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Um chamado para lutar contra o fechamento de fábricas da GM e as demissões em massa

Por Jerry White
19 de dezembro de 2018

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Publicado originalmente em 28 de Novembro de 2018

Na segunda-feira, 26 de Novembro, a General Motors anunciou que fechará cinco fábricas nos EUA e no Canadá, eliminando os empregos de quase 15 mil trabalhadores no início de 2019. O massacre dos empregos é a ponta de lança de uma nova reestruturação da indústria automotiva global, ameaçando os empregos de milhões de trabalhadores em todo o mundo.

Dez anos atrás, o crash financeiro global foi utilizado pelos governos capitalistas nos EUA e em todo o mundo para realizar uma enorme transferência de riqueza da classe trabalhadora para os super-ricos. Um importante capítulo nessa ofensiva da classe dominante foi a falência da GM e da Chrysler, em 2009. A reestruturação foi supervisionada pela Força-Tarefa Automotiva do governo Barack Obama, uma gangue de financistas de Wall Street que eliminou dezenas de milhares de empregos e destruiu a renda e a as condições de segurança dos trabalhadores da indústria automotiva americana.

Com isso, foi iniciada uma campanha semelhante contra os salários e benefícios de toda a classe trabalhadora nos EUA e em todo o mundo. No ano passado, o crescimento dos salários globais caiu para a menor taxa desde 2008, muito abaixo dos níveis anteriores ao crash financeiro, de acordo com um novo relatório da Organização Internacional do Trabalho.

Enfrentando a crescente militância dos trabalhadores ao redor do mundo, incluindo a determinação dos trabalhadores automotivos dos EUA para conquistar ganhos substanciais quando os contratos de quatro anos expirarem no verão de 2019, as demissões anunciadas deixam claro que a classe dominante não tem a intenção de tirar a bota do pescoço dos trabalhadores. Apesar dos falsos protestos de Trump sobre o fechamento de fábricas da GM e as consequentes demissões, seu governo, com o total apoio do Partido Democrata, está supervisionando um novo ataque em massa contra a classe trabalhadora. Em meio a sinais crescentes de uma nova recessão econômica, a elite corporativa e financeira está determinada a transferir uma quantidade ainda maior de dinheiro para os mercados financeiros.

Wall Street comemorou o fechamento das fábricas e o anúncio da CEO Mary Barra de que a empresa cortaria US$ 6,5 bilhões em custos, que inevitavelmente chegarão às carteiras de ricos investidores na forma de recompras de ações e pagamentos de dividendos.

As consequências do fechamento de fábricas e das demissões serão catastróficas para a classe trabalhadora. O fechamento das fábricas da GM de Detroit-Hamtramck, Michigan (EUA), de Lordstown, Ohio (EUA), e de Oshawa, em Ontário (Canadá), terá um impacto devastador em regiões que há décadas sofrem com a desindustrialização, a pobreza e a piora constante das condições sociais. Um número ainda maior de famílias cairá na miséria e perderá suas casas. Mais famílias ainda se desintegrarão, aumentarão os suicídios e as mortes pelo consumo de opioides.

Os trabalhadores da indústria automotiva não podem aceitar o “direito” das elites corporativa e financeira de fechar essas fábricas! Uma campanha completa deve ser lançada para defender esses empregos, incluindo a organização de protestos, greves e ocupações de fábricas.

Uma luta contra o fechamento de fábricas e as demissões não pode ser realizada através do Sindicato dos Trabalhadores Automotivos (UAW, na sigla em inglês) dos EUA, ou do sindicato do Canadá, o Unifor. Essas organizações há muito tempo deixaram de ser organizações dos trabalhadores. Hoje, elas são braços da administração empresarial, dirigidas por burocratas sindicais privilegiados que lucram com a destruição dos salários e empregos dos trabalhadores que eles afirmam representar.

Já se passaram 40 anos desde que o UAW começou sua política de retirada massiva de direitos dos trabalhadores, começando com o resgate de 1979 da Chrysler, que supostamente deveria “salvar empregos”. O vice-presidente do UAW, Marc Stepp, declarou na época: “Acredito que a empresa terá que reduzir suas operações. Nós temos a livre iniciativa neste país. As corporações têm o direito de lucrar.”

