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O Partido Socialista pela Igualdade na Alemanha exige novas eleições

Sozialistische Gleichheitspartei
26 de febrero de 2018

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Publicado originalmente em 23 de Novembro de 2017

Depois do colapso das negociações para formar a chamada coalizão “Jamaica”, conversas nos bastidores estão acontecendo em Berlim sobre a formação de um novo governo. Essas conversas tornam a crise política cada vez mais parecida com uma conspiração política, cujo epicentro é o Palácio de Bellevue, a residência oficial do presidente alemão. Sob uma nuvem de segredos, o presidente Frank-Walter Steinmeier está se encontrando com os líderes de todos os partidos representados no parlamento, incluindo o partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD). Ele está buscando evitar a convocação de novas eleições.

O Sozialistische Gleichheitspartei (SGP) se opõe à essas medidas. Não se pode permitir que as elites dominantes resolvam a crise política e formem um novo governo apenas entre seus membros. O resultado seria um regime conservador, autoritário, sem qualquer controle democrático e comprometido com os interesses do estado capitalista.

Nós exigimos novas eleições. Sob as condições presentes, essa é a única maneira pela qual a classe trabalhadora pode intervir nos eventos políticos, trazer seus interesses à tona e combater a ofensiva política da extrema-direita. O SGP utilizaria a campanha eleitoral para lutar por um programa que expresse os interesses da classe trabalhadora alemã e internacional, conectando a luta contra a guerra com a luta contra o capitalismo, e ofereça uma saída socialista para fora do beco sem saída em que a ordem social atual se encontra.

A crise política em Berlim deixou claro que a Alemanha não é uma ilha de estabilidade em um mundo que é caracterizado cada vez mais pela guerra, polarização social e nacionalismo crescente. A causa da crise não são disputas mesquinhas entre potenciais partidos da coalizão, mas o abismo profundo entre os interesses econômicos e geopolíticos da classe dominante, que são defendidos por todos os partidos representados no parlamento, e as necessidades da ampla massa da população.

Ao longo dos últimos quatro anos, a grande coalizão entre a União Democrata Cristã (CDU)/União Social Cristã (CSU) e o Partido Social Democrata (SPD) iniciou uma escalada militar massiva, enviou o exército alemão para novas intervenções externas, impôs políticas de austeridade brutais ao longo da Europa e expandiu massivamente as taxas de pobreza e trabalho precário na Alemanha. Essas políticas foram enormemente impopulares. A CDU, a CSU e o SPD foram punidos nas urnas, perdendo juntos 14 pontos percentuais e conquistando seu pior resultado eleitoral em setenta anos.

Mas a tentativa de estender o governo de Ângela Merkel com o apoio do Partido Liberal Democrático (FDP) e o Partido Verde (PV) só intensificou a crise.

O FDP representa aquelas seções da elite dominante que veem a entrada do AfD no parlamento como uma oportunidade de se separar das políticas de conciliação tática e mediação que tem predominado na República Federal e são representadas por Merkel. Essa é a razão que levou o FDP a se retirar das conversas para formar a coalizão “Jamaica”, causando seu colapso.

O modelo para o líder do FDP, Lindner, não são os social liberais dos anos 1970, mas a Áustria de hoje, onde o ultradireitista Sebastian Kurz está formando um governo com o Partido da Liberdade de extrema-direita, ex-partido irmão do FDP.

Lindner foi exaltado por blogs e jornais de direita por interromper as conversas da coalizão “Jamaica”. O Frankfurter Allgemeine Zeitung expressou “gratidão ao FDP por não apoiar a tentativa da coalização CDU/CSU/FDP/PV em chegar ao poder”. O jornalista de direita Wolfram Weiner elogiou Lindner por acabar com a “república de frases feitas, assim como a história do FDP como um partido auxiliar”, tendo se baseado na opinião do mercado de ações. Esse é “um indicador melhor de uma crise política do que as salas de estar em Berlim. Enquanto ainda se lambem as feridas nas últimas, o mercado de ações constatou o fim da coalização ‘Jamaica’ com alívio.”

O presidente Steinmeier agora assumiu a tarefa de reunir esses cacos e desenvolver um mecanismo político para continuar e intensificar as políticas de cortes sociais, militarismo e fortalecimento do aparelho de estado. O socialdemocrata é bastante adequado para cumprir esse papel. Como ministro de relações exteriores, ele teve um papel importante em renascer o militarismo alemão, declarando em 2014 o “fim da restrição militar”. Ele continuou tendo um papel de liderança no golpe de direita na Ucrânia e em intervenções militares na Europa do Leste, Oriente Médio e África.

