Os 75 anos das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki

8 Agosto 2020

Publicado originalmente em 6 de agosto de 2020

Hoje completam-se 75 anos de um dos mais terríveis crimes de guerra jamais cometidos pelo imperialismo contra uma população civil indefesa, o bombardeio atômico de Hiroshima.

Há poucas evidências de que o aniversário deste ato criminoso, que apresentou à humanidade os horrores das nuvens de cogumelos, o envenenamento por radiação e a perspectiva de aniquilação global, receberá qualquer comemoração oficial significativa. No entanto, sua relevância nunca foi tão grande, pois, por trás das costas do povo dos Estados Unidos e do mundo, o imperialismo estadunidense está construindo um arsenal nuclear maciço e levando adiante uma doutrina de guerra nuclear agressiva.

Às 8h15, do céu claro da manhã de 6 de agosto de 1945, o Enola Gay, um bombardeiro B-29 dos EUA, lançou uma bomba atômica, chamada de “Little Boy”, sobre a cidade japonesa de Hiroshima e seus 250 mil habitantes.

Com uma explosão equivalente a entre 15 e 20 quilotoneladas de TNT, o poder destrutivo da bomba foi vários milhares de vezes maior do que qualquer armamento usado anteriormente em uma guerra. Seus efeitos foram terríveis.

Estima-se que 80.000 pessoas morreram instantaneamente ou em poucas horas, vaporizadas, incineradas ou terrivelmente queimadas pela tempestade de fogo desencadeada pela bomba, que, juntamente com a onda de choque que produziu, arrasou a cidade. Apenas três dias depois, um bombardeiro dos EUA lançou uma segunda bomba atômica sobre a cidade de Nagasaki, matando outras 40.000 pessoas. Entre os dois ataques, o número de vítimas que morreram instantaneamente ou ao longo de dias e semanas devido a queimaduras, ferimentos e doenças por radiação é estimado entre 250.000 e 300.000, 90% delas civis.

Os relatos dos sobreviventes de Hiroshima apresentaram um retrato infernal da morte em massa e do sofrimento humano.

O Dr. Michihiko Hachiya descreveu a cena inimaginável após o bombardeio: “Os bondes estavam de pé e no interior estavam dezenas de corpos, enegrecidos e impossíveis de serem reconhecidos. Vi reservatórios de água para incêndios repletos de cadáveres que pareciam ter sido fervidos vivos... Havia as sombras de pessoas, algumas das quais pareciam fantasmas ambulantes. Outras se moviam como se estivessem sofrendo, como espantalhos, com seus braços estendidos com antebraços e mãos balançando. Essas pessoas me intrigaram até que de repente percebi que tinham sido queimadas e que estavam com os braços estendidos para evitar o contato doloroso com o corpo em carne viva.”

Outro sobrevivente escreveu que testemunhou “Centenas de pessoas ainda vivas... perambulando vagamente. Alguns estavam meio mortos, contorcendo-se em sua miséria... Eles não eram mais do que cadáveres vivos.”

O padre Wilhelm Kleinsorge, um jesuíta alemão, falou que encontrou um grupo de soldados cujos “rostos estavam totalmente queimados, seus olhos estavam ocos, o fluido de seus olhos derretidos havia escorrido pelas bochechas... Suas bocas estavam inchadas, feridas e cobertas de pus, que não podiam esticar o suficiente para admitir um bico de bule.”

A Segunda Guerra Mundial, o conflito mais brutal e sangrento da história da humanidade, matou 70 milhões de pessoas. Testemunhou atrocidades que superaram os piores pesadelos da humanidade. O extermínio de populações civis foi realizado como política de estado, culminando com o assassinato de seis milhões de judeus pelos nazistas.

O próprio regime imperial japonês foi responsável por hediondos crimes de guerra buscando a hegemonia imperialista japonesa sobre a Ásia. Entre esses crimes está o massacre de Nanjing, no qual o exército japonês massacrou até 300.000 soldados e civis chineses capturados em 1937.

Um crime de guerra calculado e justificado com mentiras

Ainda assim, a barbárie dos bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki se destaca pelo cálculo frio na aniquilação das populações civis sem qualquer justificativa militar e pelas mentiras descaradas que foram usadas para justificar o crime.

