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Perspectivas

Pelo fim da guerra criminosa dos EUA e Israel contra o Irã!

Pessoas observando do alto de um prédio uma nuvem de fumaça se elevando após um ataque dos EUA e Israel em Teerã, no Irã, em 1º de março de 2026. [AP Photo/Vahid Salemi]

1. O ataque conjunto dos EUA e Israel ao Irã, que começou nas primeiras horas da manhã de 28 de fevereiro, é um ato criminoso de guerra, realizado em flagrante violação da Constituição dos Estados Unidos e do direito internacional. O ataque inicial incluiu o assassinato do chefe de Estado do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, e de outros líderes seniores do governo iraniano. Não há a menor justificativa legal para o ataque. Nenhuma autorização foi solicitada ou concedida pelo Congresso dos Estados Unidos, conforme exigido pelo Artigo I, Seção 8 da Constituição. Nenhuma resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sancionou o uso da força. O ataque foi lançado enquanto os negociadores dos EUA e do Irã ainda estavam envolvidos em conversações mediadas por Omã, que haviam sido concluídas apenas dois dias antes em Genebra. O ataque ao Irã é precisamente o que foi descrito nos julgamentos de Nuremberg dos líderes nazistas em 1945-46 como um “crime contra a paz” — o “crime internacional supremo que difere dos outros crimes de guerra apenas por conter em si mesmo o mal acumulado de todos os outros”.

2. A guerra começou apenas duas semanas depois que o secretário de Estado Marco Rubio usou a Conferência de Segurança de Munique, em 14 de fevereiro de 2026, para apresentar um programa de predação e dominação como uma missão civilizacional — instando a Europa a se livrar da “culpa e vergonha” pelo império e lamentando abertamente o declínio dos “grandes impérios ocidentais”, ou seja, a própria ordem colonial construída sobre pilhagem, repressão e assassinatos em massa. A retórica da nostalgia imperial foi seguida pela realidade — mísseis de cruzeiro, ataques aéreos e bombardeios de cidades iranianas —, confirmando que o discurso da “civilização” é o prefácio habitual da barbárie. 

3. O bombardeio do Irã é um crime — contra um povo e contra a civilização. Quando os ataques atingem cidades como Teerã, Qom e Isfahan, o alvo não é apenas a “infraestrutura”, mas toda a vida intelectual, cultural e social acumulada de uma sociedade histórica. A redução de uma nação de 90 milhões de pessoas a coordenadas e slogans de “mudança de regime” é a linguagem da barbárie imperialista. Os trabalhadores nos Estados Unidos e internacionalmente devem se opor a esse ataque, exigir o fim imediato dos ataques e rejeitar a normalização do assassinato em massa e da aniquilação cultural como instrumentos de política.

4. É amplamente reconhecido, mesmo na mídia capitalista, que os Estados Unidos não enfrentavam nenhuma ameaça do Irã. Na verdade, o próprio Trump, após a Guerra dos Doze Dias de junho de 2025 — na qual os Estados Unidos atacaram três instalações nucleares iranianas com as maiores munições convencionais de seu arsenal — declarou que a capacidade nuclear do Irã havia sido “destruída”. Ele repetiu essa afirmação recentemente, em seu discurso sobre o Estado da União, em 24 de fevereiro de 2026. Sua afirmação, quatro dias depois, de que o Irã representava uma “ameaça iminente” aos Estados Unidos foi diretamente contrariada por uma avaliação de 2025 da Agência de Inteligência de Defesa, que concluiu que o Irã estava a anos, se não a uma década, de desenvolver mísseis intercontinentais. Duas fontes de inteligência disseram à CNN que a afirmação de Trump não era respaldada por informações de inteligência. Até mesmo o democrata mais graduado do Comitê de Inteligência da Câmara, o deputado Jim Himes, disse após ser informado: “Não ouvimos uma única boa razão para que agora seja o momento de iniciar mais uma guerra no Oriente Médio”.

5. O Comitê Internacional da Quarta Internacional (CIQI) alertou repetidamente que tal ataque era iminente. Em 19 de fevereiro, apenas nove dias antes do ataque, o CIQI declarou: “Os objetivos do imperialismo americano — o domínio do planeta — não podem ser alcançados pacificamente. A guerra contra o Irã é, para os Estados Unidos, uma etapa essencial em sua preparação para o conflito que se aproxima com a China”. Ele continuou com um alerta sobre as implicações de longo alcance: “A guerra não será impedida por apelos aos governos imperialistas e burgueses. A classe trabalhadora internacional enfrenta uma situação comparável à que existia às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Mas a comparação é inadequada, porque as consequências da guerra hoje seriam infinitamente mais terríveis do que foram há 87 anos. A humanidade enfrenta o perigo iminente de uma catástrofe nuclear que poderia resultar na destruição de toda a vida humana”.

