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Protestos em massa abalam o governo francês

Por Alex Lantier
19 de outubro de 2010

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Mais de três milhões de trabalhadores participaram ontem (10 de outubro) de uma greve contra os cortes nas pensões feitos pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, com os trabalhadores de diversos setores industriais votando para prorrogar a greve.

Em meio a temores generalizados na imprensa sobre uma "radicalização" - isto é, que a greve poderia escapar ao controle dos sindicatos e dos partidos burgueses de "esquerda" - um confronto está se formando entre a classe operária e toda a bancada governista.

Os protestos foram convocados pelos sindicatos contra uma medida para aumentar a idade de aposentadoria da pensão integral de 65 para 67 anos. O corte também aumenta a idade mínima de aposentadoria de 60 para 62 anos. Embora as principais disposições tenham passado, o Senado deve votar o restante da legislação esta semana.

Sarkozy insiste que o governo não vai recuar nas reformas, que são apenas o primeiro passo nos planos de medidas maciças de austeridade.

As demandas do governo expuseram a flagrante justiça de classe da política do Estado. Trabalhadores enfrentam cortes, enquanto os bancos e os super-ricos são salvos financeiramente pelo governo. Em especial, o Ministro do Trabalho, Eric Woerth, responsável por avançar com os cortes, manteve relações corruptas com a bilionária Liliane Bettencourt, ajudando-a a assegurar o reembolso de vários milhões de euros de impostos.

A esmagadora maioria da população apoia as greves e se opõe às reformas de Sarkozy. Uma pesquisa da CSA para o jornal Le Parisien mostrou que 69% da população apoia a greve, e 61% apoia a continuação das greves. Outra pesquisa descobriu que 68% desaprovam Sarkozy.

O Estado tenta minimizar o tamanho das manifestações. De acordo com os dias anteriores de ação, quando ele emitiu uma estimativa muito baixa para a participação, a polícia afirmou que 1,2 milhão de pessoas marcharam. Mesmo um sindicato de policiais em Marselha denunciou que esta estimativa foi politicamente motivada para ser "falsa" e que "fez a polícia cair no ridículo." Sindicatos de policiais aderiram à marcha de protesto em Paris.

Todas as fontes concordaram que a participação foi maior do que nos dias anteriores da greve. De acordo com os sindicatos, 330 mil marcharam em Paris, 230 mil em Marselha, 145 mil em Toulouse, 130 mil em Bordeaux, 95 mil em Nantes, mais de 70 mil para cada cidade de Rouen, Montpellier e Grenoble.

Trabalhadores em muitos locais se reunirão em assembleias gerais nesta manhã para votar sobre a continuação da greve. Nas refinarias de petróleo da Total, nas ferrovias nacionais da SNCF, e na empresa de transporte público de Paris, RATP, os trabalhadores votaram ontem à noite pela continuação das suas greves. Com a greve em andamento no porto de Marselha bloqueando o reabastecimento das refinarias de petróleo, e os relatos de pânico na compra de gasolina, uma greve duradoura dos transportes públicos ameaça trazer grandes setores da economia a um impasse.

Estudantes do ensino médio também participaram em grande número das manifestações, com mais de 300 escolas em greve.

A classe atualmente dominante espera que os sindicatos sejam capazes de conter a oposição das massas para que o governo possa manter as suas leis. O primeiro-ministro, François Fillon, disse aos legisladores conservadores ontem que "por enquanto" não há mais "margem de manobra" para modificar a lei. Por isso, ele explicou: "O que precisamos é manter a calma e não provocar ninguém."

No entanto, o Financial Times escreveu que as fontes no Palácio Presidencial de Elysée "temem o risco de radicalização e até mesmo de violência esporádica".

A classe dominante está ciente de que enfrenta uma grande ameaça política. Em um comentário, o jornal L'Est Républicain disse: "Todos os ingredientes de uma revolta social estão presentes: um governo muito impopular, uma reforma que é considerada injusta, a opinião pública que está desorientado com a crise, o desemprego crônico, e os estudantes do ensino médio que são tentados a se manifestar." Citando o "medo da violência", o jornal disse que os trabalhadores "estão lutando para manter seus ganhos sociais, enquanto estão cientes de que uma época está por acabar."

O Financial Times escreveu mais claramente que o a bancada governista francesa "continua traumatizada" com a greve geral e os protestos estudantis de maio-junho de 1968.

Os sindicatos foram forçados a preparar uma ação industrial devido à frustração crescente na classe trabalhadora. Os repetidos protestos que duram só um dia nada fizeram para deter os cortes de Sarkozy. O sindicalista da CGT, Jean-Pierre Delannoy, ele próprio um burocrata de alto escalão, explicou que os trabalhadores estão "fartos de simplesmente passear pelas ruas."