Um dos primeiros a denunciar os bombardeios como crimes de guerra foi o trotskista estadunidense James P. Cannon, o fundador do movimento trotskista nos EUA. Em 22 de agosto de 1945, em uma reunião em memória de Leon Trotsky (assassinado por um agente stalinista no México em 21 de agosto de 1940) em Nova York, disse: “Em dois golpes calculados, com duas bombas atômicas, o imperialismo dos EUA matou ou feriu meio milhão de seres humanos. Os jovens e os velhos, a criança no berço e os idosos e enfermos, os recém casados, os saudáveis e os doentes, homens, mulheres e crianças – todos tiveram que morrer com dois golpes por causa de uma briga entre os imperialistas de Wall Street e uma gangue parecida no Japão... Que atrocidade inacreditável! Que vergonha chegou aos EUA, os EUA que uma vez colocaram em Nova York uma Estátua da Liberdade iluminando o mundo. Agora o mundo retrocede horrorizado com o seu nome.”

Ele continuou: “Há muito tempo, os marxistas revolucionários disseram que a alternativa diante da humanidade era ou o socialismo ou uma nova barbárie, que o capitalismo ameaça cair em ruínas e arrastar com ele a civilização. Mas à luz do que aconteceu nesta guerra e está previsto para o futuro, acho que podemos dizer agora que a alternativa se tornou ainda mais clara: A alternativa diante da humanidade é o socialismo ou a aniquilação! Ou o capitalismo continua existindo ou a raça humana sobrevive neste planeta”.

A administração do presidente Harry Truman, que ordenou os bombardeios atômicos, vendeu-os ao público dos EUA como um meio necessário e até mesmo humanitário para forçar a rendição de Tóquio e assim evitar uma sangrenta invasão do Japão.

Para uma população dos EUA cansada da guerra, que celebrou o Dia da Vitória na Europa e a derrota do nazismo três meses antes do bombardeio, o argumento de Truman se mostrou eficaz. Foi ordenada a transferência de até um milhão de soldados dos campos de batalha da Europa para a guerra no Pacífico. Além disso, os militares dos EUA esconderam a extensão do massacre em Hiroshima e Nagasaki.

Mas as alegações de Truman de que os bombardeios haviam salvado o que ele descreveu como “250.000”, “500.000” e até mesmo “1 milhão” de vidas estadunidenses eram uma mentira. Isso não foi apenas a conclusão dos críticos de esquerda do imperialismo dos EUA ou historiadores “revisionistas”, mas a de altas autoridades de sua própria administração e dos militares dos EUA, que estavam certos que o Japão estava preparado para se render sem um ataque atômico ou uma invasão.

O general Dwight D. Eisenhower, o comandante supremo dos aliados na Europa e futuro presidente dos EUA, escreveu em suas memórias a sua reação quando o Secretário de Guerra Henry Lewis Stimson lhe contou sobre os bombardeios que estavam planejados: “Durante sua apresentação dos fatos relevantes, eu estava consciente de um sentimento de depressão e por isso lhe expressei minhas sérias dúvidas, primeiro com base em minha crença de que o Japão já estava derrotado e que lançar a bomba era completamente desnecessário, e segundo porque eu pensava que nosso país deveria evitar chocar a opinião mundial pelo uso de uma arma cujo emprego, eu pensava, não era mais obrigatório como medida para salvar vidas estadunidenses”.

O Almirante William Leahy, chefe de gabinete do presidente Truman, foi ainda mais contundente, escrevendo em 1950: “O uso desta arma bárbara em Hiroshima e Nagasaki não foi de nenhuma ajuda material em nossa guerra contra o Japão... Sendo os primeiros a usá-la, nós... adotamos um padrão ético comum aos bárbaros da Idade das Trevas. Não fui ensinado a fazer a guerra dessa maneira e as guerras não podem ser vencidas com a destruição de mulheres e crianças.”

E, em 1949, o comandante das Forças Aéreas do Exército, general Henry “Hap” Arnold, confidenciou: “Sempre nos pareceu que com uma bomba atômica ou nenhuma bomba atômica os japoneses já estavam à beira do colapso”.

