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Espanha: Desemprego entre os jovens chega a 40%
Por Marcus Morgan
2 de fevereiro de 2010
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Originalmente publicado em ingles no dia 25 de janeiro de
2010.
Na pior recessão da Espanha em mais de 50 anos, os números
oficiais para o final de 2009 mostram quase 4 milhões de
pessoas desempregadas. O número oficial de desemprego de
19,4 por cento representa um aumento de quase 25% em um ano. A
recessão atingiu mais os jovens trabalhadores, com o aumento
da taxa de desemprego de 17,5% há três anos para
mais de 40% hoje. Um economista da OCDE estima que 85% dos empregos
perdidos eram contratos temporários, afetando algumas das
seções mais mal pagas e mais vulneráveis
dos trabalhadores.
Cerca de 800.000 pessoas perderam seus empregos em 2009, além
de quase um milhão em 2008. Segundo as últimas estimativas,
a economia espanhola diminuiu 3,6% no mesmo período. As
províncias de Valência, Castilla-La Mancha e as Ilhas
Canárias são as mais afetadas.
O Ministério do Trabalho informou que os números
de procura de auxílio-desemprego aumentaram para 55.000
em dezembro e os pedidos de seguro-desemprego subiram para os
níveis mais elevados desde 1997. O Fundo Monetário
Internacional previu que a taxa global de desemprego chegará
a 20% até ao final de 2010.
O governo do Partido Socialista (PSOE) alegou que o pior já
passou, mas tais garantias farão pouco para acalmar os
receios de que o país paira à beira de um abismo
da depressão. Uma pesquisa recente colocou o desemprego
como a principal preocupação entre os espanhóis,
ranking muito superior ao terrorismo e à imigração.
Em pouco mais de dois anos a taxa de desemprego do país
subiu para quase o dobro da média dos 16 países
da zona do euro. Cerca de 15,7 milhões de pessoas estão
sem trabalho em toda a zona do euro, que agora vê a sua
taxa média de desemprego atingir o topo de 10%.
Isso mal menciona os níveis de desemprego que estão
sendo alcançados. A Espanha tem a segunda pior taxa de
desemprego na região, atrás dos 22,3% da Letônia.
Todos os países da zona do euro viram o aumento do desemprego
no ano passado, com a Estônia, Letônia e Lituânia
observando o nível de desemprego mais que duplicar naquele
período. O desemprego dos menores de 25 anos é de
43,8% na Espanha. Esta é a pior na região, e mais
do dobro da média da zona euro.
As perspectivas para a Espanha em 2010 são, na melhor
das hipóteses, piores do que no ano passado. Muito do crescimento
recente da Espanha antes da recessão comemorado
até recentemente como um exemplo para as chamadas economias
emergentes da Europa Oriental dependeu do crédito
barato e do boom imobiliário altamente especulativo. O
maior aumento do desemprego foi na indústria da construção,
que caiu bruscamente no último período, deixando
muitos projetos de habitação inacabados. Ao menos
1 milhão de casas permanecem à venda, com preços
caindo continuamente em uma taxa recorde. Os economistas prevêem
que o mercado imobiliário pode estar até 55% sobrevalorizado.
Muitos trabalhos de construção eram temporários
e mal pagos. Eles em grande parte atraíam trabalhadores
jovens e imigrantes, os chamados mileuristas, empregados com salários
de cerca de 1.000 por mês. O governo espanhol tem
endurecido sua posição sobre a imigração,
reduzindo o número de vistos de trabalho em mais de 90%,
bem como tem oferecido incentivos financeiros para encorajar os
imigrantes desempregados a regressarem aos seus países
de origem. Com ganhos tipicamente baixos neste grupo, e a oferta
de crédito cortada pelos credores relutantes, casas vazias
provavelmente não encontrarão compradores num futuro
próximo.
O colapso do setor de construção por si só
não pode explicar uma taxa tão elevada de desemprego.