6. Trump dificilmente está tentando apresentar uma explicação coerente, muito menos convincente, para sua decisão de iniciar uma guerra. Apenas quatro dias antes, ele havia proferido o discurso do Estado da União, o mais longo da história, que dedicou apenas algumas frases ao Irã, embora já tivesse aprovado a guerra naquele momento. A mobilização militar — a maior no Oriente Médio desde a invasão do Iraque em 2003 — estava bem avançada. As agências de inteligência israelenses e americanas vinham acompanhando os movimentos de Khamenei há meses.

7. Trump anunciou a guerra não em um discurso nacional na Sala Oval, nem perante o Congresso, a quem a Constituição confere o poder de declarar guerra, mas em um vídeo de oito minutos publicado às 2h30 da manhã em sua plataforma privada de mídia social, Truth Social, a partir de seu resort Mar-a-Lago em Palm Beach, Flórida. Ele usava um boné de beisebol branco com as letras “USA”. Trump não estava falando ao povo americano. Ele estava falando para sua base — para o movimento fascistoide que ele vem cultivando e que constitui seu verdadeiro eleitorado político. Como o WSWS escreveu em uma declaração em 28 de fevereiro: “Agora, Trump, com seu boné de beisebol na cabeça, anunciou sua decisão no meio da noite, enquanto a maioria dos americanos dormia. Ele colocou os Estados Unidos e o mundo inteiro em um caminho desastroso”. A declaração traçou um paralelo histórico inevitável: “No futuro, os historiadores compararão o ataque de Trump ao Irã em 28 de fevereiro de 2026 com a invasão da Polônia por Hitler em 1º de setembro de 1939. São crimes de igual magnitude”.

8. O fato de as pesquisas confirmarem a oposição esmagadora da população à guerra não tem qualquer efeito sobre os cálculos de Trump. Uma pesquisa da Universidade de Maryland realizada semanas antes do ataque revelou que apenas 21% dos americanos eram a favor de um ataque ao Irã, enquanto 49% se opunham firmemente. Uma pesquisa rápida do YouGov realizada no dia dos ataques revelou apenas 34% de aprovação — o menor apoio público a uma campanha militar dos EUA na história moderna, menos da metade do apoio registrado para as invasões do Afeganistão e do Iraque. Uma pesquisa da Reuters/Ipsos revelou 43% de desaprovação contra apenas 27% de aprovação. Setenta e quatro por cento dos entrevistados em uma pesquisa da CBS/YouGov disseram que Trump precisava da aprovação do Congresso, que ele nunca buscou. A pesquisa do Quinnipiac revelou que sete em cada dez eleitores se opunham à ação militar contra o Irã. Esses números revelam a profundidade do abismo entre a classe dominante americana e a população que ela oprime. A guerra não está sendo travada em nome do povo americano, mas contra sua vontade claramente expressa.

9. A guerra assumiu a forma de assassinatos seletivos de líderes políticos e comandantes militares, acompanhados por bombardeios massivos que causaram terríveis baixas civis. Poucas horas após os primeiros ataques, foi confirmada a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei, juntamente com o chefe do Estado-Maior do Exército, o ministro da Defesa, o chefe da Guarda Revolucionária, o secretário do Conselho de Defesa e aproximadamente 40 outras autoridades. Uma escola primária para meninas foi atingida na cidade de Minab, no sul do Irã; o Irã relatou que quase 150 crianças em idade escolar foram mortas. O Crescente Vermelho iraniano relatou mais de 200 mortos apenas nas primeiras horas. O bombardeio continuou, com ataques “no coração de Teerã”, enquanto o número de vítimas aumentava. A morte da filha, neta, nora e genro de Khamenei foi confirmada.

