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O movimento internacional de ocupações e a política

Pelo Comitê editorial do WSWS
17 de outubro de 2011

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A disseminação internacional do movimento Ocupar Wall Street tem uma importância política inegável. No dia 15 de outubro, ocupações terão início em cidades da Europa, Ásia, Austrália e Nova Zelândia, América do Sul e África.

O movimento que está se desenvolvendo é, em sua essência, anticapitalista. Os atos são inspirados por desejos de igualdade social. Seu slogan, "Nós somos os 99%", está imbuído de uma hostilidade de classe contra a monopolização das riquezas da sociedade por uma minúscula elite financeira e corporativa - o "1%".

Nos Estados Unidos, o mito da superioridade do "livre comércio" está desacreditado nas mentes de dezenas de milhões, principalmente nos três anos que se passaram desde o início da crise financeira mundial. As condições enfrentadas pela juventude no centro do capitalismo mundial estão forçando-a a pensar seriamente em uma radical mudança social e na perspectiva do socialismo.

As ocupações desafiam indiretamente as instituições políticas, partidos e sindicatos oficiais, além das organizações da pseudoesquerda e sua subserviência aos interesses dos grandes negócios. Elas estão dando a voz à oposição ao desemprego em massa, ao corte dos salários e condições de vida, ao aumento dos custos da assistência média e educação, à degradação da natureza e à guerra.

A ressonância de tais sentimentos por todo o mundo expressa o fato de que as experiências que estão moldando as atitudes da classe trabalhadora americana são universais.

Três anos após o colapso financeiro, fica claro que as operações financeiras especulativas e semicriminosas que vieram a dominar a acumulação de riquezas do 1% capitalista levaram à quebra de toda a estrutura do capitalismo mundial e a uma queda à depressão econômica e a conflitos entre os Estados internacionais.

Em cada país, o mantra da elite dominante se repete. Eles exigem que todo o fardo da crise que eles causaram seja colocado sobre as costas da classe trabalhadora por meio da destruição dos empregos, cortes salariais e pela eliminação dos direitos e programas sociais mínimos. O capitalismo faliu como um sistema mundial. Ele só pode oferecer um futuro de pobreza, degradação, catástrofe ambiental e, se não for derrubado, a ameaça de novas guerras devastadoras entre nações capitalistas rivais.

Não importa quão grande ou pequeno, os primeiros atos mundiais neste fim de semana refletem a consciência elementar de que a classe trabalhadora em todos os lugares confronta os mesmos problemas e o mesmo inimigo - o sistema financeiro e as empresas organizadas mundialmente e a elite que os detém. Não há soluções na arena nacional.

A questão principal agora é tornar consciente os impulsos que levaram o movimento de ocupações se levantar. A luta que a classe trabalhadora e os oprimidos enfrentam exigirá uma perspectiva política organizada de uma mudança revolucionária em escala internacional. É fundamental que ocorra uma séria discussão sobre as questões de tática, estratégia e programa político.

Em primeiro lugar, a classe trabalhadora precisa discutir e realizar um rompimento com as organizações nacionalistas e pró-capitalistas que sevem às classes dominantes - o Partido Democrata e a AFL-CIO nos EUA, os partidos socialdemocratas e stalinistas e os sindicatos da Europa, o Partido Trabalhista e os sindicatos na Austrália, assim como seus pares nos outros países.

O fato de que os defensores dessas organizações reacionárias se adiantaram para tentar tomar controle do movimento e de bloquear essa discussão deve ser levado a sério pelos participantes do movimento de ocupações. Eles são os que mais insistem que "nenhuma política" deve ser permitida nesses atos. O administrador da página do "Occupy Sydney" no Facebook na Austrália é um exemplo. Ele (ou ela) declarou nesta semana: "Qualquer grupo ou partido político que queira dominar esse movimento em nome de um programa político será expulso por nós".

Tais posições são extremamente antidemocráticas e hostis às aspirações por detrás do movimento de ocupações. Elas não representam nada mais do que uma censura sobre qualquer crítica aos partidos e sindicatos cujo programa político é responsável pelas condições agora enfrentadas pela classe trabalhadora. Trata-se de uma tentativa de censurar posições socialistas e de prevenir o desenvolvimento de uma verdadeira alternativa política.

Em qualquer circunstância, "nenhuma política" é um absurdo. É óbvio para qualquer pessoa séria que uma luta contra o 1% capitalista levanta sérias questões políticas. Todos os movimentos sociais da História foram levados a adotar um ponto de vista sobre a questão política mais elementar - de qual classe deve governar.

Um movimento verdadeiro por mudanças sociais deve se orientar pela mobilização revolucionária da única força social que tem o poder de derrubar o capitalismo - a classe trabalhadora internacional. Ele deve levantar uma solução aos problemas históricos que confrontam a sociedade como um todo, devendo se focar conscientemente na destruição da propriedade privada dos meios de produção e do sistema de Estados nacionais que são a base da dominação da oligarquia capitalista e ampliar as contradições que estão levando a economia mundial ao naufrágio.

O perigo que o movimento corre é o de ser reduzido a mais um protesto que dá vazão à indignação da população, mas que acaba sendo inofensivamente canalizado por partidos e instituições do status quo político.

Nos Estados Unidos, por exemplo, simpatizantes do Partido Democrata já estão buscando direcionar os atos de Wall Street para a campanha da reeleição de Barack Obama em 2012, sob alegações fraudulentas do "mal menor" de que ele é mais oposto a Wall Street do que os Republicanos.

Na Austrália, alguns participantes dos atos nesta semana estão tentando direcioná-los a apelos fúteis de mudança do governo ao Partido Trabalhista, seus aliados do Partido Verde e sindicatos - as mesmas organizações que estão dirigindo um ataque sobre as condições de vida da classe trabalhadora em nome da elite corporativa australiana.

Por toda a Europa, esforços no mesmo sentido serão realizados para tentar direcionar o movimento para debaixo das asas da política institucional. Organizações como o Novo Partido Anticapitalista na França, o Partido de Esquerda na Alemanha e o Partido Socialista dos Trabalhadores na Grã-Bretanha trabalharão deliberada e conscientemente para bloquear qualquer movimento político independente.

O que se faz necessário é uma revolta contra os aparatos pró-capitalistas. Um partido unificado da classe trabalhadora mundial deve ser forjado, um que combata todas as formas de nacionalismo e chauvinismo e que dirija a luta em cada país pelo estabelecimento de governos democráticos dos trabalhadores e pela reestruturação socialista da sociedade. A resposta progressista ao 1% capitalista e à falência do sistema capitalista é a transformação das grandes instituições financeiras e corporações em instituições públicas e democráticas, assim como o planejamento da economia mundial voltada às necessidades sociais e não ao lucro privado.

O Partido da Igualdade Socialista e o Site de Interligação Socialista Mundial, integrantes do Comitê Internacional da Quarta Internacional, abraça conscientemente essa causa. Encorajamos todos os participantes do movimento de ocupações a entrar em contato conosco para discutir política, história e a tradição do movimento trotskista mundial.

 



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