Os setores de serviços e industriais não estão
muito atrás, e eles representam uma parte considerável
da força de trabalho global. O problema é agravado
por um euro forte e preços elevados de energia, que tornaram
as exportações de bens manufaturados menos competitivas.
O economista Andrew Harker, comentou: "Os dados do PMI
(Índice de Produção e Manufaturados) de dezembro
completa um ano terrível para o setor de manufaturados
espanhol. A saída diminuiu a cada mês, fora um aumento
marginal em julho, com a procura mostrando pouquíssimos
sinais de recuperação. A debilidade da demanda,
amplificada por terríveis condições do mercado
de trabalho na Espanha, significa que, enquanto os custos de produção
estão subindo, as empresas são obrigadas a continuar
a oferecer descontos, prejudicando ainda mais as margens."
Outros indicadores econômicos apontam na mesma direção.
Segundo as últimas informações do Banco da
Espanha, a dívida externa aumentou para 955 bilhões,
cerca de 90 por cento do PIB. O empréstimo do governo também
aumentou para cerca de 13% do PIB. Levando todos esses relatórios
em consideração, a Espanha está à
beira de uma depressão.
Existe o perigo de uma espiral deflacionária, onde os
preços e os salários caem juntos, levando a uma
contração prolongada que poderá levar anos
para a recuperação. Essa perspectiva ameaçadora
tem sido agravada pela relutância dos bancos em emprestar
com o intuito de revitalizar as pequenas empresas que lutam após
a crise financeira do ano passado.
O governo do PSOE de José Luis Rodriguez Zapatero, consciente
de sua popularidade em queda e com uma eleição geral
não muito longe, anunciou que está colocando "a
criação de emprego" no centro da sua estratégia
econômica. O direitista Partido Popular (PP) concentrou-se
nas falhas do PSOE em resolver o problema.
O Secretário-Geral do Emprego, Maravillas Rojo, assegurou
ao público que "a principal preocupação
e objetivo do governo é reduzir o desemprego ao longo de
2010." Lutando por algo mais positivo, acrescentou, "a
destruição dos empregos continua a tornar-se mais
branda."
Apesar dessas afirmações vazias, as tentativas
de revitalização dos postos de trabalho através
de medidas de estímulo fiscal ao longo do ano passado tiveram
pouco efeito na contenção da maré. Um investimento
de 8 mil milhões para obras de infra-estrutura pública
já foi reduzido pela metade e agora mais do que nunca é
provável que não se concretize. Essas medidas, que
visavam à criação de 400.000 empregos pouco
qualificados até o final do ano passado, foram um completo
fracasso.
Um plano mais ambicioso, que envolve grandes investimentos
em habitação popular, educação e novas
indústrias um pacote de estímulo keynesiano
sendo exigido por alguns economistas tem sido rejeitado
por toda a elite política. Esse é o caso não
só na Espanha, mas em toda a região do euro. Há
um consenso político de que o empobrecimento da maioria
da população é necessário para recuperar
a rentabilidade para o capitalismo espanhol. A retórica
da "valorização" oculta a realidade das
maiores dificuldades para a maioria dos trabalhadores espanhóis
e europeus em 2010.
O governo do PSOE está enfrentando a crise, justamente
quando Zapatero assume a presidência da UE. Sua primeira
ação foi a apresentação de um conjunto
de medidas para reduzir a dívida pública em toda
a Europa. A chamada "Estratégia 2020" tentará
modificar o atual Tratado de Lisboa. Atualmente, o déficit
orçamentário da Espanha atingiu 11%, mas o tratado
estabeleceu um déficit máximo de 3 por cento.
No mês passado, a Standard & Poor's rebaixou a qualidade
creditícia da Espanha por um ponto de AAA para AA-plus,
expressando preocupação sobre o estado das finanças
públicas. Isso seguiu uma descida semelhante de classificação
da Grécia, em meio a alertas de medidas similares contra
a Irlanda e Portugal.
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