Publicado originalmente em inglês em 14 de abril de 2026
A guerra dos EUA contra o Irã será lembrada como um ponto de virada na crise do imperialismo americano. Após sete semanas de um conflito que já matou milhares de iranianos e quase 2 mil libaneses, o resultado estratégico efetivo foi o oposto do que Washington pretendia. Longe de reafirmar o domínio americano sobre o Golfo Pérsico, a guerra expôs e aprofundou a crescente incapacidade dos Estados Unidos de governar o sistema capitalista global.
O “cessar-fogo” não altera essa realidade. Apenas 10 horas após fazer a ameaça de que “uma civilização inteira morrerá esta noite”, Donald Trump anunciou uma suspensão de duas semanas dos bombardeios, condicionada à “abertura completa, imediata e segura” do Estreito de Ormuz. Em um dia, a suposta trégua desmoronou: Israel, que o gabinete de Netanyahu declarou não estar vinculado ao acordo no Líbano, lançou uma onda devastadora de ataques, matando mais de 300 pessoas em um único dia. O Irã respondeu interrompendo novamente o tráfego em Ormuz. Agora, 21 horas de negociações presenciais em Islamabad fracassaram sem um acordo.
Apesar de mais de 13 mil alvos atingidos e um gasto militar direto estimado entre US$28 e US$45 bilhões — com custos econômicos mais amplos muito maiores —, mesmo os objetivos operacionais mais limitados da campanha dos EUA-Israel permanecem não alcançados. Segundo a Reuters, a inteligência americana pode confirmar a destruição de apenas cerca de um terço do vasto arsenal de mísseis do Irã. Analistas avaliam que o país ainda possui milhares de mísseis balísticos. Enquanto isso, a mudança de regime não se concretizou, apesar do assassinato de dezenas de líderes e do controle americano sobre o petróleo iraniano estar longe de ser alcançado.
O Irã realizou a medida há muito esperada de fechar o Estreito de Ormuz e, ao fazê-lo, descobriu a extensão de seu poder sobre esse ponto de estrangulamento vital da energia global, por onde flui aproximadamente um quinto do petróleo e gás do mundo, bem como outras commodities essenciais, como fertilizantes, hélio e produtos petroquímicos.
O cessar-fogo pouco ou nada fez para restabelecer a passagem normal pelo estreito. Ao invés disso, os governos e as empresas de navegação foram forçados a negociar diretamente com o Irã para obter permissão para movimentar embarcações, enquanto Teerã busca manter sua influência por meio de inspeções, atrasos e taxas. Reportagens da Bloomberg e do Financial Times indicam que alguns desses pagamentos foram feitos em yuan e criptomoedas.
Ao invés de reabrir Ormuz nos termos americanos, a guerra deixou o Irã em posição de controlar o acesso ao corredor energético mais importante do mundo. A medida mais recente de Trump — bloquear completamente o estreito, garantindo que nem mesmo embarcações iranianas possam atravessá-lo — é uma expressão de desespero: se os Estados Unidos não conseguirem controlá-lo, irão arrastar o Irã e toda a economia mundial consigo.
Um aspecto essencial das mensagens contraditórias de Trump ao longo da guerra — ameaçando obliterar a civilização iraniana em um momento e declarando um cessar-fogo no seguinte — é que ele está desnorteado com o fracasso da operação e com a reação dos mercados globais. Trump está tentando encontrar soluções enquanto ganha tempo. O preço à vista do petróleo praticamente dobrou desde o início da guerra. A gasolina nos EUA ultrapassou os US$4 por galão pela primeira vez desde 2022. Os mercados de ações registraram seu pior trimestre desde 2022.
Existe um pânico na classe dominante de que esta guerra resultará em uma vitória para o Irã, levando democratas, como Pete Buttigieg em 10 de abril na CNBC, a sugerir uma escalada ainda maior da guerra para alcançar uma mudança de regime.
Uma crise energética de proporções históricas
Dentro da indústria de petróleo e gás, a visão predominante é que os mercados e os governos — por mais preocupados que estejam — ainda não compreendem a dimensão da crise que se desenrola. Como noticiou a Bloomberg na semana passada, após conversar com mais de três dezenas de investidores, executivos e transportadores, “O mundo ainda não compreendeu a gravidade da situação”.
