Partido Obrero da Argentina racha com líder de longa data Jorge Altamira

Por Bill Van Auken
21 Agosto 2019

Publicado originalmente em 5 de Agosto de 2019

O Partido Obrero (PO) da Argentina foi abalado por um amargo racha, com sua direção oficial denunciando Jorge Altamira – um dos fundadores do partido em 1964, seu líder de longa data e cinco vezes candidato à presidência – por romper com o PO e formar uma organização à parte e hostil ao partido. Altamira respondeu insistindo que está liderando uma “fração pública” e que não será expulso “mesmo a balas”.

Jorge Altamira

No congresso nacional do PO realizado em abril, Altamira não conseguiu se eleger para o comitê central, tendo sido reduzido a membro suplente. Em 23 de junho, ele e seus apoiadores organizaram uma reunião para fundar a fração pública, enquanto a direção do PO declarou que a ação representava um “racha” com o partido.

Esse racha de fato ocorre pouco mais de um ano depois de Altamira e o Partido Obrero terem realizado em Buenos Aires uma conferência do Comitê Coordenador para a Refundação da Quarta Internacional (CRQI). Da mesma maneira que as tentativas anteriores para “reconstruir” a Quarta Internacional, o encontro em Buenos Aires baseou-se em políticas nacionalistas de direita e no repúdio de toda a história da Quarta Internacional. No entanto, essa conferência se distinguiu de maneira infame das outras por sua proposta de “refundar” o partido mundial estabelecido por Leon Trotsky através de uma aliança política com o stalinismo russo.

A atual explosão do PO é o produto direto das políticas nacionalistas sem princípios que fundamentaram a conferência no ano passado.

Houve raivosas recriminações públicas, com a direção oficial acusando Altamira de criar uma organização paralela, coletar fundos de seus apoiadores e organizar suas próprias reuniões e atividades independentemente do PO. A fração de Altamira rebateu as acusações dizendo que a direção oficial expulsou e censurou membros, espionou-os e invadiu os escritórios locais controlados por seus apoiadores na calada da noite para apreender computadores e outros bens.

Ambas as frações organizaram coletivas de imprensa para denunciar umas às outras, e Altamira – uma figura de destaque na política argentina de esquerda há décadas – foi amplamente entrevistado pela mídia argentina sobre o racha. Cada uma das frações entrou na justiça contra a outra.

O contexto político imediato dessa amarga luta entre frações é a próxima eleição argentina, com as eleições primárias obrigatórias acontecendo na próxima semana e as eleições gerais marcadas para 27 de outubro. O presidente direitista Mauricio Macri está concorrendo contra a chapa peronista de Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner, candidatos à presidência e vice-presidência, respectivamente. O Partido Obrero está engajado no que descreveu como uma “adaptação eleitoral que se justifica na necessidade de cooptar a ala esquerda do kirchnerismo”, ou seja, o peronismo.

É nesse quadro que as divisões táticas surgiram. Altamira acusou seus adversários na direção do partido de “eleitoralismo” e “parlamentarismo”, enquanto eles o denunciaram como “propagandista”.

Em uma longa declaração intitulada “Por que uma fração pública do Partido Obrero”, Altamira e seus apoiadores opõem-se à direção oficial do PO não apenas por causa de sua exclusão da direção, mas também pela tentativa de eliminá-lo da história do partido.

Eles retratam a direção do PO como um “aparato” engajado em uma “adaptação ao processo político em nome do ‘realismo’ ... uma adaptação eleitoral à crise política”. Eles ainda alegam que o PO não conseguiu diferenciar-se de outros grupos morenistas da pseudo-esquerda com os quais está unido no bloco eleitoral comum, a Frente de Esquerda e dos Trabalhadores (FIT, na sigla em espanhol), contrapondo-os apenas em questões organizacionais, como a rotatividade de 40 cargos no Congresso Nacional e nas províncias mantidos por candidatos eleitos da FIT.

Em nenhum momento, no entanto, Altamira tenta explicar como o “aparato” que foi recrutado e politicamente treinado sob sua liderança se moveu tanto para a direita e virou-se contra ele.

A direção do PO acusou a “fração pública” de defender a “liderança vitalícia indiscutível” de Altamira, que eles acusam de “cretinismo antieleitoral e antiparlamentarista”.

Grande parte do debate resume-se a palavras de ordem eleitorais, com a direção do PO acusando Altamira de capitular em relação à fração Kirchner do peronismo, levando adiante a exigência de “Fora, Macri”. Eles sugerem ainda que a oposição é impulsionada pelo fracasso do partido em escolher Altamira e seus apoiadores como candidatos.

Altamira denuncia que a direção do PO não está conseguindo levar adiante um programa revolucionário nas eleições e, portanto, está se adaptando tanto a Macri quanto aos peronistas.

