A menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais, uma crise aberta se abateu sobre o establishment político brasileiro. Duas frações do Supremo Tribunal Federal (STF) – a mais alta instância do Estado burguês, apresentada durante os últimos anos como o fiador da ordem constitucional no país – passaram a se digladiar publicamente diante da nação.
O estopim foi a decisão do ministro André Mendonça, em 1º de setembro, de tornar público um relatório da Polícia Federal (PF) produzido a seu pedido, extraído do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, que documenta a proximidade entre o proprietário do liquidado Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes – o magistrado que conduziu a condenação do ex-presidente fascista Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
O material tornado público em 1º de setembro consiste em um relatório de 218 páginas, entregue pela PF em 27 de agosto, elaborado a partir do aparelho apreendido de Vorcaro na primeira fase da operação Compliance Zero, em novembro de 2025.
A relação entre o banqueiro e o ministro já vinha sendo noticiada havia meses. O que o relatório acrescenta são elementos novos e mais graves: metadados indicam que o próprio Moraes editou o contrato de até R$ 131 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes; há registros de encontros entre os dois; e mensagens em que Vorcaro, às vésperas de sua prisão, pede que o ministro acione o procurador-geral e o diretor da PF, e pergunta se deveria estar fora do país no dia da operação policial. A resposta prática a essa pergunta o próprio Vorcaro deu poucos dias depois: foi preso no Aeroporto de Guarulhos quando tentava embarcar em um jato particular rumo a Dubai, horas antes de a Polícia Federal deflagrar a operação Compliance Zero.
Essas mensagens revelam, na prática, a transformação do ministro mais poderoso do país em uma espécie de advogado pessoal e informante interno do banqueiro investigado por fraudes bilionárias. Não se conhece o teor das respostas de Moraes – a perícia da PF quebrou apenas a criptografia do lado de Vorcaro no aparelho apreendido –, mas o silêncio do outro lado da conversa não altera o que já está estabelecido.
André Mendonça, indicado ao Supremo por Bolsonaro, é relator de dois casos que possuem impactos diretos sobre a atual disputa presidencial. O caso Banco Master, o maior escândalo financeiro no Brasil, envolve os mais amplos setores do establishment político – dos ministros do STF ao senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro. Mendonça também é o relator de investigações contra Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), por crimes de tráfico de influência e corrupção. Nos últimos meses, vazamentos sistemáticos sobre as investigações contra o filho de Lula chegaram à imprensa. Agora, a quatro semanas do primeiro turno, Mendonça derrubou o sigilo do material contra Moraes sem submeter a matéria ao plenário do STF.
A reação do próprio Moraes revela a dinâmica política da disputa no interior do STF. Dois dias depois de ter seu nome exposto, ele acionou o inquérito das fake news – que comanda desde 2019, sem prazo e sob sigilo – para pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, a abertura de investigação contra Mendonça por abuso de autoridade. O pedido veio instruído por um novo documento da PF, produzido por determinação do próprio Moraes, no qual a corporação atestou que Mendonça solicitou o primeiro relatório sobre as conversas de Vorcaro já sabendo de antemão os nomes que seriam atingidos.
O episódio não é, portanto, um confronto entre a legalidade e a arbitrariedade de um ministro isolado. É a expressão, dentro do órgão máximo do Judiciário brasileiro e do principal aparato de investigação criminal do Estado, da mesma guerra entre frações da classe dominante que atravessa todo o sistema político burguês no país.
O Banco Master: a anatomia do parasitismo financeiro
A instituição que hoje está no centro da crise do Estado brasileiro era, até uma década atrás, um banco irrelevante. Em 2018, o então Banco Máxima ocupava a 1.365ª posição no ranking do setor e acumulava prejuízo. Em outubro de 2019, já sob o governo Bolsonaro, Daniel Vorcaro obteve do Banco Central a autorização para assumir o controle efetivo do banco. Rebatizado Banco Master em 2021, o conglomerado passou de R$ 3,7 bilhões para R$ 82 bilhões em ativos até 2024 – um crescimento de 2.123%, que o alçou da 90ª à 23ª posição entre as maiores instituições financeiras do país, absorvendo no caminho o Banif, o Voiter, o Letsbank, o Will Bank e a Intercap.