Trabalhadores enfrentam questões políticas básicas conforme entram na luta contra as políticas da aristocracia de austeridade financeira. A classe trabalhadora tem o poder social objetivo para derrotar a aristocracia, e deve iniciar determinadas lutas políticas e grevistas contra ela. A principal dificuldade que enfrentam os trabalhadores, no entanto, é a falência dos sindicatos e dos partidos existentes, cuja pose de oposição a cortes sociais é uma fraude.

Dada a hostilidade das massa a Sarkozy, os sindicatos e os partidos governistas ocultam o seu apoio aos cortes sob a máscara da organização de protestos episódicos e ineficazes. Isso evidencia a principal vantagem da burguesia sobre a classe trabalhadora nas próximos lutas: o seu controle político sobre as greves, através dos partidos existentes. Ela tem a intenção de usá-los para evitar greves e impedi-las de evoluir para uma luta política com o governo, espalhando ilusões de que os cortes podem ser "melhorados" através da renegociação.

O exemplo mais claro é a enganosa posição do Partido Socialista (Parti Socialiste - PS). Sua secretária, Martine Aubry, está agora criticando Sarkozy e avisando sobre a "ameaça de confronto." Ela está pedindo mais negociações entre Sarkozy e os sindicatos sobre os cortes. No entanto, durante a crise da dívida grega no início deste ano, Aubry pediu abertamente o aumento de dois anos de idade na de aposentadoria - uma posição que coincide com a posição da direita do seu partido quando no poder.

De fato, o provável candidato presidencial para 2012 do PS, Dominique Strauss-Kahn, agora dirige o Fundo Monetário Internacional (FMI), que divulgou um relatório na semana passada apoiando os cortes de Sarkozy. O relatório elogia os cortes de redução de gastos com as aposentadorias de 15%, assim limitando os déficits orçamentais do Estado e aumentando a rentabilidade e a competitividade global das empresas francesas. Strauss-Kahn e o FMI desempenharam um papel importante na imposição de cortes ainda mais draconianos na Grécia durante a crise da dívida Europa, na primavera.

A mesma defesa da austeridade social constitui a recusa pública dos sindicatos para travar uma luta decidida contra eles. Em entrevista ao Libération, na semana passada, o secretário do CGT, Bernard Thibault, explicou que a convocação a uma greve geral foi "um slogan que para mim é completamente abstrato, obscuro. (...) Isso não corresponde à forma como alguém aumenta a relação de forças."

Thibault acrescentou que os atuais protestos já permitiram "dezenas de milhões de trabalhadores a participar, de várias formas, desde o mês de maio, em iniciativas de protesto contra o governo."

Thibault só poderia propor, no entanto, "reabrir completamente a discussão", ou seja, retornar às negociações com Sarkozy, o que produziu a atual rodada de cortes. Sua oposição aos chamados para uma greve geral é um sinal importante de sua posição: tendo ajudado a formular os cortes, ele se opõe à greve prolongada contra eles.

Assim, o Le Monde escreveu: "Existe uma armadilha que Bernard Thibault quer evitar a todo custo, que é a radicalização. Essa radicalização inerentemente incontrolável levaria os trabalhadores, com os quais a CGT quer criar credibilidade e legitimidade, a um impasse, fazendo-os pensar que podem superar a inflexibilidade do chefe de Estado".

Isto objetivamente coloca o CGT em oposição à classe trabalhadora. Trabalhadores protestam contra a lei depois de ela ter sido transformada em lei pelo Senado, precisamente porque não estão satisfeitos com a "participação em iniciativas de protesto", que falharam de maneira óbvia.

Tal descontentamento geral evidencia a crescente raiva e militância em amplas camadas da classe trabalhadora. A lógica desta oposição é levar os trabalhadores ao conflito direto com Sarkozy com todos os defensores do sistema capitalista, incluindo o PS, os sindicatos, e seus apoiadores de "esquerda".

A erupção da oposição de classe trabalhadora na França é parte de uma radicalização dos trabalhadores em todo o mundo. Para que esta oposição seja bem sucedida, porém, ela deve assumir uma forma política independente, que é dirigida abertamente à subordinação da economia mundial aos interesses de lucro dos bancos e das grandes corporações.

O abismo social entre os trabalhadores e todo a bancada política mostra tanto a necessidade e a possibilidade de construção de um novo partido com base na luta pelo socialismo. O World Socialist Web Site incentiva os trabalhadores na França e por todo o mundo a ajudar a construir o Comitê Internacional da Quarta Internacional como o partido revolucionário da classe operária.

[traduzido por movimentonn.org]

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