10. Em entrevista por telefone ao New York Times no domingo, Trump declarou que os Estados Unidos e Israel “pretendiam” continuar a guerra por “quatro a cinco semanas”, deixando claro que Washington está preparando uma campanha de bombardeios contínua com o objetivo de subjugar o Irã. Na mesma entrevista, Trump falou com indiferença assustadora sobre as mortes de soldados americanos, afirmando sem rodeios: “Esperamos baixas”, acrescentando que as estimativas do Pentágono poderiam ser “bem maiores”. Essas declarações equivalem a uma declaração aberta de que a Casa Branca está preparada para sacrificar inúmeras vidas — acima de tudo, no Irã, mas também em toda a região e entre as tropas americanas — para prosseguir com uma guerra criminosa de conquista.

11. Os líderes iranianos e oficiais militares foram pegos de surpresa, aceitando mais uma vez, como haviam feito antes da guerra de junho de 2025, as garantias americanas de que as negociações estavam sendo conduzidas de boa fé. O ministro das Relações Exteriores do Irã havia deixado Teerã rumo a Genebra poucos dias antes do ataque. A agência de notícias estatal iraniana publicou um comentário expressando desapontamento com as negociações, mas culpando Washington pelo impasse — mesmo naquela hora tardia, ainda operando com base na suposição de que o processo diplomático era real. O padrão agora é inconfundível: os Estados Unidos usam o pretexto da diplomacia para induzir seu adversário a uma falsa sensação de segurança enquanto preparam o golpe fatal. Em junho de 2025, Israel atacou enquanto as negociações entre os EUA e o Irã estavam programadas para ser retomadas dias depois. Em fevereiro de 2026, o ataque ocorreu dois dias após o término da rodada de Genebra.

12. A resposta das potências imperialistas europeias não foi menos desprezível. Embora tenham sido os Estados Unidos e Israel que iniciaram a guerra — atacando uma nação soberana enquanto as negociações estavam em andamento, assassinando seu chefe de Estado, bombardeando uma escola cheia de crianças —, a declaração conjunta emitida pelo primeiro-ministro britânico Keir Starmer, pelo presidente francês Emmanuel Macron e pelo chanceler alemão Friedrich Merz não denunciou os agressores, mas sim a vítima. A declaração deles “condenou veementemente os ataques iranianos a países da região”, limitando-se a afirmar que os três governos “não participaram desses ataques”. Starmer chamou o regime iraniano de “absolutamente abominável” e exigiu que o Irã “se abstivesse de novos ataques” — como se uma nação sujeita a um ataque surpresa que matou sua liderança e suas crianças em idade escolar não tivesse o direito de se defender. No dia seguinte, Starmer foi mais longe, anunciando que jatos britânicos estavam realizando “operações defensivas”, que o Reino Unido já havia interceptado ataques iranianos e que ele havia aceitado um pedido dos EUA para usar bases britânicas para atacar bases de mísseis iranianos. A pretensão de não envolvimento está sendo descartada dia após dia, exatamente como sempre acontece. As potências europeias estão sendo arrastadas para o vórtice do militarismo americano, assim como foram no Iraque, na Líbia e na guerra por procuração na Ucrânia.

13. Os Estados Unidos e Israel certamente causaram sérios danos ao Irã. A decapitação da liderança política e militar iraniana é um golpe devastador. Mas a história nos ensina que geralmente é um grave erro julgar o resultado de uma guerra com base nos resultados dos primeiros dias ou mesmo meses. O choque e o espanto iniciais da invasão do Iraque em 2003 foram seguidos por duas décadas de insurgência, guerra civil sectária e catástrofe estratégica para os Estados Unidos. A queda de Cabul para o Talibã em 2021 — 20 anos após a invasão “bem-sucedida” do Afeganistão — permanece como um monumento à arrogância imperial. O Irã é uma nação de 90 milhões de pessoas com uma massa territorial quase 74 vezes maior que a de Israel. Sua população suportou oito anos de guerra com o Iraque, décadas de sanções e repetidos ataques estrangeiros. A suposição de que o assassinato de Khamenei produzirá o colapso do Estado, com uma população agradecida acolhendo a mudança de regime imposta pelo assassinato em massa dos EUA, é a mesma ilusão que acompanhou todas as aventuras militares americanas desde o Vietnã.

14. Os Estados Unidos desencadearam uma guerra com consequências econômicas, sociais e políticas incalculáveis. Os ataques retaliatórios do Irã já se espalharam pelo Golfo Pérsico, atingindo bases militares americanas, aeroportos civis e infraestruturas no Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Kuwait e Jordânia. Mísseis atingiram Israel, matando civis em áreas residenciais. O Estreito de Ormuz — por onde passa aproximadamente 20% do petróleo mundial diariamente — corre o risco de ser bloqueado. Os preços do petróleo dispararam. As rotas marítimas globais estão em turbulência. As companhias aéreas cancelaram voos em toda a região. O conflito ameaça envolver todo o Oriente Médio em um conflito cuja escala e duração ninguém pode prever. Já foram relatadas as primeiras baixas americanas.

