Publicado originalmente em inglês em 2 de abril de 2026
Em 27 de março, David North, presidente do Conselho Editorial Internacional do World Socialist Web Site, proferiu uma palestra de excepcional importância política e histórica na Universidade Friedrich-Alexander (FAU), em Nuremberg, na Alemanha.
O evento, organizado pela Juventude e Estudantes Internacionais pela Igualdade Social (IYSSE), foi o primeiro realizado pela IYSSE na FAU — e recebeu uma resposta muito positiva. Mais de 80 estudantes, jovens e trabalhadores compareceram, apesar de a palestra ter ocorrido durante o recesso de primavera da universidade, o que demonstra a profunda preocupação com a guerra e o crescente interesse por uma perspectiva socialista contra a guerra.
A palestra de David North em Nuremberg encerrou uma série de eventos públicos de grande sucesso por toda a Alemanha, após eventos com grande público em Leipzig e Berlim.
North iniciou seu discurso abordando a estreita relação da cidade com os Julgamentos de Nuremberg de 1945–46, nos quais os líderes sobreviventes do regime nazista foram julgados pelo crime internacional supremo — o planejamento, a preparação e a condução de guerras de agressão. Foi esse fundamento jurídico e histórico que North invocou, de forma contundente, em relação à atual guerra contra o Irã.
North destacou que não foi o Holocausto, mas a prática de crimes contra a paz que o Tribunal de Nuremberg designou como o crime supremo. Citando o veredicto do tribunal, ele explicou: “Uma guerra de agressão é ‘o crime internacional supremo, diferindo dos demais crimes de guerra apenas pelo fato de conter em si todo o mal acumulado’”. Ele enfatizou as implicações dessa formulação: “Toda atrocidade cometida no curso de uma guerra de agressão, todo civil morto, todo edifício destruído, todo ato de tortura e punição coletiva decorre e está contido na decisão criminosa original de iniciar a guerra.”
North aplicou então esse padrão ao conflito atual, afirmando: “Se os padrões estabelecidos em Nuremberg forem aplicados, então a guerra contra o Irã é, sem dúvida alguma, um crime contra a paz, e todos aqueles que a estão travando são criminosos. Isso não é um exagero. É um fato jurídico. Trump é um criminoso. Hegseth é um criminoso. Rubio é um criminoso.”
North expôs a acusação com detalhes meticulosos — a ausência de uma declaração de guerra do Congresso, a violação da Carta das Nações Unidas, o bombardeio de um navio iraniano desarmado, a sabotagem deliberada das negociações diplomáticas e as alegações fraudulentas de conversas produtivas que serviram de cobertura para o maior envio de forças terrestres dos EUA ao Oriente Médio desde 2003.
North dedicou especial atenção à linguagem empregada pelo secretário de Defesa Pete Hegseth, que se gabou de lançar mão do poder aéreo “sem estar limitado por leis de combate estúpidas” e “sem se deixar intimidar pelo que as chamadas instituições internacionais dizem”, e que disse às tropas americanas: “Não somos mais defensores. Somos guerreiros, treinados para matar o inimigo e quebrar sua vontade.”
North disse ao público que eles, como alemães, reconheceriam ali a linguagem da Vernichtungskrieg, a guerra de aniquilação que Hitler travou contra a União Soviética. A declaração de Hegseth de “sem piedade, sem misericórdia para com nossos inimigos”, observou North, constitui uma violação do direito internacional codificado desde a Convenção de Haia de 1899. Se Hegseth fosse a julgamento, disse North, cada uma dessas declarações seria apresentada como prova.
Uma parte significativa da palestra foi dedicada à cumplicidade das potências imperialistas europeias. North destacou que a resposta da União Europeia à guerra foi denunciar não o ataque surpresa dos EUA e de Israel, mas os ataques de retaliação do Irã como “inaceitáveis”, uma inversão impressionante da realidade. Os mesmos governos que, durante quatro anos, invocaram o direito internacional e a inviolabilidade da soberania para condenar a guerra da Rússia na Ucrânia não proferiram uma única palavra de oposição a uma guerra americana indiscutivelmente não provocada contra uma nação de 91 milhões de pessoas.
A “ordem internacional baseada em regras”, concluiu North, havia sido exposta mais uma vez como um eufemismo para o direito das potências imperialistas de declarar guerra a quem bem entenderem. Ele chamou atenção especial para o ressurgimento da ideologia militarista na própria Alemanha, onde os políticos voltam a falar em construir uma “cultura guerreira” e se preparar para o confronto com a Rússia.
North também destacou o papel da mídia como instrumento de propaganda de guerra. Citando o julgamento de Hans Fritzsche, chefe da Divisão de Imprensa nazista, no Tribunal de Nuremberg, ele lembrou que o papel da mídia na promoção da guerra de agressão foi tratado nos julgamentos não como uma questão secundária, mas como um componente integral da atividade criminosa. Seguindo esse padrão, argumentou North, os propagandistas que promovem a guerra atual — quer escrevam para o New York Times, o Wall Street Journal ou seus equivalentes alemães — são eles próprios culpados, de acordo com os princípios estabelecidos há oitenta anos.
North explicou que a criminalidade de Trump não é uma aberração, mas a expressão de uma ordem social em estado terminal. “Não podemos explicar a crise a partir de Trump”, disse ele. “Temos que explicar Trump a partir da crise.”
Em sua conclusão, North apontou a classe trabalhadora internacional como a força contrária à guerra imperialista, enfatizando que a luta contra a guerra deve ser travada em escala internacional por meio da construção de uma direção socialista revolucionária.
A palestra foi seguida por um debate intenso e abrangente, refletindo a seriedade com que o público abordou as questões políticas levantadas.
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