Essa expansão vertiginosa não correspondeu a nenhuma criação de valor econômico real. Ela se sustentou sobre dois pilares. O primeiro foi a captação agressiva junto ao varejo, através de CDBs oferecidos a taxas muito acima das praticadas pelo mercado – atrativas precisamente porque a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) eliminava, aos olhos do pequeno investidor, qualquer percepção de risco. Um mecanismo concebido como rede de proteção contra falências isoladas foi assim convertido em subsídio implícito a um modelo de captação predatório. O segundo pilar foi a alocação desses recursos em ativos de valor incerto ou simplesmente fictícios – culminando, em sua fase terminal, na venda ao Banco de Brasília (BRB), instituição pública controlada pelo governo do Distrito Federal, de carteiras de crédito estimadas em R$ 12 bilhões que a Polícia Federal identificou como fabricadas.
Em 18 de novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do banco, um dia depois de Vorcaro ser preso no Aeroporto de Guarulhos.
O que o Relatório Anual do FGC, divulgado em abril de 2026, acrescenta a esse quadro desmonta a narrativa oficial do “banco mal gerido descoberto e liquidado”. Segundo o próprio Fundo, já em maio de 2025 – seis meses antes da liquidação – havia sido celebrada uma operação formal de suporte financeiro ao conglomerado, estruturada com liberação semanal de recursos mediante emissão de letras financeiras, destinada exclusivamente ao pagamento dos passivos cobertos pela garantia. Ao final de 2025, o saldo dessas emissões somava R$ 5,7 bilhões. A operação, informa o FGC, se estendeu “até que a potencial operação com o BRB fosse analisada” pelo Banco Central – que a negou em setembro de 2025. Ou seja: o aparato regulatório não apenas deixou de impedir a fraude; sustentou o banco artificialmente vivo por meio ano enquanto tentava encontrar um comprador que absorvesse o rombo, acumulando exposição crescente do fundo coletivo do sistema.
A conta final é a maior da história financeira brasileira. As liquidações se estenderam para além do Master, alcançando o Master de Investimentos e o Letsbank em novembro de 2025, a Will Financeira em janeiro e o Banco Pleno em fevereiro de 2026 – sinal de que a extensão do conglomerado, e portanto da fraude, era maior do que as investigações iniciais haviam mapeado. O valor total provisionado para pagamento de garantias chegou a R$ 51,8 bilhões, com impacto combinado de R$ 57,4 bilhões nas reservas do Fundo. Até abril de 2026, R$ 49 bilhões já haviam sido pagos a cerca de 870 mil credores.
Para repor essas reservas, o FGC recebeu R$ 32,2 bilhões em contribuições antecipadas dos bancos associados em apenas três dias, entre 23 e 25 de março de 2026. Ainda assim, o Fundo encerrou aquele mês com índice de liquidez de aproximadamente 2% dos depósitos elegíveis – abaixo do piso de 2,3% que a própria regulação do Conselho Monetário Nacional lhe impõe. O mecanismo apresentado como garantia última da estabilidade do sistema financeiro brasileiro opera hoje desenquadrado de seus próprios parâmetros de segurança, esvaziado pelo colapso de um único conglomerado.
E quem paga? Os ganhos de Vorcaro foram integralmente privados. Os custos foram distribuídos publicamente. Dezoito fundos de previdência de estados e municípios haviam aplicado R$ 1,86 bilhão em letras financeiras do Master – papéis sem qualquer cobertura do FGC, cujo prejuízo recairá diretamente sobre estados, municípios e sobre a poupança previdenciária dos servidores públicos. A Rioprevidência, do Rio de Janeiro, responde sozinha por R$ 970 milhões. A eles se somam os aposentados e pensionistas do INSS vítimas de empréstimos consignados contratados em seus nomes sem autorização verificável, objeto de outra investigação em curso.
