ação sobre o projeto - e atrasando a restauração dos seguros-desemprego - pelo menos até quinta-feira.

Os números de desemprego foram divulgados um dia após o depoimento do presidente banco central dos EUA, Ben Bernanke, perante uma comissão do Congresso, no qual disse que "uma quantidade significativa de tempo será necessária" antes que os milhões de trabalhadores americanos que perderam seus empregos durante a crise financeira e a recessão econômica sejam capazes de encontrar novos.

"Restrições significativas sobre o andamento da recuperação persistem", disse Bernanke, "incluindo a fraqueza em construções residenciais e não residenciais e as más condições fiscais de vários estados e governos locais". Foi a primeira vez que o banco central citou a crise fiscal nos estados como um dos principais fatores macroeconômicos que estão debilitando qualquer potencial de recuperação.

Um relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional na quarta-feira deu uma previsão “sombria” para uma recuperação econômica mundial, particularmente no mercado de trabalho. "A natureza da recente recessão em várias economias avançadas", disse o FMI, bem como “o elevado grau de estresse financeiro e o elevado grau de incerteza pesam contra uma rápida recuperação na criação de empregos".

O relatório de execuções hipotecárias da RealtyTrac da Califórnia revelou que o número de casas dos EUA retomadas pelos bancos saltou 35% no primeiro trimestre de 2010 comparado ao mesmo período em 2009. O número total de casas que prestes a sofrer execução hipotecária aumentou 16% comparado ao primeiro trimestre de 2009, e 7% a partir do último trimestre de 2009, uma indicação de que a deterioração do mercado imobiliário está longe de terminar.

O vice-presidente sênior da RealtyTrac, Rick Sharga, disse à imprensa: "Nós estamos agora no ritmo de ter mais de 1 milhão de reintegrações de posse por bancos este ano."

Enquanto a nível nacional uma casa em cada 138 recebeu um aviso de execução, os dados para os estados mais atingidos eram muito piores: uma em cada 33 casas em Nevada, uma em cada 57 na Flórida, e uma em cada 62 na Califórnia. Este estado sozinho responde por quase um quarto de todas as casas dos EUA enfrentando execução hipotecária.

Os números relatados na quinta-feira também indicam que o programa do governo Obama de prevenção de execução hipotecária, Making Home Affordable (“tornar a moradia acessível”), atingiu apenas uma pequena fração dos proprietários de casas ameaçadas. Um total de 1,2 milhões de proprietários requereu um desconto na hipoteca, mas somente 231.000 concluíram modificações do empréstimo, enquanto 158.000 abandonaram o programa.

(traduzido por movimentonn.org)

 



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