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As forças-tarefas de Sanders e Biden e o fracasso da “revolução política” de Sanders

Publicado originalmente em 11 de julho de 2020

A revelação das propostas da "força-tarefa conjunta" de Bernie Sanders e Joe Biden para a plataforma de candidatura à presidência do Partido Democrata em 2020 completou o fim da suposta "revolução política" de Sanders.

A iniciativa da força-tarefa conjunta foi anunciada pela primeira vez quando Sanders declarou seu apoio a Biden em meados de abril. As forças-tarefas eram compostas por membros das campanhas de Sanders e Biden, incluindo dois membros dos Socialistas Democráticos dos EUA (DSA): Alexandria Ocasio-Cortez e Sara Nelson, presidente da Associação de Comissários de Bordo - CWA. A iniciativa teve como objetivo a promoção da "unidade partidária" antes das eleições.

O resultado da colaboração Biden-Sanders é um repúdio completo de todos os pilares centrais da campanha de Sanders em meio à maior catástrofe social e econômica na história dos EUA.

O mais notável entre as propostas é a ausência do programa de saúde gratuita de Sanders, o "Medicare for all", que foi substituído por chamados pela reabertura dos "mercados do Affordable Care Act [uma lei proposta pela administração Obama que diminuiu o acesso à saúde nos EUA]" e oferecer a opção de tratamento em um sistema de saúde público. A proposta de redução da idade mínima para entrada no Medicare de 65 para 60 anos tem o objetivo de fornecer a Biden uma imagem "progressista" em relação à saúde. Há apenas quatro anos, a campanha de Hillary Clinton havia exigido a redução da idade mínima do Medicare para 50 anos de idade.

Outras propostas de políticas centrais da campanha de Sanders que foram abandonadas incluem a garantia de empregos no governo federal, o “Green New Deal”, - uma série de medidas que lidariam com as mudanças climáticas - a mensalidade gratuita nas universidades e a abolição do Departamento de Imigração e Alfândega (ICE).

Ao invés disso, as recomendações não obrigatórias para a plataforma do Partido Democrata consistem em declarações vazias sobre a garantia de "equidade" para todos os estadunidenses e pequenas reformas políticas que o Partido Democrata não possui a intenção de implementar.

A plataforma do Partido Democrata não possui qualquer importância prática em todo caso. Muitos jovens e trabalhadores lembrarão que, no momento em que Sanders apoiou Hillary Clinton, ele declarou que ela e o partido haviam adotado a "plataforma partidária mais progressista da história".

Sanders, que está provando ser o maior defensor do Partido Democrata, está declarando novamente seu apoio antes das eleições de 2020. Após o anúncio das propostas da força-tarefa, Sanders chegou ao ponto de prever que Biden poderia se tornar o "presidente mais progressista" desde Franklin D. Roosevelt.

Quem ele pensa estar enganando? Biden tem uma história de quase 50 anos de cumprimento dos ditados da classe dominante. Ele apoiou a guerra do Iraque e o fim das restrições sobre a especulação financeira da lei Glass-Steagall. Ele ajudou a aprovar uma legislação que levou ao encarceramento em massa das camadas mais pobres e oprimidas da população. Se eleito, um governo Biden, com a participação de muitos dos envolvidos na iniciativa de "união", presidirá uma intensificação da austeridade, novos ataques aos direitos democráticos e uma expansão da guerra e do militarismo.

A submissão de Sanders antes da campanha de Biden era inteiramente previsível e de acordo com a natureza de sua campanha. Ao mesmo tempo em que a realidade demonstrava claramente a necessidade do socialismo, a resposta de Sanders foi se movimentar cada vez mais para a direita.

Os acontecimentos dos últimos quatro meses em particular merecem ser retomados.

O último ato da campanha de Sanders foi o seu voto no senado a favor da lei CARES de 2,2 trilhões de dólares em 25 de março. Antes de votar "sim" no projeto de lei no senado, Sanders a elogiou como uma bênção para os trabalhadores. Na realidade, o projeto de lei foi um enorme benefício para as corporações estadunidenses, que permitiu o direcionamento de US$ 6 trilhões para manter a bolsa de valores funcionando e cobrir quaisquer perdas sofridas pelas grandes corporações.

Em 8 de abril, quando os casos de coronavírus nos EUA estavam atingindo seu primeiro pico e os hospitais estavam sendo sobrecarregados, Sanders anunciou que havia desistido da disputa, e realizou uma discussão com Biden em 13 de abril, na qual o promoveu.