Fatih Birol, chefe da Agência Internacional de Energia (AIE), disse ao jornal francês Le Figaro que a crise era “mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas”. “Abril será muito pior do que março”, alertou, porque os navios que passavam por Ormuz antes da guerra só agora estão chegando aos seus destinos. “Em abril, não há nada.”
Como os petroleiros se movem lentamente — em torno de 10 a 15 nós, dado o seu tamanho — os últimos carregamentos que saíram do Golfo no final de fevereiro só agora estão chegando aos seus destinos mais próximos, principalmente na Ásia. A crise real no fornecimento físico de petróleo, gás e outras commodities que fluem do Golfo — fertilizantes, produtos petroquímicos, enxofre, hélio — está apenas começando a ser sentida. Pode ser que só em maio seus efeitos totais se manifestem. Enquanto isso, a cada novo dia de bloqueio do Estreito, a crise se agrava.
Essa desconexão entre os mercados financeiro e físico do petróleo também foi observada pelo New York Times em 10 de abril, em um artigo intitulado “O choque do petróleo é pior do que você imagina”, que mostra os enormes acréscimos de 50% (além do preço à vista no mercado financeiro) que os compradores estão pagando para obter um barril de petróleo.
Embora as reservas estratégicas liberadas pela AIE ajudem, elas representam menos do que aparentam à primeira vista. Com o consumo global atual, elas cobrem, no total, aproximadamente quatro dias da demanda mundial, ou cerca de 20 dias de fluxo normal pelo Estreito de Ormuz. Quase metade da liberação vem das Américas, longe dos mercados asiáticos que mais precisam, e a reserva dos EUA pode fluir a uma taxa de apenas cerca de quatro milhões de barris por dia, levando semanas para chegar aos mercados após a autorização. Como disseram os analistas da Macquarie Capital: “Se isso não parece muita coisa, é porque não é”.
Mesmo levando em consideração todas as contramedidas — liberações estratégicas, desvios de oleodutos, mudanças na produção — o déficit líquido nos mercados globais de petróleo ainda chega a cerca de 13 milhões de barris por dia. Isso representa aproximadamente 13% do suprimento energético mundial em falta.
A crise pode ser sentida com mais intensidade no setor de gás natural liquefeito (GNL) e produtos petroquímicos refinados. Ao contrário do petróleo, não existem reservas estratégicas de GNL nem rotas alternativas de gasodutos para fora do Golfo. Os navios-tanque que o transportam — embarcações enormes e complexas, avaliadas em centenas de milhões de dólares cada — relutam especialmente em transitar pelo estreito sem garantia de passagem segura. Também não existem meios para redirecionar o gás do Catar por terra.
Geograficamente, 85% dos combustíveis fósseis que saem do Golfo têm como destino a Ásia. É lá que a devastação será mais aguda, especialmente em países importadores mais pobres, como Filipinas, Camboja e Tailândia.
Enquanto isso, o governo Trump continua demonstrando uma ignorância surpreendente dos mecanismos básicos dos mercados de energia. “Os preços da energia estão caindo... você não precisa acreditar em mim, basta olhar o mercado futuro”, disse Kevin Hassett, principal assessor econômico da Casa Branca, à Fox News. Mas, nas condições atuais, uma curva de juros futuros em declínio — conhecida como “backwardation” — é um sinal de pânico. Os barris com vencimento próximo estão sendo negociados com um ágio enorme em relação às entregas futuras, porque os compradores estão desesperados para garantir o fornecimento físico.
Em 2 de abril, o preço físico “obsoleto” para cargas reais de petróleo bruto Brent — petróleo com entrega prevista para os próximos 10 a 30 dias — atingiu US$141 por barril, segundo a S&P Global. Esse foi o nível mais alto desde a crise financeira de 2008. No mesmo dia, o contrato futuro de junho fechou a US$109. Essa diferença de US$32 entre os preços no mercado futuro e no mercado físico é extraordinária. Nos dias seguintes, a diferença subiu para quase US$50, embora continue a flutuar.