Em 1945, Washington estava interceptando a transmissão de telegramas japoneses e estava bem ciente de que o regime imperial estava desde a primavera daquele ano buscando uma forma aceitável de rendição, com o próprio imperador japonês preparado para intervir com seus militares em apoio ao fim da guerra. Os Estados Unidos, no entanto, repudiaram os defensores da paz japoneses, exigindo uma “rendição incondicional”. A única condição sobre a qual o Japão havia insistido era que o imperador Hirohito continuasse no trono e não fosse julgado, como os líderes sobreviventes do Terceiro Reich da Alemanha, como um criminoso de guerra. No final, os EUA concordaram de qualquer maneira com isso.

Em 1946, foi concluída a Pesquisa Estratégica de Bombardeios dos Estados Unidos, um conselho consultivo criado pelo Departamento de Guerra: “Mesmo sem os ataques atômicos, a supremacia aérea sobre o Japão poderia ter exercido pressão suficiente para provocar a rendição incondicional e evitar a necessidade de invasão... O Japão teria se rendido mesmo que as bombas atômicas não tivessem sido lançadas, mesmo que a Rússia não tivesse entrado na guerra [contra o Japão] e mesmo que nenhuma invasão tivesse sido planejada ou considerada.”

A bomba atômica e o impulso para a hegemonia dos EUA

Se os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki não foram necessários para colocar fim à Segunda Guerra Mundial, eles representaram passos decisivos em direção a uma Terceira Guerra Mundial, impulsionados pela tentativa implacável do imperialismo dos EUA de impor sua hegemonia global.

Os bombardeios foram, em sentido literal, atos de terror. Hiroshima foi escolhida como alvo precisamente porque sua população não havia sido submetida aos bombardeios convencionais e, portanto, podia servir de cobaia para demonstrar os efeitos terríveis da nova arma. As minutas do Comitê Interino formado para decidir o uso da bomba declara que havia um acordo de que ela deveria ser utilizada com o objetivo de produzir “uma profunda impressão psicológica” e que “o alvo mais desejável seria uma importante instalação de guerra que empregasse um grande número de trabalhadores e estivesse estreitamente rodeada de casas de trabalhadores”.

Isso representou uma intimidação não apenas para o povo do Japão, mas ao mundo inteiro e, em primeiro lugar, a União Soviética, juntamente com a classe trabalhadora e os povos oprimidos de todos os países.

Os EUA, o Reino Unido e a União Soviética haviam sido aliados na guerra contra a Alemanha nazista. No entanto, enquanto os EUA e o Reino Unido estavam em guerra com o Japão, Moscou e Tóquio mantiveram um pacto de neutralidade de 1941 até 1945.

Na conferência de Yalta, na qual participaram o presidente dos EUA Franklin D. Roosevelt, o primeiro-ministro britânico Winston Churchill e o premier soviético Joseph Stalin em fevereiro de 1945, Stalin concordou em romper o pacto de neutralidade e entrar em guerra contra o Japão três meses após a derrota da Alemanha nazista. A intervenção soviética foi vista como decisiva para assegurar uma rápida derrota do Japão. Por causa dos sacrifícios e ganhos militares do Exército Vermelho, Stalin pressionou para que se reconhecesse uma esfera de influência soviética na Europa Central e Oriental, bem como o controle sobre a Mongólia e territórios asiáticos retirados de Moscou na Guerra Russo-Japonesa de 1905.

Em abril de 1945, Moscou informou Tóquio que estava rompendo seu acordo de neutralidade e estabeleceu 8 de agosto como a data para entrar na guerra contra o Japão.

Embora agora supostamente do mesmo lado na guerra contra o Japão, como na guerra contra a Alemanha, as tensões entre as potências imperialistas, os EUA e o Reino Unido, e a União Soviética estavam crescendo de forma progressiva. Apesar da degeneração stalinista da URSS, na qual a burocracia stalinista usurpou o poder político da classe trabalhadora, as relações de propriedade nacionalizadas estabelecidas pela Revolução de outubro de 1917 permaneceram. E apesar dos maiores esforços de Stalin para acomodar as potências imperialistas, nem a elite governante britânica nem a estadunidense jamais aceitaram a existência dessas relações de propriedade, que temiam ainda poder inspirar uma revolução internacional.

