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Perspectivas

Após viagem de Trump à China, Casa Branca planeja novo ataque ao Irã

Apenas dois dias após o retorno do presidente norte-americano Donald Trump de Pequim, a Casa Branca prepara ativamente um novo ataque contra o Irã.

Esta imagem, fornecida pelo Comando Central dos EUA, mostra um F/A-18E Super Hornet decolando à esquerda, enquanto um F/A-18E Super à direita se prepara para decolar do convés de voo do porta-aviões USS Abraham Lincoln (CVN 72), da classe Nimitz, em apoio à Operação Epic Fury, em 28 de fevereiro de 2026. [AP Photo/U.S. Navy]

O New York Times noticiou na sexta-feira que os Estados Unidos e Israel estão “engajados em preparativos intensos — os maiores desde que o cessar-fogo entrou em vigor — para a possível retomada dos ataques contra o Irã já na próxima semana”.

A visita de Estado de Trump a Pequim, a primeira de um presidente norte-americano à China em quase uma década, foi dominada pela crise desencadeada pela guerra contra o Irã. Apesar da demonstração pública de boa vontade entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, nenhum acordo público foi alcançado sobre a resolução da crise iraniana, e nenhum comunicado oficial foi emitido.

Apesar do massacre de mais de 3.000 iranianos e da destruição de 81.000 estruturas civis, os Estados Unidos não alcançaram nenhum de seus objetivos. Não derrubaram o governo iraniano, não quebraram as forças militares do Irã e tampouco obtiveram controle sobre o Estreito de Ormuz.

No domingo, o Axios informou que Trump deve convocar sua equipe de segurança nacional para uma reunião na Sala de Situação na terça-feira, a fim de discutir a retomada das operações de combate. O encontro ocorre após uma sessão no sábado no clube de golfe de Trump na Virgínia, com a presença do vice-presidente JD Vance, do secretário de Estado Marco Rubio, do diretor da CIA John Ratcliffe e do enviado ao Oriente Médio Steve Witkoff.

Na noite de domingo, após uma ligação com o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, Trump publicou no Truth Social: “Para o Irã, o relógio está correndo, e eles precisam se mexer RÁPIDO, ou não sobrará nada deles.”

Em seguida, publicou uma imagem gerada por inteligência artificial de um mapa do Oriente Médio sobreposto pela bandeira norte-americana, com setas vermelhas apontando para o Irã em todas as direções — insinuando uma invasão terrestre norte-americana ao país.

Trump também havia publicado anteriormente uma imagem de si mesmo pressionando um botão vermelho em um console de comando, com explosões em forma de cogumelo exibidas numa tela acima — no mais recente sinal de que está cogitando o uso de armas nucleares contra o Irã.

De acordo com o relato do Times, as opções do Pentágono em análise incluem o envio de tropas norte-americanas ao interior do Irã, o que “traria grandes riscos de baixas.”

Ao escalar a guerra contra o Irã, Trump não fala apenas em seu próprio nome, mas em nome de toda a oligarquia financeira. Ao lançar a guerra, Trump colocou em jogo o prestígio do imperialismo norte-americano na subjugação do Irã. O fracasso nesse objetivo é visto pela classe dominante como uma catástrofe que aceleraria o colapso da ordem financeira lastreada no dólar, da qual depende a solvência do capitalismo norte-americano.

Setores dominantes da mídia norte-americana agitam abertamente em favor de uma invasão terrestre ao Irã. Em um artigo de opinião publicado no domingo pelo Wall Street Journal, intitulado “Como concluir o trabalho no Irã”, Seth Cropsey — ex-subsecretário adjunto da Marinha nas administrações Reagan e George H.W. Bush — escreveu que Trump deve “cumprir a ameaça de força catastrófica”. Continuou: “Isso significa preparar uma operação em múltiplos estágios, incluindo tropas em solo iraniano, que reabra à força o Estreito de Ormuz para acelerar o colapso do Estado iraniano.”

Cropsey apontou para a crise desesperadora que enfrenta o imperialismo norte-americano: “Se o petróleo permanecer em torno de US$ 150 o barril pelo resto do ano, a inflação vai se acelerar, enquanto indústrias fundamentais veem suas cadeias de suprimento descarriladas. O Sr. Trump tem uma janela estreita para encerrar essa crise favoravelmente, reabrir o Estreito de Ormuz e garantir uma retomada econômica ao mesmo tempo em que assegura os interesses e o prestígio norte-americanos. Mas isso exige o emprego do espectro completo do poder norte-americano.”