Amrita Sen, fundadora da consultoria Energy Aspects, disse à CNBC que o mercado futuro está “quase dando uma falsa sensação de segurança”, mascarando a verdadeira escassez no mercado físico de petróleo. O diesel europeu, um combustível essencial para o transporte global, subiu para quase US$200 por barril.
O impacto a longo prazo
Mesmo que novas negociações conseguissem, de alguma forma, produzir uma resolução completa e duradoura do conflito — um cenário verdadeiramente improvável — os danos já causados continuariam a reverberar na economia global por anos.
Segundo a empresa de consultoria Rystad Energy, os danos causados pela guerra a unidades de refinarias, terminais de combustíveis e instalações de conversão de gás em líquidos em todo o Golfo já geraram uma conta de reparos de pelo menos US$25 bilhões — e aumentando. O pior caso é o de Ras Laffan, no Catar, o maior complexo de exportação de GNL do mundo, onde ataques com mísseis destruíram duas unidades de liquefação, reduzindo a capacidade de exportação em 17%. A Qatar Energy declarou força maior. A recuperação completa pode levar até cinco anos porque as turbinas gigantes que precisam ser substituídas são fabricadas por apenas algumas empresas, todas com listas de espera de anos em 2026.
Martin Kelly, analista-chefe da EOS Risk, disse ao Financial Times que “não havia como” o acúmulo de 900 ou mais navios aguardando para sair do Golfo ser resolvido em duas semanas. Ele sugeriu que apenas 10 a 15 navios por dia conseguiriam atravessar o estreito, em comparação com os cerca de 135 antes da guerra.
Enquanto isso, o principal gasoduto leste-oeste da Arábia Saudita — que desempenhou um papel vital na compensação de parte da perda de suprimentos durante a guerra — foi atacado na última quarta-feira. Embora não tenha sofrido danos permanentes, o incidente reflete o fato de que novos ataques e interrupções podem ocorrer a qualquer momento.
O Irã descobriu um poder significativo em tudo isso.
Um país sendo bombardeado e estrangulado opera simultaneamente como guardião do corredor energético mais importante do mundo. Trump, por sua vez, parece ter poucas cartas na manga, exceto cumprir suas ameaças hitleristas de transformar o Irã na próxima Gaza — matando milhões de pessoas de fome e colocando-as em perigo por meio da destruição sistemática de usinas de energia, sistemas de água e infraestrutura energética.
A destruição da infraestrutura civil do Irã inflamaria a oposição ao imperialismo americano em todo o mundo. Significaria a morte de dezenas de milhares de pessoas, direta e indiretamente. Constituiria um ataque bárbaro a uma das civilizações mais antigas do mundo: um país com mais de 90 milhões de habitantes.
Mas que outro caminho Trump vislumbra?
O Irã possui vastas reservas de petróleo e gás de alta qualidade — as quartas maiores reservas comprovadas de petróleo e as segundas maiores reservas comprovadas de gás do mundo — ambas ainda parcialmente exploradas. Nesse sentido, é um potencial tesouro para o imperialismo americano e seus aliados. Grande parte desse petróleo, e de muito petróleo do Golfo também, flui para o leste, em direção à China e à Ásia. E o controle do Estreito de Ormuz significa controle não apenas sobre o petróleo iraniano, mas sobre todo esse fluxo. Contudo, excetuando uma invasão terrestre massiva e contínua, está longe de ser claro como os Estados Unidos poderiam tomar e manter o controle do estreito, muito menos dos próprios campos de petróleo e gás.
O Irã não precisa de uma rede elétrica em funcionamento para ameaçar o Estreito de Ormuz. Contanto que consiga enviar ao menos algumas lanchas rápidas, o ponto de estrangulamento pode se tornar praticamente intransitável para a navegação comercial. Nenhuma seguradora irá cobrir navios petroleiros e cargas avaliadas em centenas de milhões de dólares se houver a possibilidade de serem atingidos.
O que esta guerra revela sobre o estado do imperialismo americano?