Em julho de 1945, os líderes dos EUA, do Reino Unido e da União Soviética se reuniram novamente em Potsdam, na Alemanha. A conferência havia sido adiada por iniciativa de Truman, que assumiu a presidência dos EUA após a morte de Roosevelt, em abril de 1945. Truman estava jogando com o tempo, querendo um teste bem sucedido da bomba atômica antes de começar as negociações com Stalin.

O tom do novo presidente dos EUA em Potsdam mudou marcadamente daquele de Roosevelt em Yalta. Truman exaltou que a bomba atômica – primeiro testada com sucesso em Alamogordo, Novo México, em 16 de julho de 1945 – havia lhe dado “um martelo naqueles rapazes”, referindo-se aos soviéticos, e se tornou mais agressivo e arrogante em suas negociações com Stalin, que estava bem informado sobre a nova arma dos EUA por informantes soviéticos que trabalhavam no Projeto Manhattan.

A Conferência de Potsdam terminou com um ultimato de que o Japão se renderia imediata e incondicionalmente ou enfrentaria “destruição imediata e total”. Esse ultimato foi escrito de modo a garantir que não fosse aceito por Tóquio, tendo sido assinado pelos EUA, o Reino Unido e a China de Chiang Kai-shek, mas não pela União Soviética.

O que se viu depois foi uma corrida para lançar as bombas. As datas alvo foram escolhidas não por qualquer necessidade militar para derrotar o Japão, mas para antecipar o impacto da entrada da União Soviética na guerra do Pacífico. Washington queria evitar uma expansão da influência soviética na Ásia e no próprio Japão. Assim, a primeira bomba foi lançada em 6 de agosto, dois dias antes dos soviéticos iniciarem suas operações militares, e a segunda em 9 de agosto, um dia após a intervenção soviética e antes mesmo do governo japonês ter tempo para compreender ou responder à aniquilação de Hiroshima.

Ao terminar a Segunda Guerra Mundial com os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki, o imperialismo dos EUA desmentiu todas as alegações de que havia entrado na guerra para lutar pela democracia e derrotar o fascismo e o militarismo. Enquanto milhões de trabalhadores estadunidenses foram para a guerra motivados por tais sentimentos democráticos, a elite capitalista dominante tinha objetivos muito diferentes em mente.

Como o historiador Gabriel Jackson corretamente observou: “... o uso da bomba atômica mostrou que um chefe de estado psicologicamente muito normal e eleito democraticamente poderia usar a arma da mesma forma que o ditador nazista a teria usado. Desta forma, os Estados Unidos – para qualquer pessoa preocupada com as distinções morais dos diferentes tipos de governo – apagaram a diferença entre fascismo e democracia.”

Quaisquer que fossem os grandes contrastes políticos entre a configuração democrática burguesa em Washington e o regime nazista em Berlim, ambos estavam buscando objetivos de guerra imperialista: para Berlim, era hegemonia sobre a Europa; para Washington, era hegemonia sobre o mundo.

No final, a bomba atômica provou não ser o “martelo” que Truman havia esperado. Em agosto de 1949, a União Soviética havia testado sua própria bomba atômica. A tentativa de terrorismo atômico dos EUA também não conseguiu deter a revolução chinesa de 1949 ou conter a maré de lutas anticoloniais em massa que aconteceram após a Segunda Guerra Mundial.

A ameaça de guerra nuclear

Embora a administração Truman tivesse considerado o uso de bombas atômicas na Guerra da Coréia, recuou por medo de desencadear uma guerra nuclear com a Rússia. O general Douglas MacArthur, comandante das forças dos EUA na Coréia, continuou a pressionar para que essas armas fossem utilizadas.

Tanto na crise de Berlim de 1961 como na crise dos mísseis cubanos de outubro de 1962, a administração dos EUA do presidente John Kennedy levou o mundo à beira de uma guerra nuclear apocalíptica. Da mesma forma, as ameaças de um conflito nuclear que poderia ter colocado um fim à sociedade humana foram evitadas em várias ocasiões durante a escalada armamentista dos EUA no auge da Guerra Fria no início da década de 1980.