Sua capitulação a Biden foi seguida de uma entrevista com a Associated Press, na qual ele chamou de "irresponsável" qualquer um de seus apoiadores que não estivesse a favor da campanha de Biden. Apenas um dia antes, Biden havia aderido à campanha pelo "retorno ao trabalho" de Trump, enquanto o número de mortos por COVID-19 nos EUA chegava a 10 mil.

Logo depois, ex-assessores principais da campanha de Sanders aproveitaram a sua estrutura organizativa para lançar um novo comitê de campanha, "Future to Believe In", com o objetivo de direcionar recursos para a candidatura de Biden.

Em 23 de maio, enquanto o número de mortos por COVID-19 nos EUA estava se aproximando de 100 mil e a riqueza dos super-ricos crescia, a equipe política de Sanders emitiu uma ameaça aos seus delegados: eles seriam afastados de seus cargos se criticassem Biden ou outros líderes do Partido Democrata.

Dois dias depois, George Floyd foi brutalmente assassinado pela polícia, provocando protestos multirraciais e multi-étnicos em massa contra a brutalidade policial nos EUA e em todo o mundo. Respondendo aos protestos, Trump tentou dar um golpe, que envolveria a mobilização de tropas da ativa para suprimir os protestos e estabelecer uma ditadura presidencial.

Em resposta a esses acontecimentos, Sanders ficou em silêncio. Quando finalmente abordou a situação, ele pediu que os policiais recebessem um aumento de salário.

Agora, como resultado direto das políticas bipartidárias do governo, a pandemia está saindo do controle. Nessa semana, mais de 375.000 casos de coronavírus foram relatados nos Estados Unidos, mais do que o número de casos relatados em fevereiro, março e a primeira semana de abril juntos.

Os trabalhadores estão esperando em filas por mais de cinco horas em estados como Flórida e Arizona apenas para serem testados. Muitos estados estão se aproximando da capacidade de leitos de UTI. Mais de 1,3 milhão de pessoas entraram com pedidos de auxílio-desemprego pela primeira vez na semana passada, a 15ª semana consecutiva em que novos casos de desemprego superaram um milhão e mais de seis vezes o número de pessoas que entraram com pedidos no ano passado na mesma semana.

Além disso, há uma pressão cada vez maior para que as escolas busquem uma reabertura imprudente no final do ano e uma resistência massiva está se acumulando nos setores-chave da classe trabalhadora industrial.

Sob essas condições, Sanders escolheu publicar suas propostas de "união".

As ações de Sanders expressam a sua função política - manter a oposição social dentro da estrutura do Partido Democrata. Conforme o WSWS escreveu em fevereiro de 2016: "Sanders não pretende criar uma 'revolução', como ele afirma em seus discursos de campanha, mas impedir uma".

Há muitos grupos dentro e ao redor do Partido Democrata, principalmente os DSA, que passaram os últimos cinco anos promovendo ilusões na campanha do Sanders. Desde o final de sua campanha, os DSA realizaram dezenas de reuniões para pedir que os trabalhadores e os jovens não deixassem o Partido Democrata. Eles explicam que, "Eventualmente", tal rompimento será necessário, "mas não agora". Com a falência da campanha de Sanders, os DSA também expuseram a sua própria falência.

Os trabalhadores e os jovens devem tirar as lições necessárias da experiência com Sanders. Não se trata de provar a falência de Sanders como indivíduo, mas, mais fundamentalmente, a falência da perspectiva política que ele representa - a do reformismo. Cada país capitalista avançado tem sua própria versão de Sanders. No Reino Unido existe o corbinismo, na Grécia existe a experiência com o Syriza e, na Espanha, com o Podemos.

A postura do SEP em relação à campanha de Sanders, e seus análogos ao redor do mundo, é baseada em uma análise marxista científica, historicamente fundamentada, que não parte do que as tendências políticas ou os indivíduos dizem sobre si mesmos, mas de sua história e programa e dos interesses de classe que eles representam.

O único caminho para a classe trabalhadora é baseado em uma política genuinamente revolucionária - não uma "revolução política" para promover o Partido Democrata, mas uma revolução socialista para derrubar o capitalismo.

O Partido Socialista pela Igualdade está realizando sua própria campanha eleitoral para eleger Joseph Kishore e Norissa Santa Cruz presidente e vice-presidente dos Estados Unidos. Estamos conduzindo nossa campanha para levar nosso programa e perspectiva internacionais ao maior público possível de trabalhadores e jovens, nos Estados Unidos e em todo o mundo. Chamamos todos os trabalhadores e jovens para que se juntem a essa campanha e apóiem essa luta.

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