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A COVID-19 intensifica a luta de classes na Austrália

O discurso seguinte foi feito por Cheryl Crisp durante o Ato Online Internacional de Primeiro Maio de 2021, realizado pelo World Socialist Web Site e pelo Comitê Internacional da Quarta Internacional. Crisp é secretária nacional do Partido Socialista pela Igualdade da Austrália.

 

Em nome do SEP Austrália, eu dou as boas-vindas ao público mundial.

O ano passado foi como nenhum outro. A disseminação da COVID-19 transformou as vidas de bilhões de pessoas em todo o mundo. Mais de 3 milhões já morreram. Os eventos na Índia, Brasil, EUA e Europa mostram, que a pandemia está longe de estar sob controle. Este ano, o vírus se espalhou ainda mais rapidamente, tornou-se mais mortal, e as condições de vida do A classe trabalhadora em todo o mundo se deterioraram ainda mais. Isso não era inevitável, mas o Resultado de políticas deliberadas de governos capitalistas.

A Austrália e a Nova Zelândia são elogiadas como países em que o governo derrotou a doença. Nada poderia ser mais mentiroso. A política implementada pelo governo conservador Morrison não foi diferente de qualquer outra. O governo impôs um lockdown e quarentenas somente por causa de das demandas dos trabalhadores e do medo do desenvolvimento de uma resistência mais ampla.

Cheryl Crisp

A baixa taxa de infecção poderia mudar rapidamente. Os recentes surtos em todas as capitais dos estados australianos são um aviso disso. O programa de imunização do governo é um fiasco. Apenas 5% da população recebeu sua primeira dose, e não há dados sobre aqueles totalmente vacinados. Entretanto, a classe dominante exige fronteiras abertas, tanto estaduais como nacional, apesar da propagação descontrolada de novas variantes do vírus.

Este governo é enormemente fraco. Em janeiro de 2020, no início da pandemia, ele era odiado por grande parte da população, por causa do seu desinteresse criminoso pelas graves conseqüências dos piores incêndios florestais da história da Austrália. Morrison e sua administração foram incapazes de reagir à emergência da pandemia de COVID-19.

Na verdade, um dos primeiros atos do governo foi a formação de um gabinete nacional composto por representantes do governo federal e líderes e todos os estados e territórios, a maioria dos quais pertence ao Partido Trabalhista. Esse gabinete substituiu o parlamento que, em 2020, pouco se reuniu por seis meses.

Esse governo, na prática, de unidade nacional incluiu o Partido Trabalhista, mas também os sindicatos, que, sob o pretexto da pandemia, prometeram cooperar com o governo. Sally McManus, a secretária do ACTU, o principal órgão sindical na Austrália, colaborou diariamente com os ministros do governo para garantir a destruição das conquistas mais elementares da classe trabalhadora, tais como a eliminação de horas-extras remuneradas para milhões, de horas de trabalho regulamentadas e escalas de salário.

Entretanto, o parlamento reuniu-se o tempo suficiente para para adotar quatro pacotes de estímulo econômico, com mais de 400 bilhões de dólares dos cofres públicos sendo transferidos para corporações e grandes empresas. Isso foi dez vezes mais do que durante a crise financeira de 2008/2009. O SEP advertiu que os pacotes de estímulo seriam pagos aumentando a exploração da classe trabalhadora e os ataques implacáveis contra a classe trabalhadora Isto foi confirmado.

A pandemia deu origem a uma ascensão meteórica das bolsas de valores internacionalmente e também aqui. O número e as fortunas dos bilionários australianos aumentaram. Desde 2019, enquanto a taxa de desemprego e subemprego subiu para 26%, um nível recorde desde a Depressão de 1930, a riqueza dos 10 australianos mais ricos cresceu em mais de 44% e o número de bilionários aumentou em 25%.

Depois das doações do governo para o programa JobKeeper finalizado no final de março de 2021, o total de salários caiu 3,1% nos primeiros 14 dias O número de empregos permanentes caiu quase 2%. Estas são apenas as primeiras consequências do fim dos subsídios completamente inadequados e a redução dos benefícios sociais.