Isso não é um desvio patológico, nem a obra de um banqueiro particularmente inescrupuloso. É o funcionamento normal do capital financeiro brasileiro em sua fase atual, levado ao ponto em que a contradição já não pode ser ocultada. Uma fração da oligarquia financeira utilizou os mecanismos do Estado – a garantia pública, a permissividade regulatória, o acesso a bancos públicos e a fundos de pensão de servidores – para montar uma máquina de extração de riqueza. Quando a máquina quebrou, o mesmo Estado administrou seu colapso por meses, protegendo a estabilidade do sistema e transferindo os custos para trabalhadores, aposentados e pensionistas. O “mercado” que exige austeridade, congelamento de gastos sociais e novas reformas previdenciárias é exatamente o mesmo que se alimenta dos fundos públicos que declara insustentáveis.
Uma “dívida eterna”
A abrangência das forças políticas e dos setores do aparato do Estado burguês envolvidos neste escândalo oferece uma exposição devastadora da natureza de classe das relações políticas no país.
O mesmo banqueiro que firmou com Alexandre de Moraes um acordo multimilionário – a ponto de declarar ao próprio ministro, uma “dívida eterna” com ele – teceu com o clã Bolsonaro, antagonista mortal de Moraes, um acordo da mesma ordem de grandeza e natureza corrupta.
Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL) à presidência em nome de seu pai – que cumpre uma sentença de 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, assinada pelo próprio Moraes – negociou diretamente com Vorcaro o financiamento de Dark Horse, a cinebiografia hagiográfica de Jair Bolsonaro, cujo orçamento chegou a US$ 24 milhões (então cerca de R$ 134 milhões); desse total, ao menos US$ 12,3 milhões chegaram a ser efetivamente pagos – a última parte em setembro de 2025, após Flávio cobrar parcelas atrasadas a Vorcaro. A Polícia Federal apura indícios de que, sob a fachada do financiamento a Dark Horse, o dinheiro de Vorcaro tenha servido de fato para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos – país para onde Eduardo se mudou definitivamente no início de 2025, e de onde coordena a atuação dos fascistas brasileiros em articulação direta com o governo Trump.
O mesmo banqueiro, portanto, financiava simultaneamente o entorno do ministro que se tornou o símbolo da “defesa da democracia” e o núcleo familiar que conspirou para implantar uma ditadura militar-fascista. E é isso que faz ruir toda a narrativa oficial.
Ao condenar Bolsonaro e seus cúmplices, Moraes ofereceu a fórmula que resumia essa narrativa – o país quase retornara à ditadura porque uma “organização criminosa” não soubera perder eleições. O World Socialist Web Site rejeitou essa tese personalista e defendeu que a ameaça golpista tinha origem nas imensas contradições históricas não resolvidas de um dos países mais desiguais do mundo, em interação com uma crise internacional em aceleração. O escândalo Master fornece mais uma demonstração empírica: os mesmos patrocinadores da elite financeira que bancavam os promotores do processo bancavam também a conspiração.
“Longe de representar o ponto final em uma ofensiva fascista derrotada”, o WSWS escreveu, “o julgamento de Bolsonaro e seus cúmplices ocorre em meio à persistência e intensificação dos seus esforços para derrubar a democracia no Brasil.”
Não uma aberração, mas uma crise intratável
O Grupo Socialista pela Igualdade (GSI) recusou o tratamento da conspiração fascista que culminou na insurreição de 8 de janeiro de 2023 como uma aberração, como o produto de decisões subjetivas de Bolsonaro e sua camarilha militar golpista. Ele foi, e é, o sintoma de uma crise intratável do regime burguês no Brasil, determinada em última instância pela crise de toda a ordem capitalista mundial.