A realidade é que para cada administração dos EUA desde Truman, tanto democrata quanto republicana, a opção da guerra nuclear sempre esteve “sobre a mesa”.

Com a dissolução da União Soviética e o fim da Guerra Fria há quase três décadas, foi compartilhada a ideia de que a ameaça de um holocausto nuclear passou para segundo plano. Não poderia haver ilusão mais perigosa.

Após décadas de guerras que mataram milhões de pessoas em antigos países coloniais, da Coréia e Vietnã ao Iraque, Afeganistão, Líbia e Síria, o imperialismo dos EUA mudou sua doutrina militar da chamada “guerra ao terror” para a preparação para um conflito com as “grandes potências” nucleares Rússia e China.

O governo Obama lançou um programa de modernização de armas nucleares de US$ 1 trilhão que foi acelerado sob Trump, enquanto praticamente todos os tratados de controle de armas nucleares foram eliminados.

A imprudência da política externa dos EUA, impulsionada pela crise interna do capitalismo dos EUA e pela tentativa desesperada de Washington de recuperar a hegemonia global por meios militares, escalou perigosamente, desde as provocadoras investidas navais dos EUA no Mar do Sul da China até a ameaça de estacionar tropas estadunidenses na fronteira entre a Polônia e a Rússia.

Os estrategistas militares dos EUA de hoje consideram que a guerra nuclear não só é legítima, como também pode ser vencida. Armas nucleares de baixo poder destrutivo, chamadas armas nucleares táticas, menores do que as lançadas sobre Hiroshima e Nagasaki, estão sendo produzidas e destacadas sob o pretexto de que podem ser utilizadas para aniquilar exércitos sem desencadear uma guerra nuclear em larga escala. Entretanto, a lógica de um conflito envolvendo o uso de qualquer arma nuclear é a de uma escalada fora de controle em direção a uma guerra global.

A produção de tais armas representa uma ameaça não apenas aos inimigos externos de Washington. Com as autoridades dos EUA já respondendo aos protestos em massa definindo as ruas do país como um “espaço de batalha” a ser “dominado” pela força militarizada, não se pode de forma alguma excluir que a classe dominante estadunidense tentaria utilizar tais armas terríveis contra um levante revolucionário da classe trabalhadora dos EUA.

Em um artigo de 3 de agosto no conceituado periódico de política externa Foreign Affairs, o ex-primeiro ministro australiano Kevin Rudd apontou os recentes fechamentos de consulados e os chamados de autoridades dos EUA para a derrubada do Partido Comunista Chinês, escrevendo:

“A pergunta que agora está sendo feita, silenciosa mas nervosamente, nas capitais de todo o mundo é: onde isso vai acabar? O outrora impensável conflito armado entre os Estados Unidos e a China – parece possível pela primeira vez desde o fim da Guerra da Coréia. Em outras palavras, estamos enfrentando a perspectiva não apenas de uma nova Guerra Fria, mas também de uma guerra quente.”

Se isto é o que está sendo perguntado “em silêncio, mas nervosamente” em todas as capitais, claramente a verdadeira questão não é se tal guerra – contra a China, a Rússia ou mesmo os antigos aliados do imperialismo dos EUA na Europa – virá, mas quando, e o que pode ser feito para detê-la.

A pandemia de COVID-19 e o aprofundamento da crise econômica só intensificaram o desespero e a imprudência da classe dominante dos EUA. As ameaças de guerra e a própria guerra tornam-se uma maneira de levar para fora dos EUA as imensas pressões sociais e políticas que se acumulam dentro do país.

A ameaça de uma nova guerra mundial e aniquilação nuclear é maior hoje do que em qualquer outro momento desde as atrocidades de Hiroshima e Nagasaki. Uma verdadeira comemoração dos 75 anos dos bombardeios atômicos do Japão e a homenagem às centenas de milhares de vítimas inocentes só é possível através da construção de um poderoso movimento antiguerra da classe trabalhadora dos EUA e internacional como parte da luta global pelo socialismo.

Bill Van Auken