Isto irá exacerbar processos que já estão em andamento há décadas. O ACTU divulgou um relatório esta semana, que, em si, expõe seu próprio papel. Ele delineia o impacto dos ataques sobre os salários nos últimos 40 anos. O relatório diz:

"O crescimento salarial ... está agora no nível mais baixo desde o início dos registros. Se a proporção dos salários no PIB tivesse permanecido no nível dos anos 70, ele seria 200 bilhões de dólares maior em 2019, ou uma renda adicional de 15 mil dólares em média para cada australiano empregado".

Em meio à austeridade, Morrison aumentou as despesas militares em quase 30%, para um montante recorde de 575 bilhões nos próximos dez anos, incitando ao mesmo tempo sentimentos anti-chineses como parte dos claros preparativos para a guerra.

Mas aqui, como em muitos outros países os trabalhadores tem resistido a estas condições. Isto foi claramente expresso em novembro passado quando a cadeia de supermercados Coles, um dos maiores grupos da Austrália, planejando fechar vários armazéns, Bloqueou 350 trabalhadores de entrar no armazém da Smeaton Grange em Sydney.

Isto marcou o início de uma luta de 14 semanas, na qual os trabalhadores votaram mais de 10 vezes contra a oferta do sindicato e da empresa. O United Workers Union (UWU) se recusou a organizar um fundo de greve para forçar os trabalhadores a se submeterem. Eles isolaram o conflito, mesmo de outros trabalhadores da Coles.

Foi somente por conta do WSWS e do SEP que os trabalhadores em instalações da Coles em outros estados decobriram sobre o bloqueio. O SEP lutou por uma ruptura com o sindicato e a criação de comitês de base independentes, para coordenar uma luta unida com outros trabalhadores na Austrália e no mundo inteiro.

Tudo foi feito contra esses trabalhadores para para levá-los de volta ao trabalho. Em um vídeo revelador, Um dos gerentes do Coles, Matthew Swindells, anunciou uma extensão do bloqueio em retaliação contra o voto "não" dos trabalhadores. Ele dirigiu sua raiva contra eles e o SEP porque haviam lutado contra a traição do sindicato.

Swindells disse: "Por causa do voto no não, não há plano”. “Os únicos que têm um plano alternativo são” “os socialistas extremistas que se infiltraram no conflito”. “Eles propõem esse objetivo maior, que é” “contra as grandes empresas e contra os bancos.” “Eles estão pressionando esses objetivos agora.” “São pessoas sem rosto que nem mesmo” “fazem parte do sindicato.” “Aliás, estas são pessoas anti-sindicalistas,” “que ficam nos piquetes distribuindo panfletos".

Ou seja, em um vídeo da empresa que desde então foi derrubado, Swindells defende o sindicato contra as críticas socialistas. Sem querer, Swindells revelou a aliança entre o sindicato e a empresa contra os trabalhadores e que a empresa vê o UWU como um parceiro importante na promoção de seus objetivos. Essa conspiração ocorre em todos os locais de trabalho ao redor do mundo. Os sindicatos não são organizações de trabalhadores. Eles são os policiais do capitalismo contra os seus próprios membros. Sem uma ruptura completa com estes cães de guarda das empresas, os trabalhadores ficam presos aos interesses de de sua classe dominante nacional.

Portanto, o Comitê Internacional da Quarta Internacional chama pela fundação da Aliança Operária Internacional de Comitês de Ação, instrumento com o qual os trabalhadores podem lutar por seus interesses independentes. Com estes comitês administrados democraticamente, os trabalhadores podem coordenar e colaborar, organizados em toda a sua indústria em seu país e internacionalmente. As comunidades locais também podem coordenar a sua reação contra as conseqüências da crise em seus bairros e cidades.

Essa luta deve ser travada internacionalmente contra o sistema que criou esse desastre: O capitalismo. Somente a CIQI luta pela transformação socialista do sociedade, e eu os convido a se juntarem ao CIQI hoje.

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