A pressão por novos bombardeios prosseguiu nos programas políticos dominicais. O senador republicano Lindsey Graham, da Carolina do Sul, principal aliado de política externa de Trump, em aparição no “Meet the Press”, pediu que os Estados Unidos retomem os bombardeios à infraestrutura energética do Irã. “O que o presidente Trump fez foi militarmente incrível”, disse Graham. “Mas ainda há mais alvos a serem atacados. E há coisas que podemos fazer para causar danos. A infraestrutura energética é o ponto vulnerável deles. Se voltarmos à luta, eu colocaria a energia no topo da lista.”

O Partido Democrata não ofereceu nenhuma oposição à escalada planejada. Pelo contrário, os democratas que apareceram nos programas dominicais devotaram grande parte de seus comentários de política externa a condenar o que consideraram uma postura insuficientemente belicosa de Trump em relação à China na cúpula de Pequim.

O líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, declarou: “Em prol da democracia e da estabilidade da economia global, Trump não pode trair Taiwan.” A queixa dos democratas é que a guerra que Trump lançou contra o Irã distraiu os Estados Unidos do conflito com a China.

A guerra contra o Irã é, ao mesmo tempo, uma guerra contra a classe trabalhadora norte-americana. A crise inflacionária desencadeada pela guerra produziu uma disparada massiva nos custos de energia e alimentos. A NBC News noticiou que os preços de vegetais frescos subiram mais de 44% em base anualizada nos últimos três meses. A gasolina atingiu uma média nacional de US$ 4,51 por galão, e o petróleo Brent saltou aproximadamente 50% desde o início da guerra.

Respondendo ao desastroso aumento no custo de vida, Trump declarou a repórteres na Casa Branca neste mês: “Não penso na situação financeira dos norte-americanos.”

O governo tornou explícita a conexão entre a guerra no exterior e o ataque aos programas sociais no país. Em um almoço de Páscoa na Casa Branca em 1º de abril, Trump declarou: “Não é possível cuidarmos de creches, Medicaid, Medicare, de todas essas coisas individuais. Precisamos cuidar de uma coisa: a proteção militar.” “Estamos travando guerras”, disse ele.

Os custos da guerra também pesam sobre o Tesouro. O controlador do Pentágono, Jay Hurst, admitiu em depoimento ao Congresso na semana passada que a guerra custou US$ 29 bilhões — cifra que exclui os danos a bases norte-americanas. A economista de políticas públicas de Harvard Linda Bilmes disse à Fortune em abril que estava “certa de que gastaremos US$ 1 trilhão na guerra contra o Irã.”

A escalada da guerra contra o Irã ocorre em meio a uma grande ascensão da luta de classes. Cerca de 3.500 trabalhadores da Long Island Rail Road paralisaram o trabalho à meia-noite de sexta-feira, interrompendo a linha de transporte de passageiros mais movimentada dos Estados Unidos — a primeira greve da LIRR desde 1994.

Os 1.300 membros do United Auto Workers na Nexteer Automotive em Saginaw, Michigan, rejeitaram contratos de concessão por duas vezes nas últimas seis semanas e pressionam o sindicato por uma greve imediata. Os 1.000 membros do UAW na planta da American Axle em Three Rivers, Michigan, votaram com 98% de aprovação em 12 de maio para autorizar uma greve quando seu contrato expirar em 31 de maio.

O gatilho imediato dessas lutas é a crise do custo de vida criada pela guerra. A defesa do padrão de vida dos trabalhadores não pode ser separada da luta contra a guerra.

As ameaças de Trump de aniquilar a sociedade iraniana devem ser tratadas com a máxima seriedade. O governo é um regime criminoso e mafioso que não recuará diante de nada — incluindo o uso de armas nucleares — para fazer avançar os interesses da classe dominante norte-americana.

As lutas no setor de transportes e na indústria automotiva mostram o caminho a seguir no combate aos planos de guerra e ditadura de Trump. O assassino regime de Trump, e seus cúmplices no Partido Democrata, devem ser combatidos pelo método da luta de classes e pelo programa do socialismo.

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