Steinmeier quer evitar convocar novas eleições porque ele teme que a Alemanha perderá influência geopolítica diante de uma longa e prolongada crise de governo, além de querer impedir que a insatisfação crescente saia de controle e se redirecione politicamente para à esquerda. Tensões estão borbulhando sob a superfície. Apenas nesta semana, houve manifestações em várias cidades contra demissões em massa na Siemens e na Air Berlin.

O SPD até agora resistiu à pressão de Steinmeier para a continuidade da Grande Coalizão. Isso acontece porque o partido considera que sua tarefa principal seja impedir a influência de ideias de esquerda e socialistas entre a classe trabalhadora. O SPD teme que essa perspectiva poderia conquistar influência se continuar a desacreditada Grande Coalizão e deixar o partido de extrema-direita AfD como o maior partido de oposição no parlamento.

Entretanto, a resistência do SPD à uma Grande Coalizão está desaparecendo rapidamente. Cada vez mais vozes insistem para que o SPD assuma “responsabilidade pela política do estado” para acabar a crise o mais rápido possível. Uma alternativa sendo discutida seria o SPD permanecer na oposição e tolerar um governo minoritário CDU/CSU ou CDU/CSU/PV.

Isso resultaria no fortalecimento da AfD. Como um governo minoritário dependeria de maiorias para aprovar seus projetos, ele colaboraria com a extrema-direita o quanto antes. Andre Poggenburg, um importante político da AfD, declarou sua prontidão em tolerar um governo de minoria CDU/CSU/FDP se Merkel não for Chanceler e o governo pare a política de permitir que refugiados se reúnam com suas famílias na Alemanha.

Todos os partidos no parlamento alemão mostraram na terça-feira que estão prontos, a princípio, para cooperar com a AfD. Eles estabeleceram um chamado grande comitê, em que todos os partidos estão presentes, desde a AfD até o Partido A Esquerda. Esse grande comitê recebeu a tarefa de garantir a capacidade de agir do governo federal até que um novo governo tenha sido formado. Primeiro, ele está se preparando para aumentar os destacamentos militares no Mali, Afeganistão, Síria e Iraque, para, nas palavras da Ministra da Defesa Ursula Von der Leyen, “impor uma marca internacional forte”. “Isso tem o efeito de formar um governo”, disse com empolgação o Tagesspiegel. “Uma coalizão da razão”.

O Partido A Esquerda respondeu à crise do governo se aproximando do SPD. Ele também vê como sua tarefa mais importante bloquear a influência de uma perspectiva socialista na classe trabalhadora. O fundador do partido, Oskar Lafontaine, que largou seu posto de secretário geral do SPD há 18 anos e deixou o partido, agora afirmou pela primeira vez que se arrepende dessa decisão. O líder parlamentar do Partido A Esquerda, Dietmar Bartsch, e Bodo Ramelow, o governador da Turíngia, estão prontos para tolerar até mesmo um governo de minoria liderado por Merkel.

A crise em Berlim relembra os últimos anos da República de Weimar. Naquela época, uma crise social e política contínua culminou em uma catástrofe, porque a classe trabalhadora foi paralisada pelas falsas políticas levadas adiante pelo SPD e o Partido Comunista (KPD), e não pode intervir independentemente nos eventos políticos. A chegada dos nazistas ao poder em Janeiro de 1933 foi precedida por quatro anos de amargas crises, manobras e intrigas durante as quais um regime impopular de direita após o outro esteve no poder.

Hitler não chegou ao poder porque tinha apoio de massas – os nazistas tinham perdido dois milhões de votos nas eleições do Parlamento Alemão e com 33% por cento estavam muito atrás do resultado combinado do SPD e do KPD. Hitler foi nomeado chanceler devido à uma conspiração no escritório do presidente do Parlamento, Paul von Hindenburg, cuja eleição tinha sido apoiada pelo SPD.

O pré-requisito mais importante para prevenir a repetição de uma tal catástrofe e parar o deslocamento político para à direita é a construção de um partido socialista na classe trabalhadora. O SGP, exigindo novas eleições, buscará expor os objetivos reais dos partidos burgueses – que inclui o SPD, o Partido Verde e o Partido A Esquerda – e construir apoio por uma verdadeira alternativa socialista ao capitalismo, à guerra imperialista e ao autoritarismo.

 



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