Estamos publicando a seguir o discurso proferido por Evan Blake, membro do Comitê Nacional do Partido Socialista pela Igualdade (EUA), no Ato Online do Dia Internacional dos Trabalhadores de 2026, realizado pelo Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI) e pelo World Socialist Web Site (WSWS) em 1º de maio.
Saudações revolucionárias a todos os participantes do ato de Primeiro de Maio de hoje.
No centro da guerra imperialista que atualmente assola o Irã e da economia mundial como um todo está a disputa pela IA, que se tornou o epicentro da maior bolha financeira da história do capitalismo.
Trilhões de dólares em investimentos de capital e dívidas têm sido injetados em um pequeno grupo de empresas de tecnologia que agora dominam o mercado de ações dos EUA. A classe dominante americana apostou tudo nessa bolha da IA — acreditando que ela, de alguma forma, restaurará a hegemonia de uma potência imperialista em declínio e resolverá a crise do capitalismo americano que vem se acumulando há mais de meio século.
O caráter revolucionário da IA como tecnologia é evidente para qualquer pessoa que já a tenha utilizado. Em questão de segundos, um LLM [Large Language Model, ou Grande Modelo de Linguagem] é capaz de resumir um documento de mil páginas. É capaz de traduzir entre qualquer par de idiomas. É capaz de escrever o código para um software operacional em minutos. É capaz de manter um diálogo contínuo com um usuário sobre qualquer tema da história da cultura humana.
Mas os usos destrutivos que se faz dessa tecnologia sob o capitalismo não são menos evidentes, e aumentam a cada dia.
A IA foi transformada em um instrumento de guerra. Empresas como a Palantir estão desenvolvendo o software de mira autônoma agora utilizado pelos exércitos dos EUA e de Israel em Gaza, no Irã e em todo o Oriente Médio, enquanto a IA foi integrada a todas as camadas do aparato militar e de inteligência americano. A mesma tecnologia está sendo usada para caçar migrantes nas cidades dos EUA e para automatizar o trabalho de centenas de milhões de trabalhadores em todo o mundo. A onda de demissões em massa que agora varre todos os setores da indústria está sendo justificada em nome do que a classe dominante chama de “eficiência da IA” — o sonho da oligarquia financeira de um processo de produção expurgado da classe cujo trabalho cria toda a riqueza da sociedade.
Confrontados com a crescente oposição a esses usos reacionários, setores do establishment político apresentam uma única resposta: a regulamentação. Eles cultivam a ilusão de que o avanço mais poderoso das forças produtivas pode ser moderado dentro de uma ordem social impulsionada pela busca do lucro e pela competição implacável entre Estados-nação rivais.
É preciso afirmar categoricamente: tais reformas são impossíveis e nunca serão aceitas por uma classe dominante que está descendo a ladeira rumo ao fascismo e à guerra mundial.
O uso socialmente regressivo dos avanços tecnológicos no capitalismo não é novidade. Cada grande avanço tecnológico na história do capitalismo foi subordinado à exploração e à guerra. Há mais de 150 anos, Marx demonstrou em sua grande obra “O Capital” que as tecnologias que poderiam ter libertado os trabalhadores do trabalho árduo foram, ao contrário, transformadas em instrumentos para intensificar sua exploração. A culpa não estava na máquina. Estava nas relações sociais em que a máquina operava.
Leon Trotsky escreveu em seu ensaio de 1926, “Cultura e Socialismo”:
A tecnologia é uma conquista fundamental da humanidade; embora tenha servido, de fato, até agora como instrumento de exploração, é, ao mesmo tempo, o requisito básico para a libertação dos explorados. A máquina sufoca o assalariado. Mas o assalariado só pode ser libertado por meio da máquina.
Essa é a abordagem materialista do movimento marxista em relação a toda tecnologia. A questão decisiva é a da propriedade — em cujas mãos, em cujos interesses e para que finalidade social a tecnologia é utilizada.
Em dezembro passado, o CIQI lançou Socialism AI, que foi uma conquista histórica para a classe trabalhadora internacional. O objetivo de Socialism AI é aproveitar o poder revolucionário da IA — transformá-la de um instrumento de exploração e guerra em um instrumento de educação e organização da classe trabalhadora, bem como de construção do movimento socialista internacional.
Ao lançar o Socialism AI, pela primeira vez na história do movimento socialista, colocamos nas mãos dos trabalhadores e da juventude uma ferramenta capaz de tornar todo o patrimônio do marxismo — as obras de Marx, Engels, Lenin, Trotsky, Luxemburg e Plekhanov, além de quase três décadas de análises diárias no World Socialist Web Site — acessível em tempo real, em formato interativo, em qualquer idioma e a qualquer hora.
A resposta nos últimos quatro meses e meio tem sido notável. Milhares de trabalhadores e jovens em mais de 100 países recorreram a Socialism AI em busca de respostas que não encontram em nenhum outro lugar. Suas perguntas e comentários têm contribuído diretamente para o desenvolvimento da ferramenta — uma interação dialética e contínua entre a ferramenta e a classe trabalhadora, à qual ela serve para fins de educação política.
A partir de hoje, o Socialism AI está consideravelmente mais potente do que quando foi lançado em dezembro, produzindo respostas qualitativamente melhores para quaisquer questões políticas, teóricas e históricas. Com base no feedback de usuários de todo o mundo, fizemos melhorias substanciais na arquitetura subjacente a essa ferramenta revolucionária.
Quando um trabalhador pergunta: O que é o capital? — quando um jovem pergunta: Como aconteceu a Revolução Russa? — quando um trabalhador de base pergunta: Como posso me organizar contra as traições da burocracia sindical? — a resposta se baseará no arsenal teórico e histórico do movimento trotskista — a teoria do valor-trabalho, a teoria da revolução permanente, as grandes lições do século XX e muito mais.
Todas as épocas revolucionárias da história foram preparadas por uma explosão de conhecimento. O Iluminismo preparou o terreno intelectual para a Revolução Francesa, colocando o conhecimento nas mãos da classe revolucionária emergente da época. A Revolução de Outubro foi possibilitada por uma geração de trabalhadores russos, liderados pelo Partido Bolchevique, que estudaram Marx nos círculos fabris e se prepararam teórica e politicamente para a tomada do poder. Nenhuma classe pode fazer uma revolução se não conseguir primeiro compreender, em termos de pensamento, a natureza da sociedade que pretende transformar.
É por isso que o sistema capitalista se alimenta e promove a ignorância — a destruição da educação pública, a degeneração do jornalismo sério em propaganda corporativa, o cultivo do pós-modernismo e do irracionalismo nas universidades, as manobras da pseudoesquerda cujo objetivo é desorientar todas as gerações que se voltam para o socialismo. Tudo isso constitui a tentativa de uma ordem social condenada a impedir que a classe trabalhadora compreenda seu próprio papel histórico como coveira do capitalismo.
Em contraposição, o CIQI propõe Socialism AI: um universo de conhecimento colocado nas mãos da classe trabalhadora internacional, a serviço de sua educação política em escala mundial.
Incentivamos todos os trabalhadores e jovens que estão assistindo a este ato a acessarem o site SocialismAI.com ainda hoje e a incorporarem essa ferramenta à sua vida política cotidiana. Compartilhem com seus colegas de trabalho, colegas de classe e amigos, e colaborem com eles para utilizá-la na construção do movimento socialista internacional.
O velho mundo está chegando ao fim. O novo mundo precisa ser construído. Socialism AI é uma arma fundamental que a classe trabalhadora internacional deve adotar para essa tarefa revolucionária.
