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Trabalhadores atacam sede da ArcelorMittal em Luxemburgo

Por Ulrich Rippert
22 de maio de 2009

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Publicado originalmente em inglês no WSWS no dia 15 de maio 2009.

Uma manifestação dos trabalhadores na terça-feira em frente à sede da ArcelorMittal, em Luxemburgo, a maior empresa de aço do mundo, refletiu o crescimento dos antagonismos de classe na Europa e em todo o mundo.

No início da reunião, da qual participavam cerca de 200 acionistas, a diretoria da ArcelorMittal anunciou a destruição de 9.000 empregos, incluindo 6.000 na Europa. A Alemanha perderá 750 empregos, a França, 1.400 e a Bélgica, 800. Aproximadamente 1.000 empregos serão eliminados nos EUA.

Quase 1.500 metalúrgicos vindos da Bélgica e da França viajaram de ônibus e trem à capital de Luxemburgo para protestar contra as demissões planejadas. A redução das horas de trabalho com redução dos salários foi introduzida há vários meses atrás nas fábricas da companhia em Charleroi e Lüttich, na Bélgica. Agora, demissões são iminentes nas duas fábricas.

Muitos trabalhadores estavam bastante irritados com a decisão da diretoria de pagar um dividendo de US$ 1,1 bilhão aos acionistas, apesar do declínio na produção e das demissões em massa. "Nós perdemos nossos empregos e os acionistas pegam o dividendo", foi o comentário feito durante uma entrevista televisiva por um trabalhador da ArcelorMittal de Florange, França.

A polícia isolou a sede da companhia com barreiras supervisionadas por seus destacamentos especiais. Durante a manifestação, trabalhadores furiosos atacaram a polícia com pedras da calçada e garrafas. A barreira de metal foi derrubada e os trabalhadores tentaram arrombar a porta de entrada do prédio. Ali, seguiu-se uma série de conflitos violentos com a polícia e a guarda de segurança da companhia.

Conforme alguns relatos, um dos trabalhadores jogou uma bomba de gás por uma janela, espalhando um cheiro ruim no meio dos acionistas reunidos.

De acordo com seu próprio website, a ArcelorMittal é "de longe, a maior produtora mundial de aço". A companhia tem um total de mais de 60 fábricas em mais de duas dúzias de países e emprega 310.000 trabalhadores.

A gigante do aço surgiu da rápida fusão entre empresas de aço na década passada. Surgiu em sua forma atual em 2007, da fusão das duas principais produtoras de aço: Arcelor S.A e a Mittal Steel Company.

O ex-presidente da Mittal Steel, Lakshmi Mittal conduz a companhia recém-fundida, tendo seu filho Aditya Mittal como Presidente e Chefe Financeiro. A família de negócios indiana Mittal desenvolveu seu império corporativo expropriando e reorganizando fábricas de aço na Ásia. Após o colapso do regime stalinista na Europa Oriental e na União Soviética, eles especializaram-se em comprar mais barato e depois privatizar as empresas que eram estatais. Sua esfera de atuação ampliou-se para a Romênia, Polônia, a República Tcheca, Bósnia e Herzegovina, Macedônia, Cazaquistão e Ucrânia.

De acordo com a revista Forbes, Lakshmi Mittal é a oitava pessoa mais rica do mundo, com uma fortuna de US$ 19.3 bilhões. Na ocasião do casamento de sua filha com um financista de Londres de 25 anos, há 5 anos atrás, seu pai Mittal gastou cerca de US$ 64 milhões com a cerimônia.

No ano passado, o diretor da companhia foi destacado com a segunda mais alta honra indiana, a Padma Vibhushan, por suas "conquistas extraordinárias". O governo indiano também organizou um "dia da república" especial como um tributo maior.

A ArcelorMittal agora está usando a presente crise do aço para introduzir drásticas medidas de contenção, demissões e cortes de salários e benefícios em todas as fábricas pertencentes ao império de negócios. As demissões já anunciadas são apenas o prelúdio do fechamento de fábricas inteiras.

De acordo com a Associação Mundial do Aço, a indústria do aço internacional está atualmente passando pela maior queda na demanda desde a Segunda Guerra Mundial. Tendo como pano de fundo a recessão global e uma drástica redução na produção de automóveis, a expectativa é que a demanda por aço caia mundialmente em 14,9 % neste ano. Na União Européia a queda na demanda será ainda maior: 28,8 %.

Para a Alemanha, a federação do comércio Stahl antecipou a redução de um quarto na produção de aço bruto em 2009. Essa estimativa atualmente parece ser subestimada. Em abril, a produção de aço alemã na realidade caiu 53,1 %. De acordo com estimativas oficiais, 45.000 do total de 94.000 de trabalhadores do aço alemães já estão trabalhando no regime de horas reduzidas.

O papel dos sindicatos

Assim como em todas as outras grandes companhias, os sindicatos desenvolvem um papel chave na ArcelorMittal, na implementação dos cortes de benefícios e empregos. Apesar da diretoria da companhia seguir uma estratégia internacional com trabalhadores na Europa e em todo o mundo, forçando-os a pagar pelas conseqüências através de cortes e reduções, os sindicatos recusam-se a organizar qualquer luta conjunta de todos os afetados.

Pelo contrário, eles cooperam abertamente com suas respectivas diretorias, às costas dos trabalhadores, apoiando as concessões apontadas para proteger seus "próprios locais" nas despesas dos trabalhadores de outras seções.

Lakshmi Mittal desenvolveu considerável experiência em suas negociações com os sindicatos burocratas e suas políticas oportunistas. Na Europa Oriental e nos estados da Ex-União Soviética, implementou seus planos de privatização em íntima cooperação com os ex-funcionários dos principais partidos do estado. Em 2001 ele fez até generosas doações ao Partido dos Trabalhadores britânico. Os relatos da imprensa na época deixaram claro que essa generosidade estava diretamente relacionada com o apoio da diretoria do sindicato e do governo Tony Blair em facilitar sua aquisição da empresa estatal romena Sidex.

Dois dias antes do protesto dos trabalhadores na reunião dos acionistas na ArcelorMittal em Luxemburgo, A Federação Européia dos Trabalhadores do Metal (EMF) emitiu um comunicado à imprensa no qual pediam pela "responsabilidade e interesses pessoais" dos acionistas. Os acionistas teriam que garantir que "a Mittal apresentasse um claro plano industrial que deixasse evidente como todas as localidades da ArcelorMittal poderiam ser preservadas, de modo que permitisse recomeçar a produção quando a economia estivesse recuperada", explicou Peter Scherrer, secretário-geral da Federação Européia dos Trabalhadores do Metal.

A fúria dos trabalhadores, muito visível em seus protestos na sede da ArcelorMittal em Luxemburgo, não era dirigida somente contra as demissões em massa planejadas e o simultâneo pagamento de bilhões de dividendos. Era também expressão da crescente oposição à recusa dos sindicatos em conduzir qualquer luta internacional pela defesa dos empregos.

[traduzido por movimentonn.org]

 



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