A resposta mais básica é que os Estados Unidos, ao tentarem reafirmar o controle sobre a região energética mais importante do mundo, estão, na verdade, minando tanto a economia global quanto a si mesmos. Um choque energético prolongado dessa magnitude terá grandes repercussões — nos custos de fertilizantes e alimentos, no transporte e na indústria globais, nas cadeias de suprimentos de semicondutores dependentes das exportações de hélio do Golfo. Estão sendo criadas as condições para uma grave recessão mundial — uma recessão que poderá ter impactos ainda mais profundos do que as crises do petróleo da década de 1970.
Em todos os lugares, esta guerra encontra oposição. Dois terços dos americanos dizem aos pesquisadores que querem o fim imediato do conflito, mesmo que isso signifique abandonar os objetivos declarados do governo. Uma ampla maioria se opõe ao envio de tropas terrestres — porém, a Casa Branca se recusa a descartá-lo, com a porta-voz Karoline Leavitt afirmando que Trump “mantém suas opções em aberto”. No final de março, o Sistema de Recrutamento Militar apresentou uma proposta para começar a registrar automaticamente todos os homens elegíveis para um possível alistamento até dezembro.
A resposta do governo Trump tem sido fazer com que os americanos pagam pela guerra. Em 2 de abril, em um almoço privado de Páscoa, Trump disse aos convidados que “não é possível cuidarmos de creches, Medicaid, Medicare — todas essas coisas individualmente. Temos que cuidar de uma coisa: proteção militar”. No dia seguinte, a Casa Branca divulgou o maior orçamento de defesa da história dos EUA — US$1,5 trilhão, um aumento de 44% — enquanto propunha cortes de US$73 bilhões em educação, saúde, habitação e programas sociais.
A guerra também está aprofundando as divisões dentro da ordem imperialista liderada pelos EUA. Trump disse aos aliados para “aprenderem a lutar por si mesmos” e para “irem buscar seu próprio petróleo”. Ele ameaçou cortar o financiamento à Ucrânia se os Estados europeus se recusarem a participar do conflito. Os líderes europeus permanecem, em sua maioria, cúmplices e submissos, mas seria um erro subestimar o ressentimento crescente dentro da classe dominante europeia, que sofre cada vez mais as consequências da política americana.
A crise está acelerando o rearmamento europeu e dando um novo fôlego a ambições há muito adormecidas por uma política independente de grande potência europeia — com implicações desastrosas para a classe trabalhadora europeia.
China
O beneficiário mais evidente em tudo isso é o Estado chinês. Enquanto os títulos soberanos de mercados desenvolvidos sofreram fortes quedas, os títulos do governo chinês começaram a funcionar como um porto seguro global, com a emissão de títulos em yuan triplicando em relação ao ano anterior em março, atingindo níveis recordes.
Como enfatizado pelo WSWS, as importações de petróleo e gás natural são consideradas uma das principais vulnerabilidades geopolíticas da China. Contudo, Pequim, ciente dessa vulnerabilidade, passou anos construindo a maior reserva estratégica de petróleo da história mundial — estimada em 1,2 bilhão de barris — o que irá proporcionar uma significativa proteção contra o choque, tanto para si quanto, potencialmente, para seus vizinhos.
Como escreve John Calabrese, da American University, “Enquanto os Estados Unidos lutam, a Ásia se volta para Pequim”. Isso pode ser observado, por exemplo, nas Filipinas, onde a crise está fortalecendo setores pró-China da elite dominante.
A ironia é amarga, pois a lógica estratégica da guerra era justamente ajudar a restaurar a hegemonia em declínio dos EUA e preparar o terreno para uma guerra com a China. Vale ressaltar que um alvo crucial dos bombardeios dos EUA e de Israel tem sido o sistema ferroviário iraniano, cuja conexão mais importante é com a China.
Mas, ao invés de fortalecer a posição de Washington, a guerra acelerou as condições que corroem o poder imperialista americano.
É precisamente por essa razão que o establishment político democrata se opõe taticamente à política externa de Trump. Mas não por causa do assassinato ilegal de milhares de civis iranianos, que eles próprios estariam dispostos a cometer se houvesse propaganda suficiente, ou porque rejeitem a tentativa de subordinar o Irã aos interesses americanos. Na verdade, eles reconhecem na abordagem de Trump um erro tático que arruína seus planos.