Nas vésperas das eleições de 2022, quando os principais setores do capital nacional se reuniram em torno da candidatura de Lula, escrevemos que a esperança de que essa coalizão resolveria a crise interna do regime – contendo a luta de classes e administrando, ao mesmo tempo, as pressões contraditórias das relações com os Estados Unidos e com a China – era uma fantasia. O vetor da crise continuaria a se acelerar, e o verniz democrático não correspondia à realidade da dominação burguesa no país.
Quatro anos depois, essa avaliação foi veementemente confirmada. A classe dominante brasileira se mostra incapaz de produzir um acordo mínimo, por cima, que permita uma ordem política estável ao capitalismo no Brasil. O que se vê é o contrário – uma guerra intestina, travada com os instrumentos do próprio Estado, entre frações que já não conseguem arbitrar suas diferenças por meios institucionais.
Essa crise não é, na sua essência, brasileira. Ela é a expressão nacional do colapso da ordem capitalista mundial. O que o WSWS vem caracterizando como a erupção da Terceira Guerra Mundial não se limita aos teatros de operação abertos na Ucrânia, em Gaza e no Irã. Ela tem sua contrapartida interna em cada país, na destruição acelerada das formas democráticas de dominação burguesa e na ascensão de movimentos fascistas internacionalmente – com foco nos Estados Unidos, onde o governo Trump ergue abertamente uma ditadura presidencial. A América Latina foi convertida, para todos os fins, em campo de batalha da guerra imperialista global.
A conspiração fascista no Brasil continua
A ação de Mendonça foi diretamente coordenada a uma ofensiva política da extrema direita fascistizante. No mesmo dia, o líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), protocolou o que classificou como o 53º pedido de impeachment contra Moraes, acompanhado de queixa-crime à PGR e da exigência de demissão do diretor-geral da PF. Toda a operação política que se seguiu consistiu em fundir a figura de Moraes à do governo do PT, convertendo um escândalo que atinge frações inteiras do Estado em munição contra Lula.
O ponto de convergência foram os atos deste 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, convocados por Flávio Bolsonaro para a Avenida Paulista sob os motes “Fora Lula, Fora Moraes” e “É agora ou nunca”. A data que o bolsonarismo vem promovendo desde 2021 como fachada popular para um golpe de Estado foi assim reconvertida em plataforma de lançamento da candidatura Bolsonaro, tendo como bandeira central a crise interna do próprio tribunal.
Mas seria um erro tratar isso como oportunismo circunstancial. A anistia aos condenados pela conspiração golpista de 2022-23 é hoje bandeira de todos os candidatos da oposição de direita – não apenas de Flávio Bolsonaro, mas também daqueles que buscam se apresentar como alternativas “moderadas” ao bolsonarismo. A derrubada dos resultados do processo do 8 de janeiro é o programa comum de todo esse campo. Isso diz o essencial sobre o caráter destas eleições: elas são o prolongamento direto da crise aberta em 2022.
A continuação desta ofensiva política no Brasil, entretanto, se dá em um novo contexto internacional e sob outro grau de protagonismo do imperialismo americano. Em seu discurso na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), Flávio Bolsonaro exigiu abertamente a intervenção de Washington nas eleições brasileiras e comprometeu-se a dar continuidade à conspiração pela qual seu pai foi condenado.
Uma ala do governo Trump formada por deputados republicanos, quadros do segundo escalão e integrantes do Departamento de Estado, segundo apurações do jornalista Jamil Chade, já articula a retomada de sanções contra Moraes usando as revelações sobre Vorcaro como pretexto. Moraes e sua esposa já haviam sido alvo de sanções do governo Trump em 2025, em retaliação ao processo contra Bolsonaro pela tentativa de golpe.
Ou seja: uma crise fabricada dentro do STF brasileiro está sendo convertida, em tempo real, em pretexto para a intervenção direta de Washington na eleição brasileira.