15. As verdadeiras razões para esta guerra não residem no programa nuclear do Irã — que a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) afirmou repetidamente ser exclusivamente pacífico —, mas na geopolítica do petróleo, na luta pelo controle de recursos estratégicos e no agravamento da crise da hegemonia global americana. O Irã possui a quarta maior reserva comprovada de petróleo e a segunda maior reserva de gás natural do mundo. Ele controla a costa norte do Estreito de Ormuz, um dos pontos estratégicos mais importantes do sistema energético global. O controle desses recursos — e, mais importante, a capacidade de negar o acesso deles aos rivais — tem sido a principal preocupação da política externa americana no Oriente Médio há mais de sete décadas.

16. A tentativa de subjugar o Irã não pode ser separada da trajetória mais ampla do imperialismo americano. Como o WSWS explicou antes mesmo do ataque, a apreensão do petróleo venezuelano e o ataque ao Irã são componentes da mesma estratégia: os Estados Unidos estão buscando controlar os recursos energéticos mundiais em preparação para um confronto militar com a China, que importa mais de 70% de seu consumo diário de petróleo. O Irã é responsável por mais de 10% das importações de energia da China, e perder o acesso a ele seria um grande golpe estratégico para a base industrial independente da China. A guerra contra o Irã é, nesse sentido, uma guerra pela hegemonia global, dirigida não apenas a Teerã, mas também a Pequim, Moscou e às capitais europeias, cuja dependência da energia do Oriente Médio dá a Washington um instrumento de coerção. O governo Trump ameaçou não apenas o Irã, mas também seus supostos aliados — impondo tarifas sobre produtos europeus, ameaçando a Groenlândia, assumindo o controle do petróleo venezuelano e deixando claro que, na era emergente da competição entre grandes potências, os Estados Unidos pretendem usar sua supremacia militar para manter o domínio sobre todas as regiões estrategicamente significativas da Terra.

17. O papel do Partido Democrata em possibilitar esta guerra faz dele cúmplice de Trump. Os democratas não são uma oposição à guerra. Eles são seus cúmplices. Eles financiaram todas as armas que agora estão sendo utilizadas contra o Irã. A Lei de Autorização de Defesa Nacional, no valor de US$ 901 bilhões, foi aprovada pela Câmara em dezembro, com 115 democratas votando a favor. No Senado, dois terços dos democratas votaram a favor. Em janeiro, 149 democratas da Câmara votaram a favor de US$ 839 bilhões em verbas para a defesa. Nas semanas que antecederam o ataque, enquanto se desenrolava a maior mobilização militar desde a invasão do Iraque em 2003, nem o líder da minoria na Câmara, Hakeem Jeffries, nem o líder da minoria no Senado, Chuck Schumer, nem o senador Bernie Sanders, nem a deputada Alexandria Ocasio-Cortez fizeram qualquer esforço sério para impedir a guerra. Pelo contrário, AOC repetiu os argumentos do governo a favor da mudança de regime na Conferência de Segurança de Munique. O senador democrata John Fetterman, da Pensilvânia, prometeu explicitamente seu apoio ao bombardeio do Irã na Newsmax, declarando: “Eu apoiei totalmente e torci por esse Midnight Hammer”. O deputado democrata Josh Gottheimer emitiu uma declaração bipartidária opondo-se explicitamente a uma resolução que proibiria o uso da força contra o Irã sem a autorização do Congresso. O senador democrata Mark Warner declarou: “Acho apropriado que o presidente tenha todas as opções em aberto”.

18. Os democratas promovem toda a propaganda anti-Irã empregada por Trump. Eles repetem sua caracterização do Irã como o “país patrocinador número um do terrorismo”. Eles reciclam todos os argumentos mentirosos para uma mudança de regime — desde a necessidade de garantir que o Irã nunca tenha uma arma nuclear até a alegação de que a República Islâmica é excepcionalmente opressiva (em uma região com ditaduras brutais apoiadas pelos EUA no Egito, Arábia Saudita e nos pequenos países do Golfo). O New York Times, falando em nome do Partido Democrata, esteve ativamente envolvido na legitimação e preparação da opinião pública para o ataque, publicando esboços detalhados das opções militares, incluindo ataques destinados a “criar as condições no terreno” para assassinar Khamenei. Agora que a guerra foi iniciada, a “oposição” dos democratas consiste inteiramente em reclamações processuais sobre a ausência de autorização do Congresso — nem uma única palavra de oposição baseada em princípios à guerra em si. O próprio Jeffries declarou: “O Irã é um mau ator e deve ser confrontado agressivamente”. Isso não é oposição à guerra. É uma exigência para ser incluído na decisão de travá-la.

