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Operação do exército contra caminhoneiros: um aviso aos trabalhadores europeus

Por Peter Schwarz
12 de agosto de 2010

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Publicado originalmente em inglês em 4 de agosto de 2010

A conscrição dos caminhoneiros grevistas e o uso do exército como quebra-greve marcam um novo estágio nos ataques contra a classe trabalhadora grega e européía.

Até agora, o governo social-democrata do primeiro ministro Giorgos Papandreou confiou principalmente nos sindicatos para manter sob controle a resistência contra as medidas de austeridade acordadas com a União Européia e o Fundo Monetário Internacional. Os sindicatos chamaram uma série de protestos e greves de um dia, ao mesmo tempo que, em princípio, apoiaram a estratégia governamental.

Do ponto de vista da elite financeira européia, o resultado foi notável. Uma avaliação feita pela Fundação Helênica pela Política Européia e Exterior (ELIAMEP) quanto aos primeiros quatro meses de medidas de austeridade concluiu que o governo terá sucesso na redução dos salários reais de 2010 em 20-30%. Isso será conquistado através de uma combinação de cortes salariais, aumento no imposto sobre bens de consumo (VAT), e alta da inflação.

"O que o governo do primeiro ministro Giorgos Papandreou está tentando fazer é a maior redução de déficit orçamentário jamais implementada por um membro da zona do euro em tão curto período de tempo", escreve o repórter da ELIAMAP Jens Bastian para o Süddeutsche Zeitung. "O desafio é equivalente a correr uma maratona em velocidade máxima. A sociedade grega nunca experimentou tamanhos cortes salariais nos últimos vinte anos!"

Os caminhoneiros representaram uma ameaça considerável às medidas de austeridade do governo. Diferentemente das ações dos trabalhadores do serviço público e da indústria, cujos sindicatos convocaram greves de 24 horas para depois mandar os trabalhadores de volta ao trabalho sem qualquer dano sério à economia, a greve de seis dias dos 33 mil caminhoneiros interrompeu as atividades em setores importantes da economia.

A falta de combustível nos postos de gasolina coincidiu com a alta temporada na indústria de turismo, uma das principais fontes de renda do país. Mas outras indústrias também foram severamente afetadas pela falta de meios de transporte.

No terceiro dia de greve, o governo recorreu a uma lei raramente utilizada. Ele efetivamente alistou os grevistas no exército, por decreto, e ordenou que recomeçassem o trabalho ou enfrentassem punições draconianas. Quando os caminhoneiros se opuseram a esta ação e procuraram continuar a greve, o governo mobilizou o exército para quebrar a greve e suprir os aeroportos, usinas de energia e outros aparelhos com combustível.

A mobilização do exército teve um efeito imediato - não sob os grevistas, que resistiram teimosamente - mas sob o sindicato dos transportes PSXEM, que tentava conseguir um acordo com o governo e capitulou completamente.

O uso do exército é particularmente significativo porque as lembranças da brutal ditadura militar que governou o país de 1967 até 1974 ainda estão frescas. Os coronéis gregos levaram adiante um golpe de estado no dia 21 de abril de 1967, para evitar uma vitória eleitoral do político George Papandreou, avô do atual primeiro ministro. Milhares de oponentes políticos foram presos, torturados e mortos. O próprio George Papandreou morreu em 1968, sob prisão domiciliar.

Depois da queda da ditadura, alguns dos coronéis foram responsabilizados e sentenciados à prisão. Se o neto de Papandreou hoje utiliza o exército para quebrar a greve, o exército só pode entender isto como um sinal de que é uma medida necessária para mais uma vez garantir que a "ordem" seja restaurada na sociedade.

Toda a elite européia, inclusive a da Grécia, respondeu com satisfação à decisão de Papandreou de quebrar a greve dos caminhoneiros através de medidas coercitivas e da mobilização do exército. Não se ouviu um ruído sequer de protesto, nem por parte dos supostos partidos burgueses de esquerda e sindicatos.

Na própria Grécia, há grande unidade no campo da "esquerda" pequeno-burguesa. Dimitris Papadimoulis, um parlamentar da Coalizão da Esquerda Radical (SYRIZA), atacou os grevistas, dizendo que sua greve estava "tomando a forma de um estrangulamento contra o Mercado, filas nos postos de gasolina, etc. e não tem qualquer apoio na sociedade".

Fotis Kouvelis, líder de uma fração direitista surgida do SYRIZA, pediu que os caminhoneiros encerrassem a greve "para facilitar o reinício das conversações, na base da abolição do regime de closed shop", isto é, na base das exigências do governo.

Outros representantes do SYRIZA e do Partido Comunista Grego (KKE) condenaram verbalmente as medidas coercitivas do governo, mas não levantaram um dedo para apoiar os caminhoneiros, que também estavam isolados em relação aos grandes sindicatos.