A estreita articulação das forças fascistas brasileiras com Washington se inscreve em um giro histórico do imperialismo americano sobre a região. As tarifas de 50% e as sanções impostas ao Brasil a partir de 2025 marcaram um novo estágio, irreversível, nessas relações. A captura do presidente venezuelano e a reafirmação da Doutrina Monroe inauguraram a fase da intervenção militar direta. A campanha de assassinatos extrajudiciais no Caribe e no Pacífico e a montagem de uma coalizão de governos de extrema direita latino-americanos sob o nome de “Escudo das Américas” constitui uma Operação Condor moderna.
A falência da “frente ampla” do PT e da pseudoesquerda
Nenhuma perspectiva política sai desta crise tão fulminada quanto a da “frente ampla” do PT e da pseudoesquerda.
O governo Lula tomou posse sob uma conspiração golpista sistemática, que planejou o assassinato do presidente eleito e a instauração de uma ditadura presidencial-militar no Brasil. Uma semana após sua posse, ocorreu o assalto fascista às sedes dos três poderes em Brasília. O próprio Lula reconheceu que a ameaça não se encerrou em 8 de janeiro de 2023: prolongou-se na pressão por uma Garantia da Lei e da Ordem que colocaria o governo sob tutela militar – pressão com a qual o Planalto negociou e se equilibrou durante todo o mandato.
A resposta fundamental do PT a essa ameaça teve dois eixos: a promoção da ala supostamente “democrática” do sistema político reacionário brasileiro – a “frente ampla” com os banqueiros, o agronegócio e os partidos da direita tradicional –; e a transferência integral ao Judiciário, investindo poderes extraordinários nas mãos de um único juiz, Alexandre de Moraes, da tarefa de conter o fascismo. Essa foi uma decisão política deliberada de minar a construção de qualquer base de massas em oposição ao fascismo – porque um movimento assim escaparia rapidamente ao controle do PT e se voltaria contra o próprio regime capitalista que ele defende.
Esse mesmo mecanismo comanda o programa com que o PT disputa as eleições atuais, com amplo apoio dos partidos da pseudoesquerda. Diante das tarifas de Trump e do avanço da guerra, sua resposta é intensificar o apelo patriótico – isto é, a defesa do capitalismo nacional, cuja competitividade demanda sacrifícios crescentes da classe trabalhadora – combinado à promoção exacerbada do militarismo. As mesmas Forças Armadas que forneceram a base institucional da tentativa de golpe de Bolsonaro são hoje apresentadas como baluarte da soberania nacional.
Essa perspectiva falida, cuja essência é desarmar a classe trabalhadora diante da burguesia nacional e seu Estado, prepara o terreno para uma catástrofe.
Nem o PT, nem a pseudoesquerda que o escolta oferecem qualquer saída. Todas essas organizações, inclusive as que se apresentam como mais críticas ao governo, trabalham para manter os trabalhadores subordinados a Lula, aos sindicatos que sufocam cada greve e ao terreno político da burguesia nacional, justo quando esse terreno se revela apodrecido em toda a sua extensão.
Pela mobilização independente da classe trabalhadora
Não há solução para os trabalhadores brasileiros nem na “via judicial” do STF, nem na alternância entre frações da mesma elite nas urnas de outubro. A eleição que se apresenta como escolha entre democracia e golpismo é disputada por forças igualmente subordinadas ao mesmo sistema em decomposição.
A única força social capaz de deter o fascismo e a ofensiva imperialista é a classe trabalhadora, mobilizada de forma independente, com seu próprio programa e suas próprias organizações de luta, como uma força internacional.
O Grupo Socialista pela Igualdade, em solidariedade com o Comitê Internacional da Quarta Internacional, reitera o apelo que formulou em sua declaração de julho de 2025: os trabalhadores no Brasil e em toda a América Latina precisam “romper com os meios políticos nacionais apodrecidos dominados pela burguesia” e unir-se a seus irmãos e irmãs de classe em toda a América Latina, nos Estados Unidos e internacionalmente para lutar contra o capitalismo, a guerra e o fascismo.
Essa é a tarefa que a crise atual coloca. Construir a direção revolucionária capaz de conduzi-la é a questão decisiva da política brasileira hoje.