O governo atacou esse problema com a inteligência de um touro, cercado por uma câmara de eco nacionalista ultracristã de fascistas mais adequados em um manicômio do que em um cargo público.
Mas as decisões desastrosas de Trump não tornam o imperialismo americano menos perigosos — pelo contrário, tornam a situação mais perigosa. Nesse sentido, o esforço da ala esquerda dos democratas, ou seja, os DSA (Socialistas Democráticos da América), para que as ameaças de Trump de destruir a civilização iraniana sejam descartadas como mera “fanfarronice” serve para desarmar a oposição em um momento crucial em que a resistência da classe trabalhadora à guerra precisa crescer.
A guerra não é um deslize político ou uma mancha isolada. É o resultado de décadas de política americana destinada a dominar a energia do Golfo Pérsico — uma iniciativa estratégica e bipartidária que se estendeu desde o golpe da CIA contra Mossadegh em 1953, passando pela perda do Irã em 1979 até a invasão do Iraque e a destruição da Líbia.
Mas, simultaneamente, trata-se de uma frente em uma ofensiva estratégica mais ampla que inclui o confronto da OTAN com a Rússia na Ucrânia, o genocídio do povo palestino e, crucialmente, a crescente pressão econômica e militar contra Pequim. Nas palavras de um funcionário da UPS entrevistado em janeiro, “a Terceira Guerra Mundial está se formando”. No cerne dessa campanha está o esforço dos Estados Unidos e seus aliados para empregar a violência a fim de conter seu declínio econômico e político acelerados.
Com Trump e esse desastre, a novidade não está no objetivo, mas no desespero e, consequentemente, na confusão com que ele está sendo executado.
Shakespeare tinha palavras apropriadas para isso. Em Henrique VI, o futuro Ricardo III, perdido em ambições maquiavélicas, declara:
Eu — como alguém perdido em um bosque espinhoso,
Que rasga os espinhos e por eles é rasgado,
Buscando um caminho e dele se desviando;
Sem saber como encontrar o ar livre,
Mas labutando desesperadamente para achá-lo —
Atormento-me para conquistar a coroa inglesa;
E desse tormento hei de me libertar,
Ou abrirei caminho à força, com um machado ensanguentado.
De fato, o único caminho a seguir para Trump nesta situação é “abrir caminho com um machado ensanguentado”.
E esta não é uma questão pessoal ou psicológica. A loucura de Trump é a loucura histórica do imperialismo americano em declínio.
A única vantagem real que os EUA ainda possuem para conter seu declínio econômico e a desintegração da ordem pós-guerra é seu poderio militar descontrolado. Mas, como a guerra contra o Irã está demonstrando, esse poderio não se traduz mais em poder.
Esta guerra não irá restaurar o domínio americano. A crise energética emergente terá consequências catastróficas e de longo alcance, ameaçando sobretudo os países — os Estados Unidos em primeiro lugar — atolados em dívidas e riqueza fictícia.
A guerra irá acelerar os processos políticos, econômicos e sociais que impulsionam a implosão do imperialismo americano, inaugurando uma era marcada não pela supremacia chinesa, mas por uma ordem política e econômica fragmentada, pela ameaça constante de guerra e crimes contra a humanidade e, com tudo isso, por profundas consequências revolucionárias para a classe trabalhadora em todo o mundo.
Mas essas consequências não encontrarão expressão progressista por si só.
“Não basta ficar horrorizado”, declarou David North em resposta ao discurso de Trump em 1º de abril.
O horror, deixado por conta própria, esgota-se em frustração impotente ou em episódios isolados de resistência individual. O que é necessário é o desenvolvimento de um movimento socialista de massas da classe trabalhadora, guiado por um programa socialista internacionalista, imbuído de uma genuína moralidade revolucionária e oposto em todos os aspectos à depravação da classe dominante.
Chamamos todos os trabalhadores e jovens que se opõem ao ataque imperialista no Irã a se unirem ao chamado do Partido Socialista pela Igualdade e a se envolverem na luta pelo socialismo e pelo fim da barbárie capitalista.