Os caminhoneiros estão lutando por sua sobrevivência. A maioria é de proprietários-operadores que investiram todas as suas economias (até €300.000) na licença obrigatória. A revenda subsequente da licença é a base de suas pensões. A abolição do sistema de licenciamento, conforme exige o governo, não apenas abre o sistema de transporte para as grandes empresas transportadoras européias, destruindo as vidas dos caminhoneiros gregos como anula suas pensões, num único golpe.

A liberalização da atividade dos caminheiros e de muitas outras ocupações - motoristas de táxi, advogados, farmacêuticos, arquitetos, contadores, etc. - é uma das principais condições exigidas pela UE e pelo FMI em troca do pacote de resgate de €110 bilhões fornecido à Grécia. Assim, o custo da crise financeira e dos resgates aos bancos é descarregado sobre os pobres, a classe trabalhadora e amplas camadas dos profissionais liberais.

Nisto está a significação mais profunda da mobilização do exército na Grécia. Este país deve servir como um laboratório para a implementação de programas de austeridade que estão sendo planejados em toda a Europa. Tais medidas são tão amplas e severas que não podem ser realizadas por meios democráticos.

Porque seções tão amplas da sociedade estão envolvidas, incluindo camadas que outrora se consideraram parte das classes médias, muitos dos partidos conservadores tradicionais estão em crise. Na Alemanha, a coalização da chanceler Merkel com a União Democrática Cristã (CDU), a União Social Cristã (CSU) e o Partido Democrático Livre (FDP) está paralisada por conflitos internos. Na Itália, o partido do governo Berlusconi (Povo da Liberdade) se despedaçou. Na França, a União por um Movimento Popular (UMP) de Sarkozy decaiu nas pesquisas. É por isto que em muitos países a elite dominante está se voltando aos social-democratas e seus satélites de classe média "esquerdistas" para empurrar pela goela da classe trabalhadora os seus ataques.

Na Grécia, a substituição do governo conservador de Karamanlis pelo do PASOK de Papandreou era uma condição da implementação do atual programa de austeridade. Na Alemanha, uma campanha consciente está em vigor para promover o Partido Social-Democrata e o Partido Verde. Os dois grupos, governando em coalização sob o chanceler Gerhard Schröder, impuseram as reformas do bem-estar social denominadas Agenda 2010, que fizeram mais para empobrecer amplas camadas da classe trabalhadora do que o governo conservador atual da CDU de Angela Merkel.

Mas esses governos social-democratas podem servir somente como uma solução temporária. Eles devem seu sucesso eleitoral principalmente ao declínio dos conservadores, à propaganda da mídia burguesa e ao apoio da pseudo-esquerda pequeno-burguesa. Perderam sua base social entre os trabalhadores e se apóiam basicamente no aparato burocrático dos sindicatos e no seu próprio aparato partidário. Uma vez no governo, se vêem expostos ao mesmo processo de erosão política que afetou os conservadores.

Assim, esforços estão sendo feitos para encontrar novas e mais autoritárias formas de governo. Essas preparações podem ser vistas sob uma ou outra forma em todos os países europeus.

Na Hungria, o nacionalista-conservador Fidesz e o abertamente fascista Jobbik se beneficiaram do declínio dos social-democratas e agora procuram consolidar seu domínio incitando o racismo, impulsionando as tensões contra os países vizinhos e desenvolvendo estruturas autoritárias.

Na Holanda, o racista Partido da Liberdade, de Geert Wilders, forneceu a maioria ao governo e será incorporado à coalizão.

E na França, o governo está procurando mobilizar os seguidores da Frente Nacional de Le Pen através de iniciativas legais provocativas contra Roma e os muçulmanos.

O peso social aumentado conferido aos militares também é um fenômeno geral. Exércitos conscritos estão sendo substituídos por exércitos profissionais, que estão sendo brutalizados em batalha no Afeganistão e outras missões estrangeiras. O uso doméstico das forças armadas está sendo discutido abertamente sob o pretexto da "luta contra o terrorismo". Na Alemanha, um conflito aberto acontece entre duas câmaras da Suprema Corte, que discutem se agora tais operações militares devem ser aprovadas, depois dos 60 anos durante os quais elas estiveram banidas.

Neste contexto, o uso das forças armadas contra os grevistas na Grécia é um sinal para toda a classe trabalhadora européia. A extensão das medidas de austeridade que já foram acordadas ou estão em planejamento tornam o conflito social violento inevitável. Os social-democratas, os sindicatos e seus apoiadores na "esquerda" pequeno-burguesa têm um papel central em garantir que esses ataques sejam implementados. Restringindo e paralisando a classe trabalhadora, eles dão à elite dominante o tempo necessário para preparar formas de governo mais reacionárias e autoritárias.

Tudo depende de que o proletariado intervenha independentemente nos acontecimentos políticos. O proletariado precisa romper com a influência dos social-democratas e dos sindicatos e estabelecer seu próprio partido, um partido que defenda resolutamente seus interesses contra as exigências da oligarquia financeira.

A base política para tal partido deve ser um programa socialista internacional que coloque as necessidades sociais das massas da população acima das exigências de lucro dos bancos e corporações. O Comitê Internacional da Quarta Internacional está construindo esses partidos através do mundo.

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