19. O ataque ao Irã é o resultado de uma história de 73 anos de agressão imperialista americana contra aquele país — uma história que torna sem sentido a propaganda que apresenta a resistência iraniana como irracional ou não provocada. Em 1953, a CIA e o MI6 britânico derrubaram o primeiro-ministro democraticamente eleito do Irã, Mohammad Mossadegh, para garantir o controle ocidental do petróleo iraniano. Durante o golpe, cerca de 300 pessoas foram mortas nas ruas de Teerã. Durante 26 anos, os Estados Unidos patrocinaram a ditadura do xá, treinando e equipando a polícia secreta SAVAK nos métodos de tortura e repressão. Durante a Guerra Irã-Iraque de 1980-88, os EUA forneceram informações de inteligência ao regime de Saddam Hussein, sabendo que elas seriam usadas para direcionar ataques com armas químicas contra soldados iranianos — dezenas de milhares dos quais foram mortos por gás. Em julho de 1988, o cruzador USS Vincennes abateu o voo 655 da Iran Air, um avião civil, matando todos os 290 passageiros e tripulantes, incluindo 66 crianças; o capitão do navio de guerra foi condecorado com a Legião de Mérito. Desde 2007, Israel, com a cumplicidade americana, assassinou pelo menos sete cientistas nucleares iranianos com carros-bomba, dispositivos magnéticos e metralhadoras controladas remotamente. A arma cibernética Stuxnet, desenvolvida em conjunto pelos EUA e Israel, destruiu aproximadamente 1.000 centrífugas nas instalações de Natanz. Em janeiro de 2020, os EUA assassinaram o general Qasem Soleimani no Aeroporto Internacional de Bagdá. Em junho de 2025, os EUA bombardearam as instalações nucleares do Irã sob salvaguardas internacionais, matando mais de 1.000 pessoas.

20. Além disso, esta é uma guerra travada por um governo que está simultaneamente em guerra com o povo americano. O governo Trump está sistematicamente desmantelando os direitos democráticos, expurgando o serviço público, transformando agências federais em armas contra opositores políticos, atacando o judiciário, destruindo programas sociais e concentrando um poder sem precedentes no executivo. Ele enviou agentes do ICE e do CBP para aterrorizar imigrantes e submeter cidades e bairros americanos a métodos policiais que violam a Declaração de Direitos. O mesmo governo que lançou essa guerra criminosa contra o Irã está tentando impor uma ditadura em seu próprio país. Ela governa no interesse de uma oligarquia financeira cuja riqueza atingiu níveis obscenos, enquanto a classe trabalhadora enfrenta a queda dos salários reais, uma crise imobiliária, o colapso dos serviços públicos e a erosão de todas as conquistas sociais obtidas ao longo do século passado. A guerra contra o Irã e a guerra contra a classe trabalhadora americana não são fenômenos separados. São duas frentes da mesma ofensiva. O militarismo no exterior sempre serviu como instrumento e companheiro da reação social no país.

21. A classe trabalhadora — nos Estados Unidos, no Irã, na Europa e em todo o mundo — deve ser mobilizada contra essa guerra criminosa. Nenhum setor da classe política capitalista irá detê-la. O Partido Democrata, como demonstrado acima, não é uma oposição ao imperialismo. As burocracias sindicais, amarradas de pés e mãos ao Partido Democrata e ao Estado capitalista, não farão nada. As organizações pseudoesquerdistas que orbitam essas instituições servem apenas para canalizar a oposição de volta para a estrutura da política capitalista.