O resultado dessa política foi um desastre após o outro para os trabalhadores americanos nos últimos 40 anos. O número de trabalhadores da GM, Ford e Chrysler caiu de 702 mil para 140 mil, enquanto os salários, benefícios e condições de trabalho foram dizimados.

Mais recentemente, em 2007, 2009, 2011 e 2015, o UAW insistiu que os trabalhadores não tinham escolha a não ser realizar mais sacrifícios porque melhorar os lucros das empresas e a competitividade internacional supostamente garantiriam seus empregos. O Unifor deu as mesmas justificativas para aprovar contratos que retiraram direitos dos trabalhadores automotivos canadenses.

Hoje, essas justificativas mostraram-se mentirosas. Os únicos que se beneficiaram das retiradas de direitos dos trabalhadores são os executivos das empresas, os tubarões do mercado financeiro e os próprios dirigentes do UAW, que controlam bilhões em ações corporativas e têm suas viagens de golfe, férias em resorts de luxo e roupas de grife pagas com dinheiro roubado dos trabalhadores e lavado através de centros de capacitação do sindicato e das empresas.

Os trabalhadores precisam de uma nova estratégia de luta:

Primeiro, eles precisam confiar em sua própria força. Isso significa formar comitês de base em todas as fábricas, completamente independentes do UAW e do Unifor. Esses comitês devem servir para conectar não apenas os trabalhadores da GM, mas todos os trabalhadores automotivos e de autopeças nos EUA e no Canadá. Os trabalhadores, que produzem toda a riqueza da sociedade, têm imensa força e poder de alavancar a luta. Uma greve em qualquer grande fábrica poderia fechar rapidamente a cadeia produtiva industrial dependente e o sistema de entregas associado.

Em segundo lugar, os trabalhadores automotivos devem se unir em todos os países. Por sua própria natureza, esta é uma luta internacional. Os trabalhadores devem rejeitar o veneno nacionalista há muito utilizado pelos sindicatos para dividir os trabalhadores uns contra os outros. Trabalhadores da GM na Coréia do Sul e trabalhadores da Vauxhall e Opel (ambas anteriormente GM) na Grã-Bretanha, Alemanha e outros países enfrentam fechamentos de fábricas e demissões em massa. As outras montadoras globais certamente seguirão o exemplo da GM. Se os gigantes automotivos transnacionais têm uma estratégia internacional para colocar os trabalhadores uns contra os outros, os trabalhadores automotivos precisam ter uma estratégia internacional para combatê-los.

Em terceiro lugar, dada a devastação social envolvida nesses fechamentos, a luta dos trabalhadores automotivos tem que alcançar todos os trabalhadores. Isso significa mobilizar o apoio dos trabalhadores em todo o país em uma luta comum. A mesma contrarrevolução da classe dominante que destruiu as condições dos trabalhadores da indústria automotiva está por trás da devastação social em Detroit, Lordstown e outras cidades nos EUA.

O desenvolvimento de comitês de base de trabalhadores da indústria automotiva ligará suas lutas com as de outras categorias da classe trabalhadora, incluindo trabalhadores da UPS, professores, petroleiros, metalúrgicos e trabalhadores do setor de serviços, além de desempregados e estudantes. O desenvolvimento das lutas dos trabalhadores é em direção a uma greve geral contra o ataque tanto do partido Democrata quanto Republicano aos empregos, condições de vida e direitos sociais da classe trabalhadora.

Por fim, trata-se de uma luta política que opõe a classe trabalhadora não apenas a este ou aquele empregador, mas a todo o sistema capitalista e aos partidos Democrata e Republicano. Uma mudança fundamental e revolucionária nas relações sociais só é possível se os trabalhadores se constituírem como uma força política independente para lutar pelo poder do estado.

Os trabalhadores não podem combater o fechamento de fábricas e cortes salariais se aceitarem a santidade do mercado capitalista. O Partido Socialista pela Igualdade insiste que uma contraofensiva dos trabalhadores deve ser guiada por uma estratégia socialista, que possui o objetivo de quebrar o controle dos bancos e grandes empresas e reorganizar a economia global para atender as necessidades humanas, não o lucro privado. Ao invés de serem brinquedos privados dos ricos, corporações gigantes como a GM devem ser transformadas em empresas públicas, de propriedade coletiva e controladas democraticamente pelos próprios trabalhadores.