O racha ocorre depois da FIT ter incorporado forças ainda mais de direita ao bloco eleitoral – o Movimento Socialista dos Trabalhadores (MST), o Poder Popular e o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), passando a se chamar FIT – Unidad – e em meio ao chamado do Partido dos Trabalhadores Socialistas (PTS) – o maior dos partidos que surgiu do racha do antigo Movimento ao Socialismo (MAS) após a morte, em 1987, do revisionista argentino Nahuel Moreno – para a formação de um “partido unificado de esquerda”. Caso a crise do capitalismo argentino se intensifique, esse partido poderá ser chamado para desempenhar um papel semelhante ao do Syriza na Grécia para reprimir e trair as lutas da classe trabalhadora.

O próprio Altamira escreveu sobre essa trajetória política em 2017, descrevendo com precisão o PTS como o “Podemos en pañales” (Podemos em fraldas). Essa caracterização, no entanto, não impediu a formação da frente eleitoral sem princípios entre o PO e o PTS, que ambas as frações apoiam. Este ano, a FIT – Unidad está participando das eleições argentinas com Nicolás del Caño, do PTS, como candidato à presidência, e Romina Del Plá, do PO, como vice.

Os candidatos da FIT – Unidad à presidência e vice-presidência, Nicolás del Caño (PTS) e Romina Del Plá (PO), respectivamente

Essa aliança eleitoral, repleta de negociações políticas corruptas sobre a disputa eleitoral e os cargos parlamentares, é uma clara manifestação do caráter nacionalista pequeno-burguês das partes envolvidas e nada tem a ver com o marxismo.

Como Trotsky escreveu em relação à luta contra o fascismo na Alemanha: “A ideia de apresentar um candidato, nas eleições presidenciais, da frente única operária é uma ideia fundamentalmente errada. O partido não tem direito a renunciar a mobilizar seus apoiadores e contar suas forças nas eleições”.

Em meio a todas as acusações e contra-acusações dentro do PO, o que aparece mais claramente é que ambas as frações baseiam-se inteiramente em uma orientação nacionalista, subordinando a estratégia e os princípios do internacionalismo socialista aos cálculos nacionalistas mais vulgares.

De maneira significativa, depois de Altamira deixar o comitê central do partido e da direção oficial rejeitar seu documento programático no congresso de abril, ela decidiu colocá-lo no comando das relações internacionais do Partido Obrero. Esse seria um trabalho que a liderança via como não tendo grandes consequências, de maneira que o ex-líder do partido não poderia prejudicar seu projeto nacionalista.

Essa característica essencial do racha no Partido Obrero confirma inteiramente a análise feita pelo World Socialist Web Site da conferência realizada em Buenos Aires, no ano passado, para “refundar” a Quarta Internacional.

Como o WSWS expôs em sua declaração de 7 de junho de 2018, Partido Obrero da Argentina busca “refundar” a Quarta Internacional em aliança com o stalinismo:

O que realmente significa “reconstrução” é a fusão de organizações politicamente heterogêneas, sem qualquer acordo sobre questões essenciais de programa e estratégia. A única questão em torno da qual essas organizações absolutamente concordam é o direito de cada uma delas levar adiante qualquer política nacional que seja considerada melhor para si mesma. Essa abordagem totalmente sem princípios da política não tem absolutamente nada em comum com o trotskismo. Sua atitude em relação às experiências e lições acumuladas pela Quarta Internacional desde 1938 se define por uma combinação de hostilidade política, indiferença teórica, oportunismo nacional míope e a mais bruta ignorância.

Nada expressava essa atitude de forma mais conclusiva do que o convite feito a Darya Mitina, secretária de Assuntos Internacionais do stalinista Partido Comunista Unificado da Rússia (OKP), para proferir um importante discurso na conferência.

Darya Mitina com Michael-Matsas na conferência de Buenos Aires, realizada em abril de 2018, para “refundar a Quarta Internacional”

Mitina, uma stalinista fervorosa com estreitos laços com o Estado russo, foi apresentada à conferência por Altamira como “uma camarada que fala em nome da tradição do comunismo na Rússia, que para ela seria o stalinismo”, como se isso fosse uma questão insignificante da cultura nacional. De fato, Mitina se vangloriou em seu blog de colocar flores no túmulo de Stalin duas vezes por ano, enquanto o site de seu partido exalta o extermínio de trotskistas e de toda a liderança da Revolução de Outubro no genocídio político que acompanhou os Processos de Moscou.

O WSWS também expôs os laços de Mitina com os movimentos de extrema-direita e neofascistas na Europa baseados em sua atitude favorável em relação ao governo de Vladimir Putin. Em suas viagens ao redor do mundo, ela adapta seus discursos pró-Kremlin para atender diferentes públicos de stalinistas, neonazistas e supremacistas brancos, bem como partidos da pseudo-esquerda como o Partido Obrero.

Essa foi a “camarada” que Altamira e o resto da direção do PO convidaram para a conferência para proferir um dos principais discursos a membros do partido que nunca foram informados sobre suas ligações políticas. Nem a “fração pública” do PO nem sua direção oficial, que agora estão em disputa em torno do regime do partido e palavras de ordem eleitorais, têm alguma diferença em relação a essa aliança politicamente criminosa.

Nenhuma das frações contestou a declaração de Altamira à conferência de que estabelecer laços com elementos como Mitina poderia fornecer um caminho muito superior para a “refundação” da Quarta Internacional do que a concepção “sectária” de uma “internacional ‘feita por você mesmo’”, isto é, a luta para construir um partido internacional genuíno, forjando uma unidade de princípios baseada em um programa e uma perspectiva mundiais comuns.

Como parte da luta entre frações dentro do PO, tanto a “fração pública” quanto a direção oficial enviaram delegados a Atenas, na Grécia, no mês passado buscando uma mediação na disputa entre os companheiros do PO no Comitê Coordenador para a Refundação da Quarta Internacional, o Partido Revolucionário dos Trabalhadores da Grécia (EEK) e o turco Partido dos Trabalhadores Revolucionários (DIP).

O principal responsável por organizar essa mediação foi o secretário geral do EEK, Savas Michael-Matsas, cujos vínculos com o PO baseiam- se em uma orientação nacionalista compartilhada por ambos.

Que tal figura seja o mediador no racha do PO fala muito sobre o caráter sem princípios dessa disputa. Toda a história política de Michael-Matsas está ligada a manobras políticas oportunistas.

Em 1985, ele realizou uma ruptura sem princípios com o Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI) em oposição à luta política que o CIQI havia iniciado contra a degeneração nacionalista e oportunista que levou ao colapso do britânico Partido Revolucionário Operário (WRP, na sigla em inglês) liderado por Gerry Healy. Rejeitando qualquer discussão com outras seções, ele rompeu com o CIQI e se aliou a Healy com base no cálculo de que isso o libertaria para seguir sua política nacionalista na Grécia. Isso foi rapidamente realizado através de uma série de alianças políticas com o stalinista Partido Comunista Grego, o partido burguês PASOK e a burocracia sindical.

Como David North, então secretário nacional da Workers League (Liga dos Trabalhadores), a organização antecessora do Partido Socialista pela Igualdade nos EUA, escreveu em um artigo de 1989, The Demise of Savas Michael’s “New Era” (O Fim da “Nova Era” de Savas Michael):

A partir de 1987, o jornal Socialist Challenge, do EEK, tornou-se o órgão local de Atenas da burocracia de Gorbachev. Há amplas razões para acreditar que os serviços prestados por Michael ao regime de Gorbachev foram recompensados financeiramente. Serviços de propaganda parecidos prestados pelo Socialist Challenge a regimes do Oriente Médio e movimentos nacionalistas burgueses haviam sido oferecidos anteriormente por Michael em troca de subsídios especiais sobre os quais os membros da base não foram informados. De fato, em um de seus próprios documentos, Healy observou de passagem que Michael tem “contato próximo com os líbios, a embaixada soviética, o PC e a OLP”.

Foi Michael-Matsas que serviu como intermediário na organização da viagem à Argentina de Darya Mitina, com quem tem mantido estreitas relações políticas por mais de uma década. Ele a apresentou a círculos da pseudo-esquerda na Europa e agora na América Latina, enquanto ela ajudou Michael-Matsas a construir laços com o stalinismo russo.

A aliança de Michael-Matsas com Altamira baseia-se em uma atitude comum de desprezo em relação à história da Quarta Internacional e a uma orientação nacionalista compartilhada por ambos.

A reunião de mediação encenada por Michael-Matsas provou-se farsesca. A direção oficial do PO publicou uma declaração sobre seus procedimentos, alegando que os delegados enviados pela fração de Altamira haviam “se recusado a continuar a discussão sobre um documento de compromisso para pôr fim ao racha e garantir a reunificação do partido” que havia sido apresentado por Michael-Matsas, o grupo turco e uma organização finlandesa.

O comunicado citava Michael-Matsas dizendo que o racha refletia “as pressões da luta de classes nesta etapa da falência do capitalismo mundial”. A partir dessa profunda análise, os mediadores apresentaram sua proposta, intitulada “O Armistício de Atenas”, que, de acordo com a direção do PO, pedia a reintegração de Altamira e seus apoiadores ao partido, uma continuação da discussão no comitê nacional, o fim dos processos judiciais de ambos os lados, uma investigação sobre as acusações de espionagem e o fim da “campanha eleitoral paralela” do grupo de Altamira.

A última solicitação foi a mais importante para a liderança do PO, que está preocupada que a campanha do grupo de Altamira nas eleições sobre as suas próprias palavras de ordem poderia perturbar seu esforço por cargos parlamentares.

A declaração afirma que o grupo de Altamira se recusou a aceitar o acordo e terminou a discussão, dizendo que responderia mais tarde por escrito.

Esta declaração provocou uma resposta de Michael-Matsas, que disse que as considerações levantadas estavam “marcadas por uma série de erros factuais e, em nossa opinião, interpretações incorretas de alguns outros fatos”.

Michael-Matsas não se incomodou em dizer quais erros factuais foram cometidos e que outros fatos foram incorretamente interpretados, indicando que iria se pronunciar mais sobre o assunto após o fim do acampamento de verão do EEK. Até agora, não houve mais nada do autor de “O Armistício de Atenas”.

O grupo de Altamira respondeu com uma declaração própria, denunciando a direção oficial por “provocar”, “difamar”, “assediar”, “ameaçar” e “censurar” sua fração.

Apesar das denúncias críticas, o que claramente aparece do processo sórdido em Atenas é que não há genuínas diferenças de princípios entre as duas frações, apenas uma amarga luta sobre métodos organizacionais e táticas eleitorais dentro de um partido dominado pelo nacionalismo pequeno-burguês e oportunismo.

A assim chamada corrente internacional do PO, com o charlatão político Michael-Matsas na liderança, provou-se totalmente incapaz de fornecer qualquer análise da razão objetiva do racha ou tirar quaisquer lições da disputa no que é de longe o maior grupo do “Comitê Coordenador para a Refundação da Quarta Internacional”.

O que chama a atenção sobre o racha do Partido Obrero é que nenhuma das frações tem algo a dizer sobre a perspectiva internacional e as afiliações do partido, ou, ainda, sobre virtualmente qualquer coisa que ocorra fora das fronteiras da Argentina.

O caráter reacionário desse provincianismo nacional encontra sua expressão mais aguda na escolha dos aliados internacionais do PO. Ao longo de cerca de 45 anos, o partido envolveu-se em várias alianças que anunciavam “reconstruir” ou “refundar” a Quarta Internacional, todas baseadas em um acordo explícito para rejeitar toda a história da Quarta Internacional e, em particular, a longa luta contra as tendências revisionistas antitrotskistas – principalmente o pablismo e o shachtmanismo – que buscavam liquidá-la.

As tentativas de construir organizações internacionais dessa maneira – assim como no entendimento comum de que cada uma das seções envolvidas teria a liberdade para levar adiante suas próprias políticas nacionais – desmoronaram-se inevitavelmente. Esse foi o caso da aliança do PO com a Organização Comunista Internacional (OCI) de Pierre Lambert no início dos anos 1970 e a posterior tentativa de curta duração de consolidar uma aliança com Nahuel Moreno.

A última tentativa de uma aliança como essa, realizada na conferência de Buenos Aires de abril de 2018, no entanto, representou o mais explícito repúdio do trotskismo.

Como dissemos em nossa análise anterior da conferência de Buenos Aires, “A pretensão de ‘refundar’ a Quarta Internacional em aliança com o stalinismo deve ser tomada como um alerta à classe trabalhadora. Ela representa uma tentativa de forjar novos instrumentos políticos para subordinar a classe trabalhadora à burguesia justamente em um momento em que a luta de classes está ressurgindo em todos os continentes”.

Por trás do racha no Partido Obrero, apesar de todas as críticas amargas de ambas as frações, encontra-se uma orientação nacionalista pequeno-burguesa que inevitavelmente foi responsável por isso. A virada para o stalinismo russo – representando mais uma etapa de putrefação daquilo que Trotsky descreveu como uma agência contrarrevolucionária do imperialismo – abre caminho para alianças com setores da burguesia argentina e até com forças de direita para reprimir as lutas da classe trabalhadora na Argentina.

A questão decisiva para todos aqueles na Argentina e em toda a América Latina que procuram defender o trotskismo é assimilar as lições da luta de 66 anos do Comitê Internacional contra o revisionismo pablista. Essa tendência antitrotskista desempenhou um papel político imensamente destrutivo em toda a região, desde a promoção do castrismo e da guerra de guerrilha, passando pelas tentativas de subordinar a classe trabalhadora ao Partido dos Trabalhadores no Brasil e a várias tendências nacionalistas burguesas, como o “socialismo bolivariano”, até as alianças eleitorais oportunistas do PO e de várias frações morenistas na Argentina. Nós chamamos os leitores do World Socialist Web Site na Argentina e em toda a América Latina a estudarem os documentos dessa longa luta e a se juntarem à luta para construir seções do CIQI a partir desses princípios políticos.