22. O Partido Socialista pela Igualdade e o Comitê Internacional da Quarta Internacional apresentam o seguinte programa na luta contra a guerra criminosa contra o Irã:

  • O fim imediato e incondicional de todas as operações militares dos EUA e de Israel contra o Irã. Nem mais uma bomba, nem mais um drone. Esta guerra deve ser interrompida agora, e com ela a campanha mais ampla de agressão dos EUA e de Israel em todo o Oriente Médio — incluindo o genocídio em curso em Gaza e os ataques crescentes que visam subjugar toda a região através do terror, do bloqueio e da força militar.
  • A retirada de todas as forças militares dos EUA do Oriente Médio e o fechamento das centenas de bases militares que servem como infraestrutura da dominação imperialista. A vasta rede de instalações militares americanas em todo o Golfo Pérsico — no Catar, Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque — existe não para defender o povo americano, mas para projetar o poder do capital financeiro americano sobre os recursos energéticos mundiais.
  • A dissolução da OTAN e a liquidação do enorme aparato militar e de inteligência do imperialismo americano. Mais de 1 trilhão de dólares por ano são canalizados para o Pentágono e as agências de inteligência — um desvio colossal de recursos sociais para a máquina da morte. Esses recursos devem ser redirecionados para atender às necessidades sociais urgentes da classe trabalhadora: saúde, educação, moradia e reconstrução da infraestrutura em ruínas.
  • A rejeição de todas as formas de sanções e guerra econômica contra o Irã e todos os outros países. O regime de sanções que estrangulou a economia iraniana durante décadas, restringindo o acesso a medicamentos e bens essenciais, é uma forma de punição coletiva dirigida contra toda uma população. Ele deve ser encerrado imediatamente.
  • A responsabilização total dos autores e perpetradores desta guerra. O início de uma guerra de agressão sem autorização do Congresso, em violação da Constituição dos EUA e da Carta das Nações Unidas, é um ato criminoso. Os responsáveis — desde o presidente até os oficiais militares e de inteligência que planejaram e executaram o assassinato de um chefe de Estado e o bombardeio de alvos civis, incluindo uma escola primária — devem ser responsabilizados.
  • A defesa e a ampliação dos direitos democráticos. A luta contra a guerra não pode ser separada da luta contra a transformação fascista do Estado americano. O mesmo governo que bombardeia o Irã sem a aprovação do Congresso está destruindo os direitos democráticos no país, atacando o judiciário, transformando agências federais em armas e criminalizando a dissidência. A classe trabalhadora deve defender o direito de protestar, de se organizar e de se opor às políticas de seu governo sem medo de repressão.

23. Essas demandas não podem ser alcançadas por meio de apelos a qualquer setor da classe política. Elas exigem a mobilização política independente da classe trabalhadora. O Comitê Internacional da Quarta Internacional defende que a construção de um movimento antiguerra genuíno deve se basear em quatro princípios essenciais:

  • Em primeiro lugar, a luta contra a guerra deve basear-se na classe trabalhadora, a grande força revolucionária da sociedade, unindo todos os elementos progressistas da população.
  • Em segundo lugar, o novo movimento antiguerra deve ser anticapitalista e socialista, uma vez que não pode haver luta séria contra a guerra, exceto na luta para acabar com a ditadura do capital financeiro e o sistema econômico que é a causa fundamental do militarismo e da guerra.
  • Em terceiro lugar, o novo movimento antiguerra deve ser completa e inequivocamente independente e hostil a todos os partidos políticos e organizações da classe capitalista.
  • Em quarto lugar, o novo movimento antiguerra deve, acima de tudo, ser internacional, mobilizando o vasto poder da classe trabalhadora em uma luta global unificada contra o imperialismo. 

24. Os trabalhadores americanos não têm nada a ganhar e tudo a perder com uma guerra que custará vidas, consumirá recursos, alimentará a inflação e acelerará o caminho para a ditadura. A luta contra a guerra é inseparável da luta contra o sistema capitalista que a produz. O imperialismo não é uma escolha política, mas é o produto inevitável da contradição entre uma economia globalmente integrada e sua divisão em Estados-nações rivais, cada um dominado por uma classe dominante que busca seus interesses através da exploração da classe trabalhadora em seu país e da pilhagem de recursos e mercados no exterior. A luta para impedir esta guerra é a luta para pôr fim ao próprio sistema de lucro e substituir a divisão ultrapassada do mundo em Estados-nação rivais por uma federação socialista mundial, na qual as forças produtivas da humanidade sejam aproveitadas para o benefício de todos.

25. Convoque reuniões em suas fábricas, locais de trabalho, escolas e bairros exigindo o fim imediato desta guerra. O mundo deve saber que o povo americano se opõe a esta guerra e exige que ela termine imediatamente. Tome uma posição. Junte-se ao Partido Socialista pela Igualdade na luta para construir um movimento poderoso contra a